um espaço aberto para comentar a Arte, a Cultura e o Património da Região de Alcobaça: tanto no passado como no presente e actualidades .
sexta-feira, julho 04, 2008
"A MAIOR METAMORFOSE"
O TURISMO É UM TEMA QUE MUITO PREOCUPA O ACTUAL ELENCO CAMARÁRIO E DO QUAL FAZ BANDEIRA ATÉ PORQUE TEMOS UMA GRANDE EXTENSÃO DE PRAIAS NO CONCELHO. POR ISSO A CAMARA ESTÁ A FAZER UMA CAMPANHA PUBLICITÁRIA INÉDITA PARA ATRAIR MAIS ESTRANGEIROS À NOSSA COSTA. A LIDERANÇA MUNICIPAL DE MAIORIA PSD CONTRATOU PARA O EFEITO UM GRUPO HAWAIANO ESPECIALISTA EM ABRILHANTAMENTO DE PRAIAS, RESORTS E CAMPOS DE GOLF COMO OS QUE O PRESIDENTE PROJECTA E QUE OCUPARÃO OS PINHAIS.VER VIDEO DA CAMPANHA.
AO NÍVEL DE HOTÉIS QUE ESTÃO PREVISTOS, MAS ESPECIALMENTE PARA O HOTEL DE LUXO DE CINCO ESTRELAS COM OITO PISOS - COMO ANUNCIOU O NOSSO PRECLARO PRESIDENTE, EMBORA O PDM AUTORIZE APENAS METADE DA ALTURA- ELE JÁ CONTRATOU UMA COMPANHIA DE SAPATEADO QUE FICARÁ RESIDENTE E POSSIVELMENTE ACTUARÁ NO OITAVO PISO PARA ENALTECER O GABARITO DAS SUAS ALTAS POLÍTICAS NO CONCELHO...E A SUA (MIRABOLANTE) VISÃO ESTRATÉGICA!
O DR. SAPINHO PRESIDENTE DA TERRA DE PAIXÃO ESPERA POR SI.
terça-feira, junho 24, 2008
ESTAR-SE-Á REALMENTE A CRIAR RIQUEZA II?
Na continuação de uma POSTAGEM ANTERIOR reproduzo na integra outro avisado artigo de Vitor Cóias publicado na revista Pedra e Cal , nº. 34 maio/Junho de 2007. Esta postagem vem na sequencia das noticas surgidas na imprensa local (Alcobaça) sobre o urbanismo que se está a fazer em Pedra de Oura e que os grupos ecologistas, segundo parece, já avançaram com uma providencia cautelar. Mas voltaremos a falar do tema e dos campos de golf oportunamente
Um caso de atracção fatal
“Habitação de férias... um imóvel pouco usado, com despesas de manutenção relativamente elevadas e cujo rendimento é limitado as épocas de férias... Acresce que os equipamentos colectivos necessários a um empreendimento de laser são maiores do que os destinados aos empreendimentos urbanos... (nota 1) André Jordan
O NOVO TURISMO
E AS BOAS INTENÇÕES
Segundo um estudo sobre a motivação do turismo, referido no boletim do ICCROM (nota 2) cerca de 80 por cento das pessoas interrogadas consideram a integridade do ambiente natural um factor essencial na escolha de um destino e atribuem, igualmente, grande importância ao ambiente cultural e social. Neste mesmo estudo dá-se a conhecer a evolução do perfil do turista médio ao longo dos últimos vinte e cinco anos. O estudo revela que o turista de hoje é menos materialista que antes, e já não está exclusivamente fixado sobre a busca do prazer pessoal. O novo turista deseja compreender o país que vai visitar antes de partir, e prepara-se nesse sentido. Ele quer experiências mais enriquecedoras e está disposto a prescindir de algum conforto na condição de descobrir locais relativamente pouco degradados. Por outro lado, segundo Manuel Castells (nota 3) o “turismo de sol e lua” — praia e divertimentos nocturnos — é insustentável em países como o nosso, porque e mais fácil procura-lo em destinos no Terceiro Mundo, mais baratos e menos deteriorados ambientalmente.
Sendo Portugal um país pequeno, a opção deverá ser, logicamente, pela qualidade e não pela quantidade, gerindo sabiamente o seu património natural e cultural. A Estratégia Nacional para o Desenvolvimento Sustentável (ENDS) estabelece orientações muito positivas nesse sentido. No seu 2.° Objectivo — Crescimento sustentado e competitividade à escala global, apontam-se “exigências estruturais” como “Utilizar de forma sustentável os recursos naturais, aproveitando o potencial endógeno nacional (...) e promovendo a dissociação do crescimento económico do consumo de recursos naturais e da degradação ambiental”. No seu 3.° Objectivo — Melhor ambiente e valorização do património natural, apontam-se domínios essenciais para o desenvolvimento sustentável, em particular na sua dimensão ambiental, como a promoção de uma politica de protecção dos solos, designadamente no que se refere a perda de biodiversidade, contaminação, compactação e impermeabilização. O património é considerado um dos quatro principais recursos endógenos nos com vista à aceleração do crescimento económico do país. “Transformar Portugal num destino turístico de grande qualidade, corn uma oferta diversificada de produtos, tirando partido da qualidade e diversidade das paisagens e do património cultural” é uma das linhas de orientação dominantes.
Estas orientações encontram-se, há vários anos, consignadas em instrumentos como o Programa Nacional de Turismo da Natureza ou a Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e da Biodiversidade. Nesta linha, refiram-se, também, os regimes do Turismo no Espaço Rural e das Casas de Natureza. No terreno, programas como o Sistema de Incentivos a Produtos Turísticos de Vocação Estratégica (SIVETUR), visam apoiar projectos de investimento em modalidades de turismo sustentável.
No recentemente divulgado Quadro de Referência Estratégico Nacional, QREN 2007-2013, afirma-se que “A salvaguarda e valorização do património natural e dos recursos naturais constituirão uma área privilegiada de intervenção — a concretizar de forma articulada com o Programa Operacional de Desenvolvimento Rural co-financiado pelo FEADER, destacando-se neste contexto as intervenções dirigidas à gestão e utilização sustentável de recursos naturais, a gestão de espécies e habitats, bem como a promoção da eco-eficiência e a valorização do litoral.”
Em contradição flagrante com estas boas intenções, assiste-se a uma rápida deterioração do património natural do País. Dos vinte e seis indicadores do Relatório de Estado do Ambiente (REA) de 2005, apenas oito apresentam evolução positiva. O “território artificializado”, isto é, o solo virgem que foi irreversivelmente ocupado com novas urbanizações , industria, vias de comunicação e outras infra-estruturas, aumentou cerca de 700 km entre 1985 e 2000 em Portugal, ou seja, uma área equivalente a nove vezes a do concelho de Lisboa (nota 4).
Fig 1 Portimao
Entre 1990 e 2000, as áreas artificializadas nas zonas costeiras registaram, em Portugal, o crescimento mais rápido da Europa (com um aumento de 34 por cento em dez anos), que ultrapassou a Irlanda (27 por cento), e a Espanha (18 por cento) (nota 5) (Fig 1).
Torna-se, portanto, imperioso que as boas intenções ao nível da estratégia sejam postas em pratica no terreno. Não é isso, infelizmente, o que está a acontecer.
A EUFORIA DO TURISMO
RESIDENCIAL E DOS RESORTS
Fig 2 Novo resort suspende PDM
Estas novas modalidades de urbanização têm vindo a suscitar o apetite de um certo empreendorismo predador, excitado pela permissividade com que muitas autarquias suspendem os planos directores e pela facilidade com que o Estado abre mão das mais-valias associadas a essas operações (nota 7) (fig. 2). A oferta estimada de ‘resorts” turísticos com componente imobiliária no futuro prOximo envolve 447 km de urbanização e mais de 26 milhões de m2 de construção (nota 8) e continua a ser estimulada através de expedientes como a classificação PIN (Potencial Interesse Nacional). Se não for controlada a tempo, esta deriva pode vir a revelar-se desastrosa: um promotor imobiliário estrangeiro afirmava recentemente que Portugal tem ainda capacidade para 300 000 novas casas, que correspondem a vendas de 45000 M€ (nota 9).
Fig 3 Os espanhóis querem um desenvolvimento sustentado
O que realmente assusta, portanto, é o que ainda pode estar para vir, com a actual euforia do turismo residencial e dos resorts. Os números acima referidos quanto a área prevista em novas urbanizações correspondem a mais de cinco vezes a área do concelho de Lisboa E isto a expensas dos melhores terrenos da orla costeira e da reserva ecológica nacional.
A GRANDE ILUSÃO
Desengane-se, portanto, quem pensa que a venda de terrenos e de casas aos estrangeiros a panaceia para os problemas da economia do País. Veja-se o caso da vizinha Espanha, tantas vezes apontada como exemplo: depois de anos e anos de aplicação deste modelo de “desenvolvimento”, a divida externa espanhola (mais de 86 mil milhões de euros) e a segunda major do mundo em termos absolutos, ultrapassada apenas pela dos Estados Unidos, e, em termos do PIB, a divida externa dos nossos vizinhos atinge 8,8 por cento, ultrapassando largamente a dos Estados Unidos (nota 12). Se a venda de terrenos e de habitações a estrangeiros trouxesse dinheiro para o país, a Espanha não precisaria de se endividar tanto para pagar o que compra no exterior.
Além de serem actividades de elevado impacto ambiental, o turismo de residência e os resorts geram apenas, quer durante a construção, quer ao longo da exploração, em pregos de reduzida qualificação, logo, de baixos salários. A produtividade do sector da construção e da ordem dos 17 mil euros por activo, bastante inferior a media do País.
Fig 4. Nao haverá ocupaçao mais produtiva para estes homens?
Em suma, as políticas oficiais estão correctas, mas não estão a ser seguidas no terreno. A exploração do recurso endógeno que constitui o património natural devera ser feita não através do turismo de residência ou dos resorts, mas através do ecoturismo ou das suas múltiplas cambiantes, como o turismo em espaço rural ou as casas da natureza (nota 13). Para isso, as zonas protegidas deverão continuar a ser isso mesmo: zonas protegidas. Já há casas de férias a mais em Portugal: segundo o censo de 2001, são perto de um milhão. As urbanizações já em curso e aquelas que poderão vir a ser ainda autorizadas em solos virgens e zonas protegidas representam uma ameaça séria para o património natural, constituem uma ma aplicação de recursos humanos e financeiros e aumentam drasticamente a pegada ecológica do País, como reconhece o próprio Andre Jordan, o guru dos promotores imobiliários (ver citação no principio deste texto). Dado que a maior parte dos benefícios da valorização dos terrenos e da exploração dos empreendimentos é exportada, Portugal está a fazer um mau negócio. "
NOTA5
(1) André Jordan, “Posto do observação” Vida Imobiliária/Vida Económica, Nov. 2005.
(2) ICCROM - International Organization for Conservation of Cultural Heritage. “Tour-operateura: de nouveaux partenaires pour la protection du pa trirnoine”, ICCROM Chronique, n.° 32, juin 2006.
(3) Um dos peritos que ajudaram a preparar a “Agenda de Lisboa”. Autor de estudos sobre a sociedade de Informaçao, professor de Berkeley, Universidade da California e da Universidade Aberta de Barcelona.
4) Relatório do Estado do Ambiente de 2005. http://www.iarnbiente.pt/.
(5) Litoral europeu aproxima se de “ponto de não retorno” ambiental. Relatório da Agencia Europeia do Ambiente (AEA), Copenhaga, 2006. http://org.eoa.eu ropa.eu/docurnents/newsreleases/coastal20
(6) “Pegada ecológica”: pretende representar a quantidade de superfície de terra e agua que uma população humana hipoteticamente precisaria para suprir os recursos necessários para se suportar e para absorver os resíduos, usando a tecnologia corrente. Termo usado pela primeira vez por Williarn Rees, da Univ. British Columbia, Canada (Fonte:Wikipedia).
(7) Por exemplo , a recente suspensão do PDM de Loulé para permitir a instalação do resort Hilton, traduz-se numa valorização estimada em mais de 30 milhões de Euros (Público, 2007-04-04).
(8) Revista “Imobiliária”, n.° 168, Jul/Ago do 2006.
(9) Andrew Coutts, da ILM Portugal (Revista “Imobiliária”, n.° 168, Jul/Ago do 2006). 300 000 casas corresponde , ao ritmo actual do construção, ao que só constrói em seis anos em todo o País.
(10) Revista “Imobiiaria”, n.° 175, Abril do 2007.
(11) O sector imobiliário português encontra-se já, em grande parte, nas mãos de empresas estrangeiras ou de capital estrangeiro: Starwood Hotels & Resorts Worldwido, Inc. (Colornbo’s Resort, Porto Santo), Frasa (Vilamoura XXI)O(I), Hercesa (Casal do Monte, Oeiras), Ferrovial Imobiliaria (GaiaMar, Forto; Quinta de S. Martinho, Alcabideche), Six Senses (Corte Velho, Castro Marim), Fadesa (Quinta Fonte da Prata, Moita; Allegro Design Hornos, Porto), Camin Global Real Estate (Golden Eaglo, Rio Maior), Pelicano Investimento Imobiliário, S.A. (Herdade do Pinheirinho), Oceânico Developments (Lagos, Silves), para citar só algumas.
(12) O Jornal Económico, 2007-03-19.
(13) Urna outra modalidade do turismo inteligente é o programa de troca do casas entre familias de diversos paises ou ate dentro do mesmo pais (ver, por exemplo , o sitio Internet da “Home Exchange”).
domingo, junho 22, 2008
ESTAR-SE-Á REALMENTE A CRIAR RIQUEZA?
Muito se tem falado em campos de golf para o concelho de Alcobaça, sobretudo nas zonas litorais perto do mar, sem nunca se ter definido uma ambição estratégica para a região, quer local ou translocal, e saber afinal que papel representam eles nessa mesma estragégia. Alguém já referiu e bem que “identificar o que é ambição adequada é critico no caso de Alcobaça. A sua configuração actual - o tipo de actividades, o tipo de população, o nível de rendimento é o resultado de condições que correm o risco de existir”. Se há um par de décadas esta visão era real na actualidade mantém-se, e é previsível que continue, com as mesmas vicissitudes de outrora , mas agora mais agravadas: continua a não haver sentido e procura de modernização para o concelho para que se torne competitivo e atractivo para os de fora e mesmo para os de dentro. Conceitos como previsão, modernidade e ambição formam parte de um amplo leque de realidades que continuam desconhecidas . Digo mesmo que não se vislumbra fazerem parte do léxico de quem orienta os destinos do concelho. Cada dia que passa as actividades agrícolas e empresariais definham como dão conta os jornais e não é difícil associar entre outras coisas, os altos impostos municipais praticados no concelho que quase obrigam empresas e pessoas a emigrarem para os concelhos limítrofes onde possivelmente será mais animadora a ideia de prosperarem.
Recentemente uma onda de histeria parece ter tocado grande parte dos autarcas portugueses com as designadas Resorts, PIN e Campos de Golf. Destes, o último é, sem exagero, aquele em que é rara qualquer autarquia, não querer dois ou três. Será com Campos de Golf e Resorts que se cria riqueza, postos de trabalho, bem-estar para as populações em concelhos carenciados? ou estas ideias são aliciantes apenas para autarcas sem imaginação; visão estratégica para as suas terras e que alinham nas modas de circunstância até porque o ordenamento do território bem como os PDM são o que são: muito plásticos.
Minuciosamente analisados na grande parte dos denominados “ Campos de Golfo”, o que sobressai são apenas projectos de urbanização no " meio do campo", introduzindo-se na valorização que se podia fazer de um projecto, um elemento mais, que dá muito que pensar. Porque ao fim de contas, o campo de golfo acaba por converter-se num projecto que explora e destrói recursos de todos para gerar benefícios privados.
Além disso, esta fórmula importada tem sido descartada noutros países devido a problemas que geraram, tais como os de carácter ambiental, recursos hídricos, empregos de baixa qualificação e poucas escpectativas, e o mais grave: a corrupção urbanística. Falta de respeito por PDM's e zonas REN. Comissões de vendas , luvas, informação privilegiada, onde funcionários autárquicos, edis, em associação com empresas familiares ou de amigos tiram benefícios. Obscuras proveniencias de capitais de off shores sediadas em paraísos fiscais onde o rasto e a origem dos dinheiros são dificéis de seguir.
http://www.youtube.com/watch?v=S4-TM_l1tuk
http://www.lavozdelanzarote.com/spip.php?article12738
A ESSÊNCIA da postagem de hoje é um editorial da Revista PEDRA E CAL assinado por Vítor Cóias cuja pertinência considero devida.
"Os “ Resorts”: Um mau negócio (para o País)
Aliviada a febre construtora dos anos 90, tudo indicava que a estratégia passaria a ser gerir, o melhor possível, um parque habitacional sobredimensionado e remediar, aqui e além, os excessos de um crescimento urbano desordenado. O programa Polis inscrevia-se nessa linha. Surgiram, assim, os arranjos nos centros históricos, os embelezamentos de frentes de rua, as novas rotundas e vias rápidas, mais as pracetas ajardinadas e os respectivos fontanários. Gastaram-se mais uns tantos milhões de euros comunitários que poderiam ter tido aplicação mais nobre e rentável, mas, “do mal o menos’: tínhamos as nossas cidades a cara mais ou menos lavada’ e poderíamos, agora, começar de novo, com os planos directores municipais revistos e com novos planos de ordenamento do território.
Infelizmente, não e assim. Eis que surge a ideia dos projectos PIN (Potencial Interesse Nacional e que alguém no ministério da economia acha que tal inclui ocupar as melhores zonas da reserva ecológica, da reserva agrícola, dos parques naturais e da orla costeira, com os chamados “resorts” e as urbanizações de turismo residencial”.
Estamos novamente perante um exemplo de uma boa ideia que é aproveitada de modo perverso: no sistema PIN fala-se na produção de bens e serviços transaccionáveis de carácter inovador, na interacção e cooperação com entidades do sistema cientifico e tecnológico, na criação de emprego qualificado, na eficiência energética, no favorecimento de fontes de energia renováveis e na defesa do ambiente, mas depois atribui-se a chancela PIN a projectos imobiliários que nada têm a ver com isto.
Estamos, agora, a assistir a um desastre bem mais grave do que a expansão urbana em mancha de óleo. A betonização do solo -já não estende só as suas metástases a partir dos núcleos urbanos- ataca agora de forma generalizada, insidiosa, salpicando aqui e ali as zonas protegidas, progredindo ao longo da orla costeira, derrubando montados e urbanizando dunas. Já não se constroem só apartamentos, mas sim moradias unifamiliares de grande área, com elevados consumos de água e energia, integradas em vastas infra-estruturas com pesados custos ambientais de manutenção. Trata-se de uma forma de habitar com substancial acréscimo da ‘”pegada ecológica”[1] que usa e abusa da principal riqueza do país - o seu património natural - e gera empregos de baixa qualificação, logo pouco remunerados e sem possibilidade de corresponder as expectativas dos nossos jovens.
Como a maior parte dos empreendimentos está em mãos estrangeiras, os lucros das operações imobiliárias serão inexoravelmente exportados.
Se o nosso clima é convidativo e o nosso país hospitaleiro, em lugar de “resorts”, incentivem-se os parques empresariais; em vez de reformados ricos e ociosos, atraiam-se empresas avançadas e os seus quadros jovens e activos."
[1] “Pegada ecológica”: metáfora usada para representar a quantidade de superfície de terra e água que uma população humana hipoteticamente precisaria para suprir os recursos necessários para suportar e absorver os resíduos, usando a tecnologia corrente.
sábado, junho 07, 2008
CORRUPÇÃO AUTÁRQUICA
segunda-feira, junho 02, 2008
DIÁRIO DE NOTICIAS. 2.6.2008
SERÁ ESTE O PENSAMENTO DO GRANDE INTELECTUAL QUE VEMOS NA FOTO EM ACIMA COM AQUELE AR DE INTROSPECÇÃO ? OU TERÁ IDO AO MOSTEIRO ROMARIA PARA FAZER UMA PRECE, JUNTO AOS TUMULOS DOS CELEBRES AMANTES, PARA VER SE CONSEGUE RECUPERAR O AMOR E A PAIXÃO DAS OPOSIÇÕES?
sexta-feira, maio 30, 2008
ARTIGO DE MÁRIO CRESPO. DN 26/5/2008

Mário Crespo, JornalistaSe o mercado não consegue disciplinar os preços, os lucros nem o selvático prendar dos recursos empresariais com os vencimentos multimilionários dos executivos, então por que não nacionalizar os petróleos e tentar outros modelos? Quem proferiu este revolucionário comentário foi Maxine Waters, Democrata da Califórnia, durante o inquérito conduzido pelo Congresso, em Washington, às cinco maiores petrolíferas americanas. Face à escalada socialmente suicidária dos preços dos combustíveis, o órgão legislativo americano convocou os presidentes para saber que lucros tinham tido e que rendimentos é que pessoalmente cada um deles auferia. Os números revelados deixaram os senadores da Comissão de Energia e Comércio boquiabertos. Desde os 40 mil milhões de dólares de lucro da Exxon no ano passado, ao milhão de euros mensais do ordenado base do chefe Executivo da Conoco-Phillips, às cifras igualmente astronómicas da Chevron, da Shell e da BP América. Esta constatação do falhanço calamitoso do mecanismo comercial, quando encarada no caso português, ainda é mais gritante. Digam o que disserem, o que se está a passar aqui nada tem a ver com as leis de oferta e procura e tem tudo a ver com a ausência de mercado onde esses princípios pudessem funcionar.Se na América há cinco grandes empresas que ainda forçam o mercado a ter preços diferentes, em Portugal há uma única que compra, refina, distribui e vende. É altura de fazer a pergunta de Maxine Waters, traduzindo-a para português corrente- Se o país nada ganhou com a privatização da Galp e se estamos a ser destruídos como nação pela desalmada política de preços que a única refinadora nacional pratica, porquê insistir neste modelo? Enunciemos a mesma pergunta noutros termos - Quem é que tem vindo sistematicamente a ganhar nestes nove anos de privatização da Galp, que alienaram um bem que já foi exclusivamente público? Os espanhóis da Iberdrola, os italianos da ENI e os parceiros da Amorim Energia certamente que sim. O consumidor português garantidamente que não. Perdeu ontem, perde hoje e vai perder mais amanhã. Mas levemos a questão mais longe houve algum ganho de eficiência ou produtividade real que se reflectisse no bem-estar nacional com esta alienação da petrolífera? A resposta é angustiantemente negativa. A dívida pública ainda lá está, maior do que nunca, e o preço dos combustíveis em Portugal é, de facto, o pior da Europa. Nesta fase já não interessa questionar se o que estamos a pagar em excesso na bomba se deve ao que os executivos da Galp ganham, ou se compram mal o petróleo que refinam ou se estão a distribuir dividendos a prestamistas que exigem aos executivos o seu constante "quinhão de carne" à custa do que já falta em casa de muitos portugueses. Nesta fase, é um desígnio nacional exigir ao Governo que as centenas de milhões de lucros declarados pela Galp Energia entrem na formação de preços ao consumidor. Se o modelo falhou, por que não nacionalizar como sugeriu a congressista Waters? Aqui nacionalizar não seria uma atitude ideológica.Seria, antes, um recurso de sobrevivência, porque é um absurdo viver nesta ilusão de que temos um mercado aberto com um único fornecedor. Se o Governo de Sócrates insiste agora num purismo incongruente para o Serviço Nacional Saúde, correndo com os existentes players privados e bloqueando a entrada de novos agentes, por que é que mantém este anacronismo bizarro na distribuição de um bem que é tão essencial como o pão ou a água? Como alguém já disse, o melhor negócio do Mundo é uma petrolífera bem gerida, o segundo melhor é uma petrolífera mal gerida. Na verdade, o negócio dos petróleos em Portugal, pelas cotações, continua a ser bom. Só que o país está exangue. Há fome em Portugal e vai haver mais. O negócio, esse, vai de vento em popa para o Conselho de Administração da Galp, para os accionistas, para Hugo Chávez e José Eduardo dos Santos. Mas para mais ninguém. A maioria de nós vive demasiado longe da fronteira espanhola para se poder ir lá abastecer.

sábado, maio 24, 2008
RANKING

Um texto enviado por mail pelo meu querido amigo D.M.C. e que tenho o prazer de publicar.
A grande cabeça pensante deste Governo, o ministro das Finanças Teixeira dos Santos, desde Agosto de 2007 que nos andou a impingir a ideia de que os efeitos do “subprime” dos EUA não chegariam a Portugal devido às sábias políticas por ele adoptadas e pelo Governo democrático e maioritário do PS, no que foi acompanhado pelo inefável e infalível Constâncio, que aguarda paciente, patriótica e sacrificadamente pela reforma de cerca de 25.000€ do Banco de Portugal para finalmente “basar”.
Recentemente, com lata e desfaçatez, disse que quer a UE quer o FMI estavam enganados em prever para Portugal reduções do crescimento do PIB para 2008, porque não sabiam do que falavam. Ele um “expert” do assunto é que tudo sabia e nunca falhara. Passados poucos dias, com um ar sério, anunciou ao País, que a previsão do crescimento do PIB para 2008 passava de 2,2 para 1,5%, o que significa para já mais um substancial rombo nas reformas e nos aumentos dos funcionários públicos em 2009...
A “holding” «Movimento O Que Tu Pias» cujo único sócio é um economista de “meia-tijela” e não-praticante esclarece o ainda Ministro das Finanças que a crise do “subprime” prevê-se venha a ter quatro fases até 2010, a primeira das quais vivemos e será a de menores consequências nas economias de mercado. O pior está para vir. A crise do “subprime” tem como origem a actividade da “banca de casino” que explorou os americanos pobres com taxas de juro especulativas.
Portugal, seguindo as boas práticas ultraliberais, com a atenta supervisão do Banco de Portugal, também cá já tem esses tipos de bancos a actuar livremente, cedendo créditos ao consumo aos aflitos dos portugueses a Taxas de Juro Anuais de mais de 30% (GE Money, BBVA, Cetelem, Santander, Cofidis, é uma carrada delas). Um escândalo financeiro brutal autorizado pelo poder político e obviamente pelo Banco de Portugal.
Estas crises do “subprime” são a consequência natural da actuação ultraliberal da “banca de casino”, cujos efeitos nefastos na vida das famílias até os dois últimos Papas denunciaram, num mundo em “globalização”, em que o poder político é uma marionete da alta finança e dos especuladores bolsistas, promove agora a especulação energética e dos produtos alimentares, consequência do desenvolvimento acelerado de economias orientais que conceberam, desviando para esses países a produção e a exploração dos povos e das condições ambientais. Tal política origina nesses países o aumento brutal do consumo de bens energéticos e alimentares. É a chamada “pescadinha de rabo na boca” que visa a destruição da classe média dos países ocidentais e o fim do Estado Social…
Devido à reconhecida competência do «Bloco Central de Interesses» a Comissão Europeia divulgou no relatório de 2007 (mas com dados de 2005) que Portugal foi o pior país da EU na distribuição da riqueza, mesmo piores que os EUA, os campeões da batota e da “banca de casino”….
Agora parece que devido à sábia actuação deste Ministro das Finanças e deste Governo do PS já somos penúltimos, uma autêntica glória, dizem como sempre que melhorámos a enormidade de 0,1%, e já estamos à frente da Letónia, corrigiu o Sapientíssimo Ministro de Estado o Mestre Pedro da Silva Pereira, um crente em tudo, mesmo nele.
A safa dos pobres é que a fome não tem aumento de preço, daí que, quantos mais portugueses tiverem fome mais imunes estarão à inflação e às políticas ultraliberais do «Bloco Central de Interesses».
Assim temos: os ricos são cada vez menos mas cada vez mais ricos; os pobres são sempre mais e mais pobres; a classe média é coisa para desaparecer.
Este é o objectivo final e o resultado da prossecução das políticas ultraliberais do «Bloco Central de Interesses» e da ideologia subjacente lançada pelo “Compromisso Portugal” com o grande patriota de “sacola laranja” Diogo Vaz Guedes à cabeça.
É por isso que em Portugal e em toda a Europa, é que eles, os políticos profissionais, quando “basam” da política vão servir quem já serviram...
Há quem preveja que não demorará muito, um protesto de rua espontâneo e generalizado aos subúrbios das grandes cidades, por essa Europa fora, que fará com que os profissionais da política arrepiem caminho, mudem de vida e de carris, porque a política está completamente subjugada ao poder económico a da alta finança e os políticos profissionais obviamente também.
Dizem que o povo deixou de poder contar com os Partidos (alternantes) do Poder, que também estão manietados pelo poder económico e da alta finança, aqui e por toda a Europa. A democracia política tem que se reinstalar e reassumir o poder económico e financeiro, e a soberania terá que voltar a residir no povo.
O inevitável protesto popular, fruto da escandalosa precaridade do trabalho, do desemprego e da desmantelação em curso do Estado Social, será espontâneo e muito provavelmente incontrolável e violento, com possível envolvimento das próprias forças da ordem. Quando começar alastrará como fogo posto em floresta virgem.
DMC
M3C’s – Movimento Cuidado Cas Carteiras
MESGA - Movimento Estamos a Ser Gamados
sábado, maio 17, 2008
ZEITGEIST
ZEITGEIST é um termo que aparece na cultura ocidental pela via alemã no seu período romântico. Momento em que a noção da história e a consciência histórica associadas ao espírito do lugar dominam o pensamento ocidental por influência germânica. Este conceito irá enaltecer a identidade e o próprio “espírito do lugar”, factos que mais tarde quando assimilados pela cultura trarão a trágica ideia, que mergulhou certos povos no desespero e na angústia e que se designa por NACIONALISMO. Os factos históricos e culturais passam então a ter explicação social quando são confrontados com outros análogos mas de outras culturas. Jacob Burckhardt será o grande mentor desta corrente e o grande guru da Historia da Cultura. Apesar da formula de Burckarart ser antiquada ela continua a ter os seus seguidores em Portugal, passados 150 anos, como se aquela fórmula fosse o grande instrumento de analise da nossa vida social, económica e cultural como atestam muitas das crónicas de comentadores e “opinion-makers” de serviço.
Bom fim de semana e bom filme nas quase duas horas de emissão numa viagem a muitos dos grandes mitos e factos da cultura ocidental.
PS. AO ROGÉRIO OBRIGADO PELO ENVIO DA DIRECÇÃO DO VIDEO.
terça-feira, maio 13, 2008
" QUE RAIO DE PAÍS É ESTE?!"

Nota introdutória sobre Ricardo Sá Fernandes.
“ Não cala a mentira nacional que foi Camarate e o conluio que impediu que a verdade vencesse e se fizesse justiça. Sabendo que a morte de Sá Carneiro e Amaro da Costa foi um crime, não desistiu de repor a verdade da História, Mesmo depois do julgamento público não ter sido permitido e o caso ter prescrito. Para este advogado, a justiça portuguesa vive à volta da prescrição e da nulidade, e muito pouco à volta da reposição da verdade. Isto numa sociedade pouca habituada ao contraditório, à honestidade intelectual e onde a irracionalidade e a ignorância passeiam-se ganhadoras.”
Sobre a sociedade portuguesa e o país
“ Esta é uma sociedade em que todos somos primos e conhecidos, onde não há tradição de rigor e livre critica. Alias, a ignorância é talvez o nosso maior mal, e ainda por cima não o combatemos, e isso leva a que quando as situações são mais complicadas, por uma maneira ou outra, tudo fica anestesiado e esquecido” .
“ (...) Estamos a reformar a saúde, a justiça, o ensino, entre outros sectores, e ainda não fizemos a reflexão sobre que pais é que nós queremos. (...) Em todas as politicas sectoriais parece-me que o governo revela que não tem uma politica para o país. Teve boa capacidade de combater o deficit e equilibrar a parte orçamental, mas não tem visão estratégica para Portugal. (...) como não temos uma visão estratégica para o país, não soubemos aproveitar os fundos e as oportunidades. Um país que entra para o espaço europeu e tem, passados todos estes anos, a sua agricultura e as suas pescas liquidadas, a sua industria com as dificuldades notórias que conhecemos. (...) Faço um balanço negativo da fase de transição. (...) temos de reconhecer que estes vinte e tal anos não foram os melhores.
Sobre desresponsabilização
“ (...) Desde o rei D. Carlos a Sá Carneiro ! em Portugal não se responsabilizam as pessoas que falham. Não que devam de ser diabolizadas porque falhar é humano. Mas nunca assumem que falharam, nem são responsabilizadas por isso. (...) Portugal tem um problema terrível de ignorância, no qual a razão tem muita dificuldade em se impor à ignorância. Costumo dizer que o país tem dois problemas terríveis – Um a ignorância, o outro a corrupção.
Sobre tribunais e justiça
“ Os tribunais adoram matar o os processos pela prescrição. Adoram matar os processos porque há uma nulidade. Portanto os tribunais portugueses passam a vida a decidir questões processuais (...) Para mim a razão porque isto acontece é a preguiça. (...) é preciso perceber que os cidadãos também são culpados por este problema. As pessoas devem exercer efectivamente o direito de criticar e denunciar. Se todos fizermos isso de certeza que as coisas mudam. (...) As pessoas tem de denunciar, criticar, expor o erro, o vicio e a incorrecção. Isso ajuda e é fundamental para ajudar a mudar a justiça e a sociedade portuguesa: os vícios da justiça são os vícios da sociedade Portuguesa. (...) . Em Portugal existe muita incerteza na justiça, e isso é um problema grave. Eu quero que uma pessoa se sente à minha frente e que eu lhe possa dizer com tranquilidade que o seu caso terá este desfecho ou aquele, ou que é com segurança que poderemos ir para esta acção. Mas o que acontece é um grau de incerteza muito grande e um desprestigio para o sistema . “
Sobre Camarate e a morte de Sá Carneiro
“ (...) Houve situações deliberadas de ocultação de provas. E isso aconteceu porque na sociedade portuguesa, na altura dessas mortes, o poder politico percebeu que a descoberta de que não teria sido acidente, mas antes assassinato, podia ter repercussões politicas muito complicadas, numa altura em que o país e a democracia ainda não estavam estabilizados. Portanto, houve um grande desejo de que Camarate fosse acidente e não um crime. Era conveniente à paz politica”
Pode ver parte da entrevista em: http://www.magazine.com.pt/new/modules/articles/article.php?id=143
Ver: PROCURADOR ARRASA MAPA JUDICIÁRIO
terça-feira, maio 06, 2008
UMA ENTREVISTA DE " ALTO GABARITO"

Prémio
Jornalista. O Mosteiro de Cós tem estado abandonado?
JGS. Sim. E está aberto ao público, porque há um vizinho que abre e fecha a porta. Mas aquilo é uma obra bonita, Barroco do século XI, do mais bonito que existe. A câmara decidiu comprar as casas em volta do mosteiro, para manter a igreja que ainda resta.
Prémio
Jornalista: Qual o objectivo dessas aquisições?
JGS – Fazer com que o edifício fique mais saudável. Concretizar uma requalificação à volta do mosteiro. E, instalar, naquele edifício, uma estalagem em espaço rural.
Prémio
Jornalista: Quando avançam esses projectos?
JGS – Rapidamente.
Prémio
Jornalista. Tem Conhecimento de alguma confirmação ao traçado do TGV?
JGS – Eu penso ter ideias claras sobre as coisas, mas a maneira como o TGV esta apresentado não serve de maneira nenhuma o município.
Jornalista: O traçado proposto é definitivo?
JGS- O governo tem legitimidade e se quiser passar o TGV passa, isso tem de ser dito com clareza, mas quando passar tem que saber que é ou não com a nossa oposição. Ao ser com oposição, tem que ser com oposição clara. Mas ainda estamos a conversar sobre o assunto.
Prémio
Jornalista: Como está o serviço de saúde em Alcobaça?
JGS- Tudo fazemos para que esteja bem. Há três extensões de saúde em curso. A de Alfeizerão. Deverá de começar a funcionar entretanto. É um projecto em que a câmara pagou o terreno e as instalações. Gastamos ali mais de 250 mil euros, sem contar o terreno e faço questão de inaugurar.
Prémio
Jornalista: Como está o panorama escolar de Alcobaça?
JGS. Vamos construir centros escolares em Alcobaça, Benedita Turquel, Alfeizerão e Cela, com ginásio, cozinha, refeitório, biblioteca e sala de jogos. E há obras de manutenção para fazer noutras instalações escolares.
Prémio
Jornalista: E o processo de despoluição da Bacia de S. Martinho?
JGS- é um projecto eterno e um problema muito grave. S. Martinho do Porto é dos primeiros lugares onde foram instalados esgotos apenas na marginal, antes tudo desaguava na baía. Os primeiros quadros comunitários de apoio não resolveram o problema e eu transformei-o em prioridade para o terceiro.
Prémio
Jornalista: O que foi feito?
JGS – Criei a empresa Águas do Oeste, com o objectivo de proceder à despoluição da bacia de S. Martinho do Porto e da lagoa de Óbidos. Foi construída uma nova ETAR ( Estação de tratamento de Aguas Residuais) em S. Martinho do Porto que está a funcionar muito bem. Sobra o problema dos afluentes das suiniculturas.
Prémio
Jornalista: Para Quando a conclusão desse projecto?
JGS- Tem a ver com os calendários da União Europeia para utilizar as verbas. Eu estive sempre na linha da frente, para reunir com os suinicultores, no sentido de os convencer, porque a actividade económica deles deve de incorporar este custo.
Prémio
Jornalista: Por isso a construção de campos de golfe?
JGS- É um projecto privado bastante ambicioso. Uma das exigências da câmara é que seja instalado um campo de golfo em S. Martinho do Porto, que terá 200 hectares e outro no norte em Pataias, a norte da Nazaré com cerca de 500 hectares.
Prémio
Jornalista: Projecto para avançar quando?
JGS – Está tudo preparado para avançar. O problema é o PDM de Alcobaça. O que é prejudicial para o concelho, porque além do golfe haveria hotéis e ia verificar-se um grande movimento de pessoas.
Prémio
Jornalista: Um investimento Avultado?
JGS- É muito dinheiro, sobretudo a norte falamos de milhões de euros, são dois hotéis e dois campos de 18 buracos cada um. Em são Martinho, um de 19 e outro de nove, associado a um projecto imobiliário.
domingo, maio 04, 2008
SER PORTUGUÊS ...É SER O MAIOR!!!



Guardar aquelas cuecas velhas, para polir o carro.
Criticar o governo local, mas jamais se queixar oficialmente.
Ladie's night à quinta.
Ter tido a última grande vitória militar em "1385".
Enfeitar as estantes da sala com as prendas do casamento.
Guiar como um maníaco e ninguém se importar com isso.
Ter folclore estudantil anual por causa das propinas.
Ninguém saber nada do nosso país, excepto os Brasileiros e os Espanhóis, que gozam dele.
Receber visitas e ir logo mostrar a casa toda.
Dar os máximos durante 10 km, para avisar os outros condutores da polícia adiante.
Ter o resto do mundo a pensar que Portugal é uma província espanhola.
Exigir que lhe chamem "Doutor", mesmo sendo um Zé-ninguém.Exigir que o tratem por Sr. Engenheiro, mas não tratar ninguém com outras profissões por Sr. Pintor, Sr. Economista, Sr. Contabilista, Sra. Secretária, Sr. Canalizador, Sra. Cabeleireira, Sr. Primeiro-ministro, etc.
Passar o domingo no shopping.
Tirar a cera dos ouvidos com a chave do carro ou com a tampa da esferográfica.
Axaxinar o Portuguex ao eskrever.
Ir à aldeia todos os fins-de-semana visitar os pais ou os avós.
Gravar os "donos da bola".

Ter diariamente, pelo menos 8 telenovelas brasileiras e 2 imitações rascas da TVI na televisão.
Já ter "ido à bruxa".
Filhos baptizados e de catecismo na mão, mas nunca pôr os pés na igreja.
Ir de carro para todo o lado, aconteça o que acontecer, e, pelo menos, a 500 metros de casa.
Lavar o carro na fonte, ao domingo.
Não ser racista, mas abrir uma excepção com os ciganos.
Levar com as piadas dos brasileiros, mas só saber fazer piadas dos alentejanos e dos pretos.
Ainda ter uma mãe ou avó que se veste de luto.
Ser mal atendido num serviço, ficar lixado da vida, mas não reclamar por escrito "porque não se quer aborrecer".
Dizer mal dos militares, mas adorar o cravo na G3 e o feriado do 25 de Abril.
Falar mal do Governo eleito e esquecer-se que votou nele.
Viver em casa dos pais até aos 30 anos.
Na terceira idade, pendurar o guarda-chuva nas costas.
Acender o cigarro a qualquer hora e em qualquer lugar, sem quaisquer preocupações.
Ter pelo menos duas camisas traficadas da Lacoste e uma da Tommy (de cor amarelo-canário e azul-cueca).


No restaurante, largar o puto de 4 anos aos berros e a correr como um louco, a incomodar os restantes Tugas.
Ter bigode e ser baixinho(a).
Conduzir sempre pela faixa da esquerda da auto-estrada (a da direita é para os camiões).
Ter o colete reflector no banco do passageiro.
Pendurar o CD no retrovisor, para "enganar o radar".
Ter três telemóveis.
Jurar não comprar azeite Espanhol, nem morto, apesar da maioria do azeite vendido em Portugal ser Espanhol.
Organizar jogos de futebol de solteiros contra casados.
Ir à bola, comprar "prá geral" e saltar "prá central".
Gastar uma fortuna no telemóvel mas pensar duas vezes antes de ir ao dentista.
Cometer 3 infracções ao código da estrada, por quilómetro percorrido!!!

sábado, maio 03, 2008
DIA DA MÃE

quinta-feira, maio 01, 2008
OPINIÃO

Senhor Presidente da República, os jovens têm razão e recomendam-se
O Presidente da Republica, nas comemorações do 25 de Abril e no Parlamento, fez um discurso sobre a cultura política dos jovens deduzida dum estudo da Universidade Católica que a Presidência encomendou. Pretendeu fazer passar um retrato negro da formação política dos jovens. Eu, que não tenho compromissos com os políticos, até considero que a cultura política dos jovens é boa. Antes de mais, o Presidente atribuiu as culpas aos deputados («os responsáveis sois vós») quando o Professor Cavaco Silva governou o País durante dez anos. E deu estes três exemplos de «ignorância política» dos jovens: a maioria 1) não sabe quem foi o primeiro presidente eleito depois do 25 de Abril; 2) desconhece o número exacto dos países que integram a União Europeia; 3) ignora que o P.S. tem maioria absoluta no Parlamento. E com isto fez figura, tendo sido repercutido por todos os média , como um alerta pela «nossa democracia». Pergunto eu: o que é que vale isso? Devia é ter citado outros dados do mesmo Estudo (segundo o Público) como, por exemplo: a) interessam-se mais pelas «petições e pelo boicote de produtos por razões políticas ou ambientais do que o resto da população»; b) não atribuem eficácia ao voto; c) têm dificuldade em se identificarem com «a oferta partidária»; c) acham pouco ou nada importante a separação entre esquerda e direita; d) só 20% «sentem simpatia» pelo voto eleitoral; e) entre eles há «concordância genérica» pela criação de novos mecanismos de participação dos cidadãos nas decisões políticas e de mudar o sistema eleitoral de forma a dar mais ênfase aos candidatos e menos aos partidos políticos», etc. Ora estes temas (não citados pelo Presidente) é que são importantes e retratam, isso sim, o falhanço da «nossa» democracia. (Quando os políticos dizem «nossa democracia», face a estes dados, entende-se que essa democraica é «a deles», «classe política»). Ora, com a maioria dos políticos que temos até é sinal de boa cultura ignorar os seus nomes, o seu número no Parlamento e, depois das manigâncias com o Tratado de Lisboa para o qual se prometeu um referendo, é natural que se ignore quantos países compõem a «nossa Europa» (a deles). Isso só interessará aos «jotas» dos partidos que são amestrados para reproduzir as manhas dos «velhos».
Note-se a alínea e) que referi : «Há concordância genérica em que se devia mudar o sistema eleitoral de modo a dar mais ênfase aos candidatos e menos aos partidos políticos». Ora, aqui é que está o busilis, quer dizer, a razão do desinteresse dos jovens (e dos adultos) pelos nomes e pelo número de políticos. Os jovens têm razão e recomendam-se.
Na Europa, Portugal é o único em que os candidatos a deputados têm de ser propostos pelos partidos e, por outro lado, em que se exige um número de inscritos para se constituir um partido. Na Europa, para uma eleição, os Estados só reconhecem os cidadãos. A «nossa» democracia (a deles) faz dos cidadãos simples votantes, ou claque; e só serve para caucionar a «classe política». É a razão por que a maioria da juventude se desinteressa da informação política.
A propósito: as comemorações do 25 de Abril não passaram duma rectórica sobre a «nossa» democracia de que se servem os profissionais da política. Quem é que se lembrou de recordar ou homenagear os milhares de portugueses (trabalhadores, intelectuais, estudantes, emigrantes...) que lutaram, anonimamente, clandestinamente, quotidianamente, civicamente, contra o fascismo e pelos Direitos Humanos, de 1928 até 1974? E que sofreram nas prisões ou na solidão da clandestinidade? E que perderam o trabalho e o conforto familiar? E que definharam no Tarrafal ou tiveram de fugir para o estrangeiro? Uma homenagem a esses anónimos, ou desnomeados, que agiram pela liberdade de todos e não com vistas a um emprego - dos melhores cidadãos que a Pátria engendrou - é que seria uma comemoração cívica do 25 de Abril, e não esta parada folclórica de auto-afirmação dos actuais políticos que vieram usufruir daquilo que os outros semearam.
quarta-feira, abril 30, 2008
quarta-feira, abril 23, 2008
25 de ABRIL... SEMPRE!


Ao ouvir a noticia lembrei-me do triste caso português da ditadura de Salazar e o assassino de Humberto Delgado e sua secretária. Espero que esta lufada de ar fresco, que representa a decisão do supremo tribunal inglês para a ordem jurídica internacional sobre quem pratique crimes contra a humanidade e os direitos humanos, como genocídio, terrorismo, assassinato, tortura e sequestro, seja pretexto para que a todos os oprimidos se lhes seja feita justiça e reconhecida a sua liberdade e o direito de expressarem a sua cidadania, sem temores de qualquer espécie, contra todo o tipo de ditadura religiosa, politica ou as duas em conluio.
Por outra parte que ela seja o caminho aberto para a extradição por parte de Espanha para Portugal do agente da P.I.D.E., e assassino, Rosa Casaco, onde goza de todos os direitos de liberdade. Este a pesar de não ser ditador era o responsável de uma estrutura que os apoiava por isso é igualmente imputado de praticar assassínio, sequestro, terrorismo, e crimes contra os direitos humanos, que cometeu em Portugal e fora, contra a esperança de milhões de portugueses e da sua liberdade. Este sujeito, é responsável pela desolação, dor e angustia, infligidas a um povo e cujas consequências ainda hoje são difíceis de aquilatar. Mas mais difíceis de esquecer para quem sobretudo as sofreu directamente. Faço votos para que a imprensa regional e sobretudo este jornal seja sempre arauto desta questão enquanto necessária, e de todas aquelas relacionadas com a justiça direitos e liberdades das gentes da região de Alcobaça, Nazaré, e de qualquer lugar onde tenham necessidade de expressão.
Faço igualmente votos para que os alcobacenses em colectivo dêem mostras cívicas a favor da extradição de Rosa Casaco, para ser devolvido ao país, e para apoiarem a justiça para que julgue um assassino que matou um sonho de Portugal e um dos filhos adoptivos mais queridos que Alcobaça se orgulha de ter.
Neste sentido dirijo-me também à câmara e seu presidente, que como representante máximo do povo alcobacenses, inicie este processo, para a defesa da memória deste filho adoptivo da terra, não só à luz do novo direito internacional que se perfila, mas também por ser uma questão que a história pede, a democracia exige, e os afectados imploram, especialmente os familiares, mas também todos aqueles que pertencem à família democrática como o povo da região de Alcobaça. Que os partidos locais se unam em força, nesta questão porque o assunto é supra partidário e diz respeito às liberdades de todos. Que o cidadão Arnaldo Rebelo que por coincidência é deputado leve o caso à Assembleia da Republica mas que não partidarize o assunto. Na minha qualidade de simples cidadão, fica desde já expresso publicamente o meu apoio a esta causa humana.

terça-feira, abril 15, 2008
DOIS ANOS DE ECOS E COMENTARIOS

Apesar de muitas contrariedades e algumas bem difíceis de superar, ultimamente tem sido difícil dar uma atenção permanente ao blog, como há meses atrás, dados os inúmeros afazeres e solicitações que a minha vida exige, tanto a nível profissional como particular. No entanto e dentro das minhas possibilidades tenho tentado equilibrar a gestão do tempo mantendo com regularidade as postagens nos Ecos e Comentários e prometo tudo voltará ao normal.
Por outro lado reconheço que este espaço de troca de ideias e que também é de critica tem provocado polémica entre as pessoas, sobretudo os políticos e os partidos políticos locais que são visados, porque em Alcobaça esta classe, tal como no resto do país passeia-se indemne. Não há massa critica como muitas pessoas “de alto gabarito” tem afirmado não existir em Alcobaça, dai os ecos serem visto à lupa. A falta de critica em Alcobaça tem permitido aos actuais políticos e partido que (des)governam a terra, fazer com que ela “esteja desligada e fora de cobertura” em relação aquilo que é urgente e premente para ela e aquilo que é importante sobre o ponto de vista social, económico e cultural para os seus cidadãos. Tudo por ser dirigida por quem pensa mais em si do que nas populações e que em justiça se diga também não tem ideias para ela o que a levou para um impasse no qual o seu futuro se vislumbra seriamente hipotecado.
Nisto a imprensa parece estar alheia da causa informativa e critica, ajudando a manter este status quo. Apesar das ameaças veladas com tribunais que tenho recebido, por parte de um partido político e seus eleitos, continuarei a manifestar a minha indignação de forma directa e corrosiva exercendo o meu elementar direito de cidadania; e essas ameaças em forma de cartas anónimas para a redacção do jornal, os emails e os telefonemas anónimos ou identificados continuaram a ser um enorme estímulo para que este espaço se mantenha bem vivo.
Para terminar agradeço a todos vós, leitores e comentadores, a vossa confiança e atenção dedicada a este simples espaço de debate, de troca de ideias e de critica que se tem centrado com maior acuidade na cultura e na cultura política que (des)governa Alcobaça, sem no entanto deixar de atender, embora de âmbito genérico, a questões da actualidade.
A todos um cordial e fraterno abraço e o meu sincero obrigado por mais um ano de troca de ideias. No próximo ano prometo que trarei champanhe!
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sábado, abril 12, 2008
13 DE ABRIL DIA MUNDIAL DO BEIJO.

Muitas vezes tenho pensado na química do beijo na medida em que este acto pode considerar-se uma acção expressiva que manifesta uma união mútua. Sendo a boca o órgão de expulsão do hálito, que sempre se considerou uma manifestação do espírito, o beijo na boca vem a ser, por esta via, uma comunicação de um espírito ao outro. Dai o seu significado amoroso, que é antes de mais espiritual, sem no entanto deixar para trás as suas aplicações erógenas que expressam, noutro plano, a mesma noção para unir.
Naturalmente o beijo torna-se diferente nas suas significações segundo a zona beijada e a ocasião em que este se efectua. Na Bíblia o beijo pode expressar paz e caridade como se verifica em (Gen. 29,13; 45, 15; Ex. 4;27; Rom., 16,15). Mas um caso à parte é o "Beijo de Judas", que formalmente significava o mesmo, no entanto ao dissimular a traição como expressa (Mat. 26,49; Mc., 14,45; Luc., 22,47) ficou para a posteridade como exemplo de insídia, daqueles que acusamos quando nos atraiçoam. No período medieval, o beijo revestiu-se de consequências jurídicas; algumas já conhecidas na antiguidade. Por exemplo: um "beijo casto e mutuamente reverente" era símbolo e vinculo de compromisso matrimonial. Na sociedade feudal a relação de vassalagem contraia-se com cerimónias cheias de símbolos, cujo último acto era um beijo.
Nos inúmeros significados, o beijo pode ser uma prova de boa vontade; paz; pacto selado; boa-fé, companheirismo, reconciliação, afecto ou amor. Nas zonas do Médio Oriente e no próximo Oriente, bem como no cristianismo católico o beijo é uma forma de contacto com objectos sagrados tais como a Kaaba, os ícones, o crucifixo ou as sagradas escrituras, as estátuas e as roupas religiosas. Beijar uma mão ou um pé denota humildade ou pode ser uma forma de solicitar protecção. Apenas o Beijo de Judas simboliza traição.
Modernamente, o beijo só conservou as significações amorosas. Uma das interpretações plásticas mais significativas foi a de Augusto Rodin. A evolução dos costumes, no entanto, com a progressiva trivialização do erotismo ao qual não devemos de dissociar a influência do cinema, determinou uma relativa perca do seu valor: Hoje beija-se, na maioria das vezes somente pela efusão momentânea, já muito distante dos ricos significados originais deste acto. O beijo pode ser, a meu ver, a expressão de um sentimento muito egoísta: o amor... mas felizes aqueles que estejam egoisticamente apaixonados e em comunicação de um espírito ao outro!
quarta-feira, março 26, 2008
LISTAS PARTIDÁRIAS

Otto Von Bismarck e Churchill terão dito respectivamente que há duas coisas boas que o melhor é não saber como se fazem: as salsichas e as leis. Eu acrescento uma terceira: as listas eleitorais de um partido.
Todos aceitamos que os votantes elejam os seus representantes pensando, principalmente, nos candidatos que votam na sua circunscrição, assim como os líderes nacionais e os partidos que nos representam, até porque a lei portuguesa obriga os partidos políticos a apresentar listas às eleições autárquicas, à Assembleia da República e ao Parlamento Europeu.
Se a regra é esta, porque é que a constituição das listas de candidatos de qualquer partido é sempre um momento tenso e de confrontação interna?
Isso acontece porque a composição de listas é uma ocasião para medir forças entre as facções existentes. Há militantes que preferem arriscar "matar" o partido ou debilitar o seu espaço de acção a criarem consensos, no sentido de ser uma força política unida e ganhadora, mas sem a predominância deles próprios. Determinados candidatos são apenas a essência de guerras pessoais com fins obscuros e nunca os do apaziguamento do partido como espaço de inclusão, escola de tolerância e valores cívicos como deveria ser. Por isso muitas vezes os eleitores não estão a votar em candidatos mas a acentuar tricas internas. Não serão estas operações alheias ao serviço público ao qual se destina a democracia? Afinal que beneficio tem isto para a sociedade?
A imprensa distrital parece dar razão ao que acabo de expressar: nas últimas semanas assistimos a badalados e controversos casos, como no concelho da Nazaré onde há, ao que parece, várias listas para a concelhia do PS e, em Alcobaça, uma intransigência localizada em não se querer a unidade do partido, numa lista única, quando tudo o justificaria. Noutras concelhias do distrito, ao contrário, vemos atitudes bem nobres e dignas por parte de potenciais candidatos em que estes abdicam em favor de outros para que haja consenso e unidade numa só lista a fim de reforçar o partido como é desejável.
Noutros casos fazem-se desmentidos sobre rumores e afirmações; se determinada pessoa será ou não a mais idónea para ocupar ou candidatar-se a determinado lugar.
Mais do que política, isto parece ser unicamente extensões de conflitos entre vizinhança de aldeia, motivados por vaidades, invejas locais e pessoais, tudo ocasionado por “sindicatos” de votos. Aqueles que não integram estes conluios ficam debilitados para estarem em listas partidárias, mesmo que sejam pessoas dotadas dos maiores méritos. Grosso modo é este o tipo de militância que se vive nas concelhias partidárias. O "sindicato" do voto sobrepõe-se aos interesses locais e do partido, estimulando ainda o caciquismo e o nepotismo para exaltar o abandono dos melhores. Deste modo faz-se superar a falta de uma doutrina partidária ou de uma ideologia e quadros preparados. Se a nível nacional, um partido pode ter ideologia, a nível local, na maioria das vezes não a tem. Por isso as pessoas de bem, como os militantes mais doutrinados afastam-se da vida partidária por ser um mundo sem regras onde parecem primar os instintos mais irracionais.
Tirar ou pôr candidatos, na maioria das vezes sem mérito ou desconhecidos do grande público, parece ser uma maneira de exercitar a luta no interior dos partidos. E é aí que se podem ver em acção aqueles cujo objectivo principal, não é a unidade nem trazer votos a uma desejada vitória eleitoral com a melhor candidatura possível, mas sim debilitar o adversário interno e controlar o aparelho local do partido que é donde emana o seu poder, o seu estatuto e, inclusive, os seus favores económicos.
Triste? Não sei. É inevitavelmente em todo o caso, com o actual sistema eleitoral partidário. Talvez com listas abertas se poderia reduzir o poder do aparelho partidário e a prepotência de pessoas cujo valor pode ser simplesmente nulo mas está desgraçadamente justificada pelo "sindicato" de voto.
As listas abertas seriam a melhor forma de escolher objectivamente aqueles que queremos que nos representem; as únicas hipóteses que temos, a das listas fechadas, têm associada a armadilha de meter a gente inútil, incapaz e sem valor que vai protegida apenas pelos primeiros nomes da lista de candidatos porque são esses os que arrastam os votos. António Delgado in Jornal de Leiria 28/3/2008. artigo de opinião



