quarta-feira, outubro 31, 2007

1 E 2 DE NOVEMBRO

Desde os alvores da humanidade, o ser humano construiu à volta do fenómeno da morte, uma enorme trama de suposições que a converteram em tabu. É a partir delas que o seu poder se revela e nenhum é tão avassalador e omnipresente como o da morte. Esta consciência está em nós, vive à nossa volta Todos temos presente que tarde ou cedo, de uma forma ou de outra temos de morrer; as únicas questões são saber o dia e hora. Prisioneiros entre esta realidade e o desejo de obter a imortalidade encontramo-nos num terreno propício à angústia, ao desespero e à solidão e, ao mesmo tempo, num espaço privilegiado onde as raízes das religiões, crenças e superstições se formam e alimentam para explicar tudo. No entanto a morte nunca deixou de ser um fenómeno biológico, como o nascimento, a puberdade ou o envelhecimento. Mesmo assim, criaram-se vários modos de considerá-la e lidar com ela, revelando-nos que os nossos arreigados costumes não nos vêm dados pela natureza e que podíamos mudá-los se quiséssemos.

A morte proporcionou a criação de linguagens próprias, gerando cada uma delas valores e comportamentos que estruturam muitas das nossas representações mas sobretudo na forma como vemos a vida. Se a secularização da sociedade relegou a morte para um plano secundário, a estetização do mundo contemporâneo, ligado à expansão das indústrias dos audiovisuais, mediáticas e à iconização exaustiva do mundo, fizeram dela um espectáculo constante onde é apresentada em todas as variantes, individuais, colectivas e violentas. Nela a guerra, a saúde, a ética continuam a ser marcantes tal como no passado. Reflectir sobre a morte continua, na sociedade actual, a ser um rico filão em termos de significados, e em temos estéticos. Porque ao contrário dos animais para quem a morte é uma circunstância natural e cujo cadáver se transforma em coisa, para o ser humano a morte é um problema, um drama estranho e difícil: o seu corpo deixa de ser algo vivo mas não se transforma em coisa. Ainda por cima e até hoje, nenhuma filosofia conseguiu libertar a humanidade dos temores da morte. Nem a crença no Além, nem a recompensa da fama, nem a prolongamento do falecido nos seus filhos são ou foram um consolo suficiente para o momento final.

Considerada como a nossa primeira experiência metafísica, a morte foi ao mesmo tempo estética e religiosa pelo enigma que terá representado aos olhos dos nossos primeiros antepassados, o “espectáculo” da transformação de um ser em “gelatina anónima”. O surgimento da arte ou da imagem está associada à morte. E nas sepulturas serviu como meio tranquilizador para enfrentar o medo ao vazio e ao estado de impessoalidade ou de nada em que se transforma o ser com a morte. Servindo ainda como meio de representação e de comunicação entre o visível e o invisível, entre o temido e o tranquilizador. Cumprindo uma função mediadora e de contacto entre duas realidades opostas: unir presentes ao ausente.

A sociedade tecnológica em que vivemos não sabe que fazer com os mortos; enquanto nas aldeias ainda existe alguma convivência com eles; nas cidades o morto evita-se e a morte burocratizou-se. Ela é espelho da vivência urbana. Numa sociedade que se move à volta de uma organização socioeconómica, onde os únicos valores são o êxito, a produção e o lucro, o culto da morte não tem razão de existir. Mesmo assim um enorme “complot” foi estruturado para a sobrevivência do tabu onde até a Igreja entra nesta macabra cadência, ao substituir o nome de Extrema Unção pelo de Santa Unção como em tempos não muito pretéritos. Da boa morte passou-se à morte bela, e da secularização aos secularismos invasores; é o desafecto total à religião. O Além vai perdendo espaço em favor do Aquém mas paradoxalmente em cada 1 de Novembro os cemitérios enchem-se de flores como símbolo deste culto.
António Delgado In Jornal de Leiria. Edição de 1 de Novembro de 2007 e ver António Delgado in " Estetica de la muerte en Portugal"

PS. Aconselho uma excelente postagem do Jorge Casal , cujo tema é associada ao dia de Todos os Santos.

segunda-feira, outubro 29, 2007

"QUEM NÃO CONFIA NÃO É DE CONFIANÇA" ditado popular

Estatísticas: Portugueses são dos povos mais desconfiados e menos cívicos do Ocidente


25 de Outubro de 2007, 06:30
Por Sérgio Soares, da agência Lusa
Lisboa, 25 Out (Lusa) - Os portugueses são o povo mais desconfiado da Europa Ocidental e ocupam a 25ª posição entre 26 países num estudo da OCDE destinado a medir a amplitude da desconfiança e falta de civismo dos diferentes povos recenseados.
Os estudos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e da "World Values Survey", citados no novo livro "A Sociedade da Desconfiança, por dois economistas franceses do Centro para a Pesquisa Económica e suas Aplicações (CEPREMAP), demonstram que esta "ausência de confiança generalizada nos outros e nas instituições é mensurável e afecta a economia e a sociedade em geral" em todos os países avaliados.
Os portugueses são, em média, os europeus mais desconfiados, à frente dos franceses (24º lugar) e da maioria dos outros povos desenvolvidos, de acordo com uma outra sondagem realizada entre 1990 e 2000 pela «World Values Survey» que inclui os países membros da OCDE, nomeadamente EUA, Japão, Austrália e Canadá. No último lugar, imediatamente depois de Portugal, apenas os turcos conseguem ser ainda mais desconfiados.
Em resposta à pergunta "Regra geral, pensa que é possível confiar nos outros ou acha que a desconfiança nunca é suficiente?", os portugueses ficaram no último lugar, com menos de 18 por cento a responderem afirmativamente. Os franceses situam-se imediatamente a seguir em termos de desconfiança média relativamente aos demais e às instituições.
No outro extremo, 66 por cento dos suecos e 60 por cento dos dinamarqueses admitem por regra confiar nas outras pessoas e nas suas instituições.
Numa comparação entre pessoas com o mesmo nível escolar, sexo, situação familiar, religião e orientação política, face aos noruegueses que ocupam o primeiro lugar relativo aos que mais confiam, os portugueses só ficam à frente da França, Hungria, Turquia e Grécia.
O economista e professor universitário Mira Amaral disse à agência Lusa "não ter ficado surpreendido" com estas estatísticas. Para o antigo ministro da Indústria do primeiro governo de Aníbal Cavaco Silva, a desconfiança "afecta, obviamente, a economia" e indicia incapacidade das pessoas para trabalharem com outras em rede.
"A desconfiança mostra que não acreditamos nas outras pessoas e no País, e quando uma pessoa não confia no seu país não investe", sublinhou, acrescentando que os portugueses "são pouco liberais e muito estatistas".
Opinião semelhante tem o economista António Nogueira Leite para quem "a desconfiança social afecta, sem dúvida nenhuma, a competitividade" ao criar entropias que complicam as relações económicas e por implicarem o "falhanço de alternativas" válidas.
"É um indicador importante", afirmou, referindo-se às estatísticas recolhidas nestes estudos.
O também economista e professor universitário João César das Neves, embora só concorde em termos gerais, afirma-se "surpreendido" com a colocação de Portugal porque, apesar dos portugueses serem um "povo muito desconfiado há pior na Europa".
Graças aos franceses que, em regra, se situam nos estudos citados quase sempre pior colocados, os portugueses são os menos cívicos e apenas ultrapassados por mexicanos e franceses, ocupando também a terceira posição entre os povos que acham legítimo receber apoios estatais indevidos (baixas por doença, subsídios de desemprego etc.), adquirir bens roubados (14º lugar para os portugueses contra 20º lugar dos franceses) ou aceitar luvas no exercício das suas funções (12º lugar para os portugueses e 21º lugar para os franceses).
Para Mira Amaral, estas estatísticas tornam evidente também o problema do Estado providência que não suporta indefinidamente os abusos de pessoas sem escrúpulos que recebem apoios sociais indevidos através de métodos fraudulentos, por exemplo para conseguirem baixas médicas.
"Este comportamento não é atávico" nos portugueses, no sentido de que não possa ser remediado, mas é "uma grande pecha", afirma.
A maioria dos inquiridos nos estudos da OCDE e no livro diz, contudo, condenar a falta de civismo, qualquer que seja o país considerado. No entanto, os habitantes dos países nórdicos e anglo-saxónicos são maioritários em relação aos do Mediterrâneo ao considerarem que tais actos nunca se justificam.
Os autores dos diferentes estudos chegam à conclusão que a falta de civismo é transversal a todas as sociedades e não apenas às pessoas com menor nível escolar.
De acordo com o comportamento registado entre os diplomatas de 146 países nas Nações Unidas e nos consulados em Nova Iorque, no que respeita ao cumprimento das regras de trânsito, constata-se que entre 1997 e 2005 os diplomatas portugueses foram os que mais infracções cometeram mas beneficiando de imunidade, entre os ocidentais (68º lugar), bastante pior situados do que os espanhóis (52º) e só à frente dos franceses (78º).
Na longa lista de estatísticas sobre comportamento, o das empresas portuguesas no estrangeiro são as que menos envergonham ao situarem-se a meio da tabela, no 15º lugar, entre as que menos tentativas fazem para corromper nos mercados onde se instalam.
Segue-se uma lista decrescente integrada pela França, Espanha, EUA, Bélgica, Holanda, Alemanha, Reino Unido, Canadá, Áustria, Austrália, Suécia e Suiça.
As empresas que mais tentativas de corrupção fazem são as da Índia, China, Rússia, Turquia, Taiwan, Malásia, África do Sul, Brasil, Arábia Saudita, Coreia do Sul, Itália, Israel, Hong Kong, e México.
Para quase 20 por cento dos portugueses e franceses "para se chegar ao topo, é necessário ser corrupto".
Neste aspecto, Mira Amaral faz questão de explicar que existem duas motivações. Uma assente na inveja dos que não suportam ver alguém triunfar e outra dimensão baseada na convicção justificada do povo de que a classe política, através de esquemas, promoções e "amiguismo", consegue obter mais privilégios do que os devidos.
"A promiscuidade entre grupos económicos e políticos leva as pessoas a terem alguma razão nessa sua desconfiança", constata Mira Amaral.
"Hoje em dia, não se é premiado por se ter tido uma boa carreira mas por amiguismo", sublinha o antigo governante que confirma ter constatado inúmeras vezes este fenómeno e o ter sofrido na pele.
O antigo ministro reconhece que "há um grande tráfico de influências e de amiguismo" que favorece indevidamente os círculos que disso beneficiam.
Belgas, franceses, italianos e portugueses são os povos europeus que menos confiam na sua administração da justiça, contra os dinamarqueses que ocupam o 1º lugar entre os que mais confiança depositam no respectivo sistema judicial.
Curiosamente, os portugueses são dos que mais confiam no seu parlamento (9º lugar), apenas atrás da Suíça, Espanha, Áustria, Finlândia, Dinamarca, Suécia, Holanda e Noruega, e ocupam paradoxalmente o mesmo lugar no "ranking" dos que mais confiam nos sindicatos, apesar das elevadas taxas de desvinculação sindical.
Os mexicanos, seguidos dos turcos, checos, gregos e franceses são os que declaram não ter "nenhuma confiança" nos respectivos parlamentos.
No seu livro "A Sociedade da Desconfiança", Yann Algan e Pierre Cahuc consideram que a origem da desconfiança se baseia no corporativismo e no estatismo. Essa mistura criou em vários países um "círculo vicioso de desconfiança e de disfunções do modelo económico e social", liquidando a bandeira do universalismo que alguns povos gostam de apresentar.
O estudo dos dois economistas franceses revela que, se não existisse uma desconfiança tão elevada em relação às outras pessoas e às instituições (governo, parlamento, sindicatos), em média por habitante, os portugueses teriam aumentado em 18 por cento os seus rendimentos médios entre os anos 2000 e 2003 com efeitos idênticos sobre o PIB.
João César das Neves considera que a desconfiança é "sem dúvida" um elemento importante para a dinâmica económica mas que ela é, antes de mais, uma "terrível influência para a vida social e o equilíbrio pessoal e familiar". Para este economista, o efeito sobre o crescimento ainda é o menos importante.
Os autores do estudo dizem relativamente à França, citando os principais líderes políticos, entre os quais Francois Bayrou, que o país vive a "mais grave crise da sua história recente, e que esta é uma crise de confiança" nas instituições e nos diferentes órgãos do Estado.
Mira Amaral concorda e considera que, "genericamente, as estatísticas apresentadas também estão de acordo com as características dos portugueses como povo".
João César das Neves acha que esse elemento é importante mas secundário, sublinhando mais o facto de vivermos numa época de transição social, com enorme transformação das instituições, hábitos e costumes e a consequente crise cultural, que é particularmente visível na Europa.
"Além disso, a tradicional tendência portuguesa para a violação das regras também tem efeitos, junto com a má qualidade da classe política", destaca.
Pouco optimista, afirma que a desconfiança tem flutuado ligeiramente com as crises económicas e políticas. "Estamos hoje melhor que há três anos, mas pior que há dez. Mas trata-se de pequenas alterações à volta de um nível baixo", conclui.
O velho ditado com "um olho no burro e outro no cigano" parece continuar a guiar o comportamento quotidiano dos portugueses.
SRS.
Lusa/fim
( http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/EVfkRu9tdosxOzbGTJ7O1w.html)

domingo, outubro 21, 2007

"CLICHES" DA NOSSA REPÚBLICA

( legenda do cartaz: DESPERTEM CHEIRA A FACHISMO)

A vida politica portuguesa vai dando sérios sinais de perturbação, em termos de liberdades. Agora é o PGR quem afirma ter duvidas se o seu telefone não esta em escuta e a Ordem dos Advogados já reagiu. Estas afirmações não passariam de curiosidade se em paralelo não estivessem acompanhadas com outras relidades que em meu parecer são extremecedoras e parecem ultrapassar a razoabilidade num Estado Democrático .


De um bom amigo recebi este mail que reproduzo com a sua devida autorização.


"Gostava de ter visto a cara do (ainda) ministro Santos Silva ao ter que ouvir esta dedicatória do jornalista precário João Pacheco, feita com grande coragem e dignidade, que (ainda) não foi alvo de qualquer queixa judicial ou alvo de processo disciplinar.
O “precariado” é a nova classe de trabalhadores criada pelos governos que se alternam e eternizam no poder PS-PSD/CDS, tal como o protagonizaram no estertor da monarquia e no advento da República, os então Partidos Democrático e Regenerador.
A prática política deste sistema alternante cavou “masmorras” aos mais pobres face aos mais ricos, diz o INE.
Neste indicador e em índices de pobreza somos infelizmente os primeiros na Europa.
Uma vergonha que nos envergonha e responsabiliza a todos, enquanto cidadãos.
O escândalo da distribuição da riqueza e o índice de pobreza no nosso País são uma vergonha nacional. E um ultraje à República
".




No passado dia 25 de Setembro, decorreu no Convento do Carmo, em Lisboa, a entrega dos Prémios Gazeta, do Clube de Jornalistas. Nesta cerimónia, presidida pelo Presidente da República, João Pacheco foi um dos premiados, tendo proferido um discurso que louvamos
e que é apresentado de seguida.

"Obrigado. Obrigado à minha família. Obrigado aos jornalistas Alexandra Lucas Coelho, David Lopes Ramos, Dulce Neto e Rosa Ruela. Obrigado a quem já conhece "O almoço ilegal está na mesa", "A caça à pedra maneirinha" e "Guardadores de sementes".

Parabéns aos repórteres fotográficos Nuno Ferreira Santos e Rui Gaudêncio, Co-autores das três reportagens, com quem vou partilhar o prémio monetário. Parabéns também ao Jacinto Godinho, ao Manuel António Pina e à «Mais Alentejo», que me deixam ainda mais orgulhoso por estar aqui hoje.

Como trabalhador precário que sou, deu-me um gozo especial receber o prémio Gazeta Revelação 2006, do Clube dos Jornalistas. A minha
parte do dinheiro servirá para pagar dívidas à Segurança Social. Parece-me que é um fim nobre.

Não sei se é costume dedicar-se este tipo de prémios a alguém, mas vou dedicá-lo: A todos os jornalistas precários.

Passado um ano da publicação destas reportagens, após quase três anos de trabalho como jornalista, continuo a não ter qualquer contrato. Não tenho rendimento fixo, nem direito a férias, nem protecção na doença nem quaisquer direitos caso venha a ter filhos.

Se a minha situação fosse uma excepção, não seria grave. Mas como é generalizada - no jornalismo e em quase todas as áreas profissionais - o que está em causa é a democracia.
E no caso específico do jornalismo, está em risco a liberdade de imprensa.

Obrigado, João Pacheco"




Todo o comentário educado e bem disposto é muito bem vindo.

quinta-feira, outubro 18, 2007

REFLEXÃO


O prazer é uma canção de liberdade, não é a liberdade.
É o florescer de vossos desejos, mas não o seu fruto.
É uma chamada da profundidade para a altura, mas não é o profundo nem o alto.
É o enjaulado que experimenta as asas, mas não é o espaço confinado.
Ai! Em verdade verdadeira, o prazer é uma canção de liberdade.
E eu desejaria, que a cantásseis com plenitude de coração, mas que não perdêsseis o coração no canto.
Khalil Gibrán in Obras selectas. Edicomunicación,s.a. 1999

segunda-feira, outubro 15, 2007

CURIOSIDADE DE SÁBADO


Este fim-de-semana, os jornais portugueses continuaram a dar atenção à eleição de Luís Filipe Meneses, para secretário geral do PSD. Retive o artigo de Vasco Pulido Valente, no Público, de sábado e dele reproduzo um excerto:

Ninguém sabe, ou se atreve a prever (...) o que vai sair do congresso (...) um ponto parece mais do que adquirido: PSD de Menezes não irá chamar ou depender das “luminárias” da academia ou dos “negócios”, sem experiência ou convicções (excepto a do seu direito de governar) e sem sombra de currículo partidário. Para bem ou para mal ( há quem ache que para muito mal), O PSD ficará nas mãos de uma personagem do “pós-cavaquismo”: o operador politico profissional, criado no aparelho, educado nas guerras labirínticas do poder local e pouco inclinado ao sentimento de reverencia. Nem Sócrates nem Cavaco irão ter uma vida tranquila.”

Passeando pelo semanário o Sol, vi , na página 4 o titulo “ Menezes ao ataque” e no canto inferior direito, uma caixa de cor “amarelada”, com uma noticia, cujo o titulo era “ PS e Governo Preocupados”. Transcrevo também um excerto mas com incidência nas afirmações de Manuel Alegre:

“ Elogiando a vitória de Luís Filipe Menezes como “saudável do ponto de vista democrático”, Manuel Alegre considera que é “um sinal” e “ exprime uma vontade de mudança no país a que o governo deve de estar atento”. Em declarações ao Sol, o ex- candidato presidencial vê na reviravolta interna do PSD “ uma vontade de mudança que vem de fora para dentro”. “ O PS devia de perceber que aquela mudança um estado de espírito que não é só interno, não é só do PSD”, avisa. Alegre deixa um conselho a José Sócrates. “ Eu não subestimaria o dr. Menezes. O dr. Mário Soares subestimou Cavaco Silva, em 1985, quando ganhou na Figueira da Foz, e depois enganou-se”. No governo, as preocupações de Alegre são partilhadas por quase todos”.

Estas observações oriundas de duas pessoas tão diferentes e ao que parece, desavindas uma com a outra, estranharam-me pela semelhança nas conclusões e fiquei a pensar...

... depois de tanta gente denegrir Luis Filipe Menezes, dar-se-á o caso de ele vir mesmo animar a vida politica ?

Boa Semana

segunda-feira, outubro 08, 2007

OS MONGES E AS MONJAS REGRESSAM A ALCOBAÇA


S. Bernardo e a Virgem. Pintura de autoria de Josefa de Ayala (Óbidos), aproximadamente 1660 -1670
pintura a Óleo sobre tela

"Esta boa pintura da maturidade Joséfiana, procedente acaso do Mosteiro de Alcobaça, para onde se sabe que a artista trabalhou, representa a nossa senhora, coroada, com o menino no regaço, ampla capa azul celeste segura nas abas dois anjinhos alados, espremendo o seio direito e aleitando S. Bernardo, que em actitude de veneração ocupa a metade inferior esquerda da composição. " in Josefa de Óbidos e o Tempo Barroco. Catálogo de Exposição. Ministério da Cultura



Foi você que pediu o regresso dos Monges de Císter a Alcobaça?


Juro que alguém se lembrou de pedir encarecida e humildemente ao Senhor Presidente da Câmara que intercedesse, possivelmente, junto do papa e da ordem de Cister para que os monges regressem a Alcobaça (noticia do jornal Alcoa e com eco no Blog Do Portugal Profundo) . Dito e feito. Já chegaram. Aqui estão os novos monges a beber da tradição medieval...




Rico filão. Farta mama, a tradição. A satisfação dos novos monges é a prova de que os alcobacenses, com o Dr. Sapinho, podem viver de arcaísmos parolos e de mitologias labregas.

ANTONIO ARNAUT RECEBE PRÉMIO CORINO DE ANDRADE



António Arnaut um dos fundares do PS, socialistas e republicano convicto, um homem que preza e ama a liberdade além de cultivar o humanismo. No sábado (6/10/2007) deu uma entrevista ao Diário de Noticias, motivada pelo prémio Corino de Andrade com o qual foi recentemente agraciado. Exponho três respostas a igual número de perguntas que exercerem sobre mim admiração e às quais faço uma vénia. O entrevistador João Fonseca e perguntou-lhe o seguinte:

Deixou a advocacia e tem vindo a dedicar-se à escrita, mas a justiça em Portugal também o preocupa?

Preocupa-me sobretudo uma certa irresponsabilidade e laxismo de todos os agentes judiciários (juízes, Ministério Público, advogados e funcionários), que não compreendem que a justiça é a pedra axial de um Estado de direito. Preocupa-me a demora excessiva na resolução de pleitos, que, por vezes, resulta da irresponsabilidade daqueles agentes. Se a justiça não é administrada em tempo útil deixa de o ser. É um mal antigo, mas nunca atingiu proporções como agora.

Justiça e Saúde estão doentes?

Ambas padecem de males profundos, mas o sistema de justiça sofre de doenças mais graves

Está desencantado com Governo?

O Comportamento do Governo socialista não está a cumprir a sua responsabilidade histórica.
in DN. 6.10.2007 (contra capa).

Sendo a justiça uma pedra basilar na organização e formação de um Estado, como pode este funcionar, quando ela não é aplicada? Como pode um país evoluir economicamente se a justiça não funciona e não dá garantias aos inversores? Como se sentirá um cidadão num Estado onde a justiça só está ao serviço das oligarquias?

A caricatura da Justiça foi retirada do blog amigo o ZÉ POVINHO ...espero que me perdoe!

A TODOS E TODAS DESEJOS DE UMA EXCELENTE SEMANA.

quarta-feira, outubro 03, 2007

ACESSOS A W.C.s PÚBLICOS.



Em Julho vimos como o Chichi e Obrar estavam associados ao desenvolvimento local e como Alcobaça se mantinha na linha da frente em termos turísticos, devido à sua peculiar forma de receber forasteiros, que alguns designavam-nos mesmo por talibãs. Voltamos às políticas do chichi e do obrar, para ver o percurso, marcado a azul e que terá de fazer quem tenha necessidades fisiológicas, desde as escadarias do mosteiro aos WC públicos. Os vídeos mostram parte das barreiras arquitectónicas ao longo do trajecto, num percurso mais parecido a uma prova de perícia física igual às dos concursos da TV. Só depois de estas serem exercitadas num espaço compreendido entre, 50 a 70 m, o cidadão poderá aceder ao local onde irá encontrar o tão almejado sítio para o seu alívio.

Um percurso de mais ou menos 50 a 70 metros em linha recta e a céu aberto. Imaginem igualmente o mesmo trajecto para pessoas com handicaps (idosos, deficientes motores, cegos, pessoas em cadeiras de rodas, mães com carrinhos de bebés).

Pela concepção das obras estas parecem querer dizer: “se as pessoas têm handicaps, o problema é delas, não os tenham e quem tem dificuldades que fique em casa. Os idosos devem é de estar sentadinhos e sossegados a verem televisão. Aí, sim, estarão bem. A rua é para pessoas de corpos Danone e não para pessoas com problemas físicos. Onde se viu pessoas em cadeiras de rodas, cegos ou outros deficientes andarem por aí a passear? Alcobaça terra de espírito fradesco - alguns querem que os frades voltem - só não querem é pessoas com handicaps. XÔ fora daqui esta terra é cristã só aceitamos os perfeitos, apesar de haver envelhecimento da população !”. Esta será talvez a mensagem que se pode extrair das deficiências que esta obra tem e que parece ser o retrato fiel de muita gente nesta terra. O retrato de um arquitecto que projectou a obra e do presidente da Câmara que aprovou semelhante concepção. Infringindo as leis do direito urbano em pontos tão elementares, como negar o acesso aos cidadãos de usufruírem de pleno direito em termos de igualdade o espaço público. MAIS UM EXCELENTE CARTAZ PARA ALCOBAÇA, de como ela é pensada com primor.




segunda-feira, setembro 24, 2007

CITAÇÃO E EVENTOS

Os que fazem muito barulho quando vivem repousam depois da sua morte em tanto silêncio como os que não o fizeram”.


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transcrevo nesta postagem igualmente este mail que recebi.


"Solicitado por um amigo pequeno de idade e grande de coração, peço-vos que divulguem esta iniciativa de sensibilização, promovida pela Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama. A todos, um abraço e obrigado. Vamos correr com sentido... http://citizenmary.blogspot.com/2007/09/correr-com-sentido.html

Maria "
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Do Blog amigo Momentos & Documentos extraí a informação que se segue e onde pode ser consultada com mais detalhe.
TRIBUTO A CHE GUEVARA

No dia 13 de Outubro 2007, Movimentum - Arte e Cultura em colaboração com o Grupo Dramático e Musical Flor de Infesta, apresenta ” Uma Noite com… Che Guevara”, com a participação de Albino Santos, Carlos Andrade, Fernando Fernandes, Fernando Peixoto, Maria Mamede e Roberto Merino .
Che Guevara merece que o Anfiteatro do G. D. M. Flor de Infesta esteja cheio de pessoas que mostrem à queles que o assassinaram, que CHE está bem vivo na nossa memória Colectiva.
“A estrela de teu boné brilha mais forte, a força de teus olhos guia gerações pelas lutas da justiça, teu semblante sereno e firme inspira confiança aos que combatem pela liberdade “.- Frei Betto (antropólogo, filósofo, jornalista e escritor brasileiro).
Contamos com a vossa presença e o vosso empenhamento na divulgação deste evento.

quarta-feira, setembro 19, 2007

DESCOBERTA SURPREENDENTE


As universidades americanas, são muito afeiçoadas a fazer estudos bastante chocantes sobre toda a classe de assuntos, e de vez em quando surpreendem-nos com descobrimentos que nunca teríamos imaginado.

Agora, ao que parece, um estudo da Universidade de Nova York , demonstrou que o cérebro das pessoas de tendência “ esquerdista” funciona de maneira distinta ao dos que são de “direitas”. Os científicos chegaram à conclusão de que as diferenças se dão no momento de improvisar perante situações inesperadas, onde os de esquerda se mostram mais flexíveis que os conservadores, aos que ao parecer lhes custa mais trabalho reagir se querem mudar de hábitos. De todo isto se deduz que os chamados “progressistas” são mais inclinados e abertos a variar de opinião, e os de direitas mais fechados às mudanças. Demasiado de livro, não é?
Felizmente, o estudo termina dizendo que o voto não está determinado “apenas” pela actividade neuronal; influem muitos factores educacionais e culturais. Esqueceram-se de nos dizer o que se passa com os neurónios dos que não somos “adeptos” nem de uns nem de outros. Alivia-me muito pensar que pertenço a um grupo que podíamos chamar de “neurónios livre”. Estes americanos!

O texto por ser divertido reproduz-se e é uma carta extraída da secção de cartas ao director do jornal El Pais de hoje 19/9/2007. Foi enviada pela senhora Maribel Egido Carrasco. Coca , Segóvia. A noticia que considera esta senhora, foi publicada no mesmo jornal em 17/9/2007

sábado, setembro 15, 2007

ALCOBAÇA CAPITAL DAS CHEIAS



Basta uma pequena chuvada de Setembro sonorizada com alguns trovões, para pôr a descoberto, o interesse e o zêlo que o actual elenco camarário, liderado pelo partido PSD, tem pelos seus munícipes. Ano após ano é o mesmo: inundações e estragos derivados delas. A camara uma vez mais e como vem sendo hábito não se precaveu como devia.






Ano após ano, ouve-se a mesma promessa do Dr. Gonçalves Sapinho e da equipa que “lidera”: “O problema vai resolver-se”, como afirmavam ontem aos moradores de casas e comércios afectados pela chuvada. Há descoordenação e parece haver falta de interesse a toda a prova, por este elenco, na forma como governa o município. O que se faz é aventura e amadadorismo. Não sabe prever. Governar para este elenco, e em especial para o seu presidente, é gabar-se sem o menor pudor que vai dormir para o trabalho e brincar com telefones. Ou então dizer que foi para as termas para se desculpar que durante sete anos não declarou impostos. É esta a ética de uma figura que tem os destinos de uma câmara na mão. Lemos e ouvimos também que promete coisas que nunca cumpre. Tem o péssimo hábito de não ouvir as populações nem se interessar pelas suas necessidades, talvez porque não se interessa por elas como estas inundações parecem provar uma vez mais. Este senhor presidente só tem dado mostras de não ter estratégia nem orientação para o concelho. Tanto ele como o resto do elenco camarário parecem andar à deriva e ao sabor do vento como verdadeiros cata ventos ou rolhas flutuantes na água. O Sr. Presidente de pinote em pinote lá vai dizendo menoridades com pouco nexo, talvez à medida daquilo que as pessoas gostam de ouvir, no entanto realidade palpáveis não se vêem nem se sentem . Como presidente não discute, não fala, nem resolve nada de essencial para o concelho e o bem estar das populações; o seu forte é o folclore, a aventura e a improvisação. Por isso vê-mos cada dia mais, Alcobaça em queda acelerada, definhar em relação a todos os concelhos em seu redor e a vida dos munícipes a perder qualidade de vida. É caso para perguntar: será que o povo do concelho de Alcobaça tem assim tanta paciência para ser governado por um elenco que dá todas as provas de não ter interesse no concelho e se tem alguma parece ser de forma interesseira e perversa, devido aos votos que pode ter em freguesias como Pataias, Benedita e S. Martinho do Porto onde se fazem obras e se recrutam vereadores apenas para ter votos e manter o poder. Será que as populações das outras freguesias, ostracisadas e vetadas ao abandono, não sabem punir este “ aspertalhamento” que sistematicamente as tem governado?

SALIENTO O EXTRAORDINÁRIO SERVIÇO DOS BOMBEIROS QUE RAPIDAMENTE SURGIRAM NO LOCAL EVITANTO MAIORES PROBLEMAS.





sexta-feira, setembro 14, 2007

SAPINHO CONVERTE-SE AO BUDISMO

Com mais uma das suas estiradas populistas para agradar tanto à direita, ao centro como à esquerda, Sapinho converte-se ao budismo e recebe o líder espiritual tibetano com a dignidade que este merece. Mostrando desta maneira, o seu sentido democrático em relação a outras religiões, é por isso que Alcobaça foi é e será sempre uma terra exemplar. Não como o país onde grande parte dos responsáveis políticos se desculparam, para não receber oficialmente o Dalai Lama! Afinal o Dr. Sapinho é um homem de carácter, tem sentido comum e sabe estar como deve e no momento certo: um verdadeiro homem de Estado que até vai dormir para o trabalho .

Por outro lado, o presidente da câmara, terá falado ao líder Budista para revitalizar o Mosteiro. Ter-lhe-á oferecido a ocupação do imóvel e à sua comunidade. Tudo isto independentemente da China persistir ou não, na descaracterização do Tibete, do idioma tibetano, do Budismo ou perseguir pessoas dessa comunidade. Referiu ainda que pretende mostrar Alcobaça como um terra solidária e que estima a pluralidade e a diferença dos demais, onde a mentalidade não é a preto e branco como a sua. Também terá referido que a vinda do Dalai Lama, para Alcobaça, beneficiará enormemente o turismo e o comércio local, além de ser um boa oportunidade para ver, por estas bandas, o actor Richard Gere.

Pretende-se pois, uma “terra de cultura e de alto gabarito turístico..."
...Vamos ver se é desta!
Bom fim de semana!

quarta-feira, setembro 12, 2007

"REGRESSO ÀS AULAS"


SÓCRATES PROMETE NOVA BANDA LARGA EM TODO O PAÍS

1ª. página do jornal PÚBLICO 12.9.2007

O texto que se reproduz na integra é um comentário feito à imagem que se expõe acima e foi publicado no Blog Causa Nossa .

"Esta imagem (Público de hoje) devia ser impossível. A inserção de actos religiosos em cerimónias oficiais -- ainda por cima com a participação do Primeiro-Ministro em ambos -- não é somente uma violação qualificada da laicidade e da neutralidade religiosa do Estado, mas também da liberdade religiosa, visto que traduz o favorecimento oficial de uma religião em relação às outras.O Governo deveria ser um pouco mais rigoroso com os princípios. Desde logo, com os princípios constitucionais; depois, com os princípios básicos do Partido Socialista.A ignorância dos princípios gera o oportunismo político. "Oportunismo político" poderia ser, aliás, a legenda desta imagem..." [Publicado por vital moreira] 12.9.07

"ANA GOMES CRÍTICA"




"Mal soube que o governo não iria receber oficialmente o Dalai Lama, a eurodeputada socialista Ana gomes teceu, no Blog Causa Nossa, fortes críticas ao ministro dos Negócios Estrangeiros. “ O ministro é consequente com o que tem sido a diplomacia leve-leve em que se vai especializando Portugal: nada de incomodar mandarins com conversas parvas sobre direitos humanos; importa é adulá-los e acenar-lhes até com o levantamento do embargo de armas decretado pela EU à conta desse episódio “pré-histórico” do massacre de Tiananmen”. Ana Gomes foi a única socialista a contestar a decisão do governo, a qual, alias, considera que não é absoluta: acredita que Luís Amado irá proporcionar “ encontros “não oficiais” de Cavaco Silva, José Sócrates, O próprio MNE e outros dignitários com o Dalai Lama”. Após recordar os estadistas com quem se encontrou nos últimos anos, refere que “ não consta que do PM belga ao austríaco, do norueguês ao australiano, algum tenha sido comido por Pequim ao pequeno Almoço. " Noticia do Público 12 de Setembro de 2007. pág. 2

sábado, setembro 08, 2007

DUAS CITAÇÕES

" Estou convencida de que Ferro Rodrigues e Paulo Pedroso foram politicamente " assassinados" pela "inconveniencia" do seu empenho de sanear e despoluir. Dentro e fora do PS"

Ana Gomes. Eurodeputada PS

Revista NS noticias sábado. 8 de Setembro 2007. Citações, pág. 80 .
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A Ditadura da Moda

"A tristeza de ver quem espera que os outros lhe digam o que vestir, o que ler, que sitios frequentar, que tipo de linguagem usar. A insegurança da carneirada."

Rodrigues Guedes de Carvalho.
Revista Sábado nº. 175, pag. 29




segunda-feira, setembro 03, 2007

"TREÛZE"

Foto de Patrick Parenteau, extraída daqui.

Não são poucas vezes que no dia a dia, mas também, na rádio ou na televisão ouvirmos as/os locutoras (os) pronunciarem o número treze (13), por qualquer coisa semelhante a TREÛZE . Um modismo inspirado talvez, na forma de falar das “tias de Cascais”. Modismo que contagiou a novel população feminina da qual possivelmente faz parte uma locutora da Rádio Císter(a que diz as notícias) que de forma graciosa pronúncia TREUUZE em vez de dizer treze. No entanto devo ressaltar que a referida locutora tem uma voz bonita e muito agradável ao ouvido...parabéns à Rádio Císter.
Por vezes, fico a imaginar ouvido pronunciar TREÛUUUUZE ( câmara lenta), o desenho e a mimica labial de quem diz , desta forma, o referido número. Como tenho uma memória que é também muito visual, não consigo deslindar este facto dos reclames de lábios, em grande plano, com bocas a comerem morangos , cerejas ou gelados para insinuarem ideias lascivas...será que certos modismos no linguarejar ou na pronunciação de algumas palavras em portugês, também encerram aquelas ideias?!

Falar de sete e quinhentos.

Entre muita gente, floresce a abstracção empolada como o mais natural do mundo. O mais lerdo fala como um torpe metafísico em funções. Em lugar de “existir” diz substituir e em todas as partes “haver” do mesmo modo que a existência supre a “presença” e a inexistência a “ carência” ou “ausência “. Transforma, a “intenção” em intencionalidade; e “fim” em finalidade; “potência” ou “capacidade” em potencialidade. O “competitivo” torna-se competitividade, o “credito” em credibilidade. No lugar de “governo” põe governação ou governabilidade. A simples “obrigação” transformou-se em obrigatoriedade, e o “tudo” no “total” e em totalidade (do mesmo modo que “conjunto” em globalidade ou globalização). A “razão” cedeu à racionalidade e um modesto “rigor” tornou-se em rigorosidade. Não há “disfunção” mas disfuncionalidade, em vez de “emoção” há emotividade. O “perigo” é perigosidade. E “motivos” transformaram-se em motivações. No lugar de “limite” diz-se limitação. O “valor” mede-se agora pela sonora desvalorização, ou valorização.
Há quem acredite que as palavras, como os rostos, encolhem-se e enrodilham ou têm de fazer operações plásticas. É com estas fórmulas que alguns se erguem sobre o falante médio para obter prestígio. O que começa por um interesse néscio por notoriedade expande-se posteriormente sem controlo. Talvez porque supostos especialistas disponham de bula para retorcer a língua ao seu gosto, perante a submissão reverente de leigos. Enquanto o intelectual recria-se no veicular perante o “levar” ou “transportar”, no articular frente ao “compor” ou “ unir”. O seu é problematizar quando bastaria “questionar”. Nos políticos não há nenhum que não dedique o dia a posicionar-se ou a emitir posicionamento, em vez de “prenunciar-se”, “situar-se” ou adoptar uma “postura” ou “decisão”. Dispõem-se a institucionalizar todo, sem “instituir” nada. A omnipresente negociação, nunca é um “trato” nem um “diálogo”. Este modo falar surge por vivermos tempos onde se fala demasiado. E porque a palavra pública, antes reservada a uns poucos e para ocasiões solenes, roda agora de forma incontável no espaço da publicidade política e comercial. A feroz concorrência para captar os interesses do cliente atordoado por geringonças, chega por igual a políticos e comerciantes para renovar em cada campanha a sua mercadoria verbal, dotando-a de maior poder de sedução. Poder que não se alcança pela precisão ou a eufonia nem na verdade mas pela largura das palavras. O que contrasta com a redução das ideias e limitar auditores. Agora o comentarista de futebol sabe quando o jogo finaliza, mas não sabe quando “termina” e muito menos quando “acaba”. O jogo não tem “final” ou “término”, mas finalização. E os golos não se “metem”, materializam-se. Nas noticias da televisão, os bancos fusionam-se, nunca se “fundem”. Comunicados de toda a ordem propõem actuações e não “acções”. Exigem “normativas” à falta de normas invocando uma regulamentação, que é mais sonante que dizer “regras”. O empobrecimento da língua, mais que um facto “geral” parece ser é um facto generalizado. Como produto histórico, é uma coisa viva e a língua tem que evoluir, mas não transformá-la, a golpes de pedantismo, de ignorância ou somente pelo mimetismo dos usuários com “palavras de sete e quinhentos”.

Falar de sete e quinhentos”: artigo publicado no Jornal de Leiria edição de 12/7/2007.

domingo, setembro 02, 2007

" OS CENSORES DE INTERNET"

Para que o debate continue sobre “ a censura na internet” e que alguns blogs amigos já promoveram tertúlias muito interessantes como referi na antepenúltima postagem. De novo deixo mais uma noticia do El Pais (30/8/2007)sobre a rede de países censores . Obviamente que os grandes magnates deste meio de comunicação como é a internet, são colaboracionistas com estes países. O lema dos colaboracionistas é : “primeiro o mercado e depois o espírito... e que "se jodam" !

sexta-feira, agosto 31, 2007

MÊS DE MIMOS NA BLOGOSFERA

Hoje é o último dia de Agosto e não quero terminá-lo sem fazer uma referência aos “mimos” outorgados ao ECOS E COMENTARIOS por diferentes blogs amigos. O primeiro foi a LLUVIA amiga “madrileña”, do blog AGUAMARINA, um espaço de excelente poesia, que me concedeu o prémio blog SOLIDÁRIO.

São suas estas palavras:

“Hay que entregar el premio a 7 o más personas, que hayan tocado nuestro corazón, por alguna razón. Poner el nombre y las direcciones de los elegidos, y hacérselo saber. (...) sé que por su sensibilidad y su actitud abierta, son muy solidarios. A alguno más se lo hubiera entregado, si no dudase de que quizá le resulte gravoso por tantos premios que le conceden. Y a otros porque ya lo han recibido de otras personas”.



Nomearei onze blogs como a LLuvia fez, para que esta corrente não pare. Infelizmente o numero é limitado e muitos mais haveria para designar. Passo a citar a escolha: Momentos & Documentos, O Sino da Aldeia, O Moço da Bodega, Kalinka, do Mirante , Citizen Mary, Baobab, Guardião, Freyja, Zé Povinho, Cartel.



O Ecos e Comentários recebeu igualmente a distinção de Blog CINCO ESTRELAS, outorgado por Kalinka. Distinção que muito agradeço de um blog que é um espaço de enorme sensibilidade, de arte e também na forma do dizer e fazer ouvir...a musica da Shakira é uma maravilha... para esta distinção nomeio os blogs Momentos, Bairro do Amor, Zé Lerias, Xreis, Sophiamar.



Para terminar a onda de mimos...não sabem como me fizeram "niño", dou também conta que os blogs Sophiamar, Baobab, Momentos e Querubim Peregrino, qualquer um, uma referencia muito particular neste mundo da cibernética, pela forma e o modo como exprimem ideias e sentimentos, distinguiram este espaço como “ Entre os Melhores Momentos Virtuais”. Às suas autoras os meus particulares agradecimentos e admiração pelo trabalho que desenvolvem e os belos momentos que me proporcionam aos sentimentos e emoções...espero muito mais tempo.

Como é impossível fazer uma nomeação de todos aqueles espaços que me ensinam coisas, e ajudam a ver o mundo com um olhar mais humano, diversificado e rico, nomeio para esta distinção os seguintes blogs: Aguamarina (Madrid); Alcobaça e não só (Portugal); Tonto Rotonto (Catalunya); TE la ma Maria ( Catalunynia); Ventana de Homero (Nicarágua); C. Valente (Portugal); Alcobaça - Bahia (Brasil)

Aos amigos que tem postado e aqueles que são apenas leitores, agradeço o enorme apoio que têm dado a este espaço, com os seus comentários e frequência. Do coração para todos vós um enorme abraço e bom fim-de-semana ...e a promessa de continuar a “BLOGAR”.

quinta-feira, agosto 30, 2007

"LIGAÇÕES PERIGOSAS" ?




"BARROSO NIEGA QUE ESTÉ IMPLICADO EN LA FINACIACIÓN ILEGAL DE SU PARTIDO"

É com este cabeçalho que o el Pais de hoje fala do assunto da Somague devido ao PSD ter recebido um “donativo indirecto” que o tribunal condenou a devolver (233.414 euros) ao Estado. Este mesmo tema já foi abordado por Alzira Henriques numa postagem no Blog, Alcobaça: Gentes e Frentes. Além de dar conta desta noticia que já passou fronteiras e está para inquérito na Eurocamara, recordo que Portugal é pouco dado a investigar sobre o financiamento dos partidos e muito menos dos partidos a nível local e seus dirigentes. É caso para fazer a pergunta: e se em Alcobaça o dinheiro que Hernâni Lopes diz que se gastou a mais, nas obras do terreiro em volta do mosteiro, pelo actual executivo do PSD, fosse para financiamento partidário e/ou das suas campanhas eleitorais ? Desconheço estas realidades mas seria dignificante para os partidos politicos que se investigassem todos os excessos de despesas não previstas com a realização de obras públicas, caso contrário as dúvidas subsistirão sempre.


Ver a postagem da ilustração acima no ECOS E COMENTÁRIOS.

quarta-feira, agosto 29, 2007

SERÁ A INTERNET UM ESPAÇO DE LIBERDADE?


NA SEQUÊNCIA DA POSTAGEM ANTERIOR SOBRE INTERNET, LIBERDADE E, O QUE É UM BLOG E PARA A QUAL REFERENCIEI BLOGS E BLOGGERS AMIGOS. E TAMBÉM, SOBRE O MEU COMENTARIO , À POSTAGEM "SOMOS LIVRES", NO BLOG CITIZEN MARY ONDE REFERENCIAVA A CUMPLICIDADE DE SERVIDORES AMERICANOS COM A CENSURA CHINESA. DEIXO POIS, ESTA NOTICIA SAIDA HOJE NO JORNAL, EL PAIS, QUE PODERÁ TRAZER E DAR MAIS LUZ SOBRE O TEMA E DEBATES EM CAUSA... VEJAM IGUALMENTE A ENTREVISTA: MATT MULLENWEG, creador de Wordpress SOBRE BLOGGERS.
...UM ABRAÇO!