terça-feira, junho 02, 2009

OS COUTOS DE ALCOBAÇA



A palavra (couto) e alguns aspectos historico-sociológicos dos coutos

A palavra couto vem nos dicionários com as seguintes acepções: terra de defesa, terra privilegiada; terra que não pagava impostos por pertencer a um nobre ou a uma ordem religiosa, refúgio e abrigo. Em relação a Alcobaça são as três últimas acepções que se enquadram mais no âmbito do termo “Coutos de Alcobaça”. O couto era então uma porção de terra demarcada com certas prerrogativas jurídicas diferentes das demais e quem nela se acoutava ou optava para viver/acoitar, ficava sobre a jurisdição da entidade possuidora daquele espaço. Espreitemos de forma rápida os conceitos e acoitar segundo esta jurisdição.

Acoitar: é um termo do princípio da nacionalidade e está unido ao povoamento. Na Idade Média o repovoamento do território português foi feito, em parte, à custa de criminosos/homiziados. Estas pessoas adquiriam liberdade e deixavam de ser perseguidas pela justiça se fossem viver para os territórios conquistados, dos quais alguns eram coutos. Esta medida tinha o efeito daquilo a que hoje podemos designar de reinserção social. Os criminosos tinham assim a oportunidade de voltar a fazer as suas vidas sem serem perseguidos pela justiça e tinham ainda porções de terra doadas como aliciante suplementar para se fixarem. No entanto não devemos esquecer que essas zonas designadas por couto eram por vezes zonas fronteiriças e, em caso de invasão, eram estes colonos o primeiro escudo a travar as investidas do inimigo. A instabilidade pelas algaradas constantes de muçulmanos e de cristãos, incitaram os reis a instituir estas zonas de liberdade aparente. Para os homiziados a liberdade tinha este preço.

Visto de outro modo, estas pessoas acabavam por ser utilizadas como batentes contra os invasores e, em nome de uma falsa liberdade, hipotecavam a sua vida transformando-a em simples carne para canhão de forma politicamente correcta para o poder de então. Para o poder esta reinserção preenchia igualmente duas funções, o povoamento e a defesa do território. O aparente aspecto de liberdade era a subtileza destes duas funções.

Em Alcobaça as crónicas são claras: no principio, o mosteiro foi arrasado e as pessoas passadas à espada. No entanto, por questões ideológicas compreensíveis, os cronistas só se referem ao massacre dos, à época, pouco monges.

Estes subterfúgios políticos que consistiam em perdoar os criminosos coutando-os nos lugares fronteiriços, devia tranquilizar o rei, a nobreza e o próprio clero. Deste modo sabiam onde os tais criminosos potenciais se encontravam, além de os manter afastados dos centros de poder e do “bom viver”. Estes aspectos de uma antiga vivência local que a história tende a omitir, podem ser um dos indícios a partir dos quais, sociologicamente, se podem entender a falta de desenvolvimento económico, social, industrioso, reivindicativo, além da ostentação que caracteriza muitas das regiões de Portugal que foram coutos no passado, tal como foi a região de Alcobaça. Os lugares têm fantasmas culturais e, na região de Alcobaça, parece que a força deles ainda continua a ser enorme.

Acoitar: Se a norma que referimos pode ser exemplo até ao séc. XIV, uma outra surge já com a consolidação nacional e os termos couto ou acoitar-se relacionam-se agora também com os espaços religiosos, igrejas, mosteiros, ermidas e seus espaços envolventes. Nestes lugares os homiziados fugidos à lei podiam encontrar protecção legal contra a justiça secular, como bem prescrevem as constituições sinodais. A justiça secular não podia prender nenhuma daquelas pessoas acoitadas naqueles lugares, salvo crimes de sangue. Ao acoitar os homiziados, os templos e espaços envolventes tornavam-se lugares muito mal frequentados e de gente “rasteira” e de “baixa-mão” . Aí vivia, anos atrás de anos todo o tipo de marginais construindo pequenos “bairros” que iam crescendo com o passar do tempo. Alcobaça não foi excepção: a primeira “urbanização”, feita no lugar depois da instalação dos monges, junto ao mosteiro, foi obra e engenho de foragidos.

Fora do muro (...) não havia nem casas seculares ainda no tempo de D. João I (...) variou-se esta forma antiga e foi-se introduzindo a povoação moderna por esta razão ou motivo: como a clausura era, dilatada e os monges caritativos os criminosos de todo o reino vinham meter-se dentro da dita clausura para serem seguros de Justiça; e como não podia ser, que vivessem, nem dormissem dentro das oficinas regulares, foi consequência necessária os tais criminosos fizessem suas casinhas onde se recolhiam”.

Com o passar dos anos, outros tipos de pessoas também fizeram as suas casas em redor do mosteiro e dentro da cerca. Isto representava uma certa “profanação” daquele espaço e motivou o protesto de um abade junto do rei D. Manuel, porque a perturbação e inquietação dos religiosos era muita. No entanto, aquela povoação sempre fora coutto para (...) homisiados de muitos casos, que a ela acolhião e porque ali com tamanho crescimento mais do que sohia se vinhão ahí mais pessoas viver e acolher por respeito do ser coutto do que cumpria para a honestidade e socego da dita, e além desto os moradores do dito lugar e couto recebião muita fadiga, e opressão dos que aly se acolhiam e lhe destruyão seus bens, e fazendas do dito mosteiro”.

Pela descrição, o panorama devia de ser de verdadeiro temor e em certos momentos como dos bairros de Portugal que os noticiários nos mostram. Estes factos que se passaram no séc. XVI motivaram o abade geral de então Frei Jorge de Melo a fazer um requerimento ao rei D. Manuel, protestando pela situação, para que esta comunidade fosse viver para um novo lugar que se chamaria Vila de S. Bernardo. O lugar esteve para ser na Vestiaria, uma povoação cheia de memórias também interessantes que a seu tempo alguma história comentarei. Pensamos que a "urbanização" dos homiziados nunca se mudou de Alcobaça, daquela zona privilegiada em frente do mosteiro...presumo.


Em 1 de Setembro de 1583, D. João III mandou publicar um alvará que determinava o seguinte:

Le. I. Da mudança do couto de Alcobaça para Alfeizerão.

Mandou el rei Dõ João.III que sancta gloria aja, aa petição do Cardeal Infante Dõ Affonso seu irmão, que o couto de alcobaça se mudasse para a villa de Alfeizirão, que he do dito moesteiro, e valesse a todolos maleficios tirando estes: Heresia, traição, aleive, sodomia, morte de proposito. Per hu alvará de. II de Septembro de. 1538. Fol.143. do livro.2
Duarte Nunes de Leão. Leis Extravagantes e repertório das ordenações. Em Lisboa per António Gonçalvez. Anno de M. D. LXIX. Pág. 178 (verso).

sábado, maio 30, 2009

SOBRE O NOME DE ALCOBAÇA (Recordando)



Alguns autores esforçaram-se para demonstrar que o nome de Alcobaça provem do latim, do árabe ou do hebreu e também pela junção do nome dos dois rios que convergem na povoação. Nunca percebi porque é que o mesmo exercício intelectual não se faz ao contrário: derivar o nome dos rios do nome do lugar.

O curioso destas teorias é que elas só conseguem justificação a partir de uma tabela linguística da qual apenas faz parte o latim o hebraico e o árabe, que são as línguas das três religiões monoteístas que se disputaram na península ibérica. Este aspecto é suficiente para entender que a explicação do nome de Alcobaça está condicionado por aspectos ideológicos. Mas existe outro detalhe curioso para juntar ao anterior, que é estas explicações surgirem apenas de fontes religiosas e registadas num tempo em que o catolicismo dominava a comunicação e recolhia ou inventava estas teorias, retirando-as das outras culturas que ia suprimindo. Deste modo nenhuma outra lhe fazia frente e o caminho estava livre para reivindicar a sua tutoria moral e cientifica sobre as consciências humanas, já que possuía o monopólio do saber.

Clarificada a estratégia, ou separado o “trigo do joio”, podemos verificador que a ideia de derivar destas línguas o nome de Alcobaça, tem ainda a intenção de fazer crer aos menos avisados, que só se falou nesta região depois da chegada daqueles idiomas, ou que o lugar não era habitado, ou então levar o leitor a pensar que os antigos habitantes da actual região de Alcobaça viviam na mais completa mudez. Destas ideias ao messianismo ou à soteriologia vai um passo.

O mais estranho é que esta forma de pensar obscurantista e que pretendia esterilizar os canais do conhecimento ainda hoje persiste e é registada com o maior ar de ciência pelos chamados investigadores de caneta ligeira ou então pelos oníristas, como na gíria sociológica se designam certos licenciados em historias ou mesmo em letras.

O estudo da origem do nome de Alcobaça, vincula-se com a linguística, uma ciência que é pouco ou nada experimental e pouco aberta a estudos comparativos, e que só raras vezes admite outras matrizes além da latinista. Ao escolher falar da origem do nome de Alcobaça não me move a intenção de revelar uma teoria nova sobre o assunto, até porque penso que saber a origem do nome de Aalcobaça é como procurar o “rasto do voo de uma ave no céu”. É intenção mostrar que o problema está envolto por questões ideológicas e paradoxos que o limitaram e o que se tem afirmado é fácil de refutar, sobretudo as explicações sobre uma origem árabe.

Vejamos num pequeno exemplo como se deturpa a realidade e como num mesmo autor se podem encontrar contradições. No Livro “ Mappa de Portugal”. do padre João Bautista de Castro. Editado em Lisboa na Offic. De Miguel Manescal da Costa, Impressor do Santo Officcio. Anno de M.DCC. XLV. Encontramos a seguinte informação sobre os rios que passam na povoação.

Alcôa. Corre pelas terras de Alcobaça, a qual deve a este rio a origem do seu nome ( Pag. 142 op.cit.)

Baça. Este rio, junta-se com outro chamado Côa, nasce da parte oriental de Alcobaça, e fazendo volta para ocidente, rega por grande espaço os fertilissimos campos da Mayorca, e Abbadia, até que junto da villa da Pederneira se mergulha no Oceano.(Idem. Pag. 150 e ss.).

Se acatamos estas informações vemos que rio Alcoa mudou de nome para Côa oito páginas adiante quando o autor descreve o rio Baça. Ou então este geógrafo revela-nos que um rio se sumiu da superfície da terra naquela região, pois não se deu conta do erro que cometeu. O erro deste padre é típico da ciência que se caracteriza pelo método boca à orelha e pelo saber do NÃO SEI... OUVI DIZER!

Apesar da contradição este religioso testemunha-nos que a ideia de derivar o nome de Alcobaça do nome dos rios já vem de longe.

A designação de Côa é corrente, em manuscritos, livros e documentos oficiais a partir do século XVII. Ainda no século passado era assim que se designava nas actas da câmara. A versão arabista de nomear Alcôa em vez de Côa, foi uma opção que a cultura local terá assimilado recentemente e julgamos que as duas formas de identificar um mesmo rio coexistiram desde tempos mais arcaicos, talvez pela influência dos mouros que terão ficado depois da reconquista. Um aspecto que a história local omite ou desconhece intoxicada e fechada que está no mosteiro nos conventos, nos frades e monjas. Boa maneira de distrair e desviar do mais importante. A verdadeira história de Alcobaça continua por conhecer.

Vejamos como seria o nome de Alcobaça se houvesse respeito à construção desta palavra pelo nome dos rios. Se à palavra Côa juntamos Baça, obtemos Coabaça. Como o linguarejar é dinâmico e procura o menor esforço na articulação dos sons, é possível que esta palavra sofresse uma corrupção linguista e com o tempo passaria a pronunciar-se Cobaça, Cubaça , Cabaça ou Quebaça.
Como o Al não existe na designação original, e em árabe é o artigo definido o ou a, teríamos a verdadeiro designação da terra por o ou a Cobaça, Cubaça, Cabaça, Quebaça! Sabem o que significa qualquer uma destas palavras?

Já repararam existe outro rio em Portugal que se chama Côa, e que nas suas margens se fizeram descobertas arqueológicas, o que provocou que o partido do actual governo transformasse o projecto de uma barragem em parque temático. Estas gravuras rupestres foram recentemente classificadas pela Unesco. Sabem que as margens do rio Côa, na nossa terra, à semelhança do Côa no Norte, também têm lugares arqueológicos onde se encontraram vestígios de antigos "Alcobacenses” que habitaram a região? Os tais que viviam na mudez! Ou sabem que esses lugares estão recenseados como dos primeiros núcleos de população que praticou a agricultura em Portugal? Imaginem que a palavra Côa fazia parte de uma língua muito arcaica da que se perdeu a memória e da qual subsistem palavras que são as designações de determinados lugares. Esta antiga língua era anterior ao hebraico, ao árabe e ao latim, que depois de colonizada e misturada com aquelas deu o actual crioulo que é o Português. Pensem nisto... Mas não comentem com certos latinólogos, nem certos arqueólogos porque parecem que ainda são muito misoneístas.
Ps. Este artigo foi publicado num dos jornais locais no ano de 1998 se a memória não me falha.

terça-feira, maio 26, 2009

POLITICOS: FALTA DE HORIZONTES LABORAIS



Do mesmo modo que nos escandalizamos com notícias sobre ilegalidades de natureza económica, ficamos frios e impassíveis com a fraude política que é a mais frequente.
A lei portuguesa obriga os partidos políticos a apresentar listas ao Parlamento Europeu, à Assembleia da República e às eleições autárquicas.Se esta é a regra, porque é que a composição das listas é sempre um momento tenso e de confrontação interna nos partidos?
Formar listas é a ocasião para medir forças entre as facções existentes. Há militantes apoiados por certos dirigentes que preferem arriscar " a matar" o partido ou debilitar o seu espaço de acção a criarem consensos, no sentido de ser uma força política unida e ganhadora, mas sem a predominância deles próprios. Impõem nomes desconhecidos e sem relevo nas comunidades.
Determinados aspirantes são apenas peões de guerras pessoais, fomentadas no interior das concelhias e estimuladas por (alguns) imaturos presidentes de federações, com fins obscuros mas que nunca servem para o apaziguamento dos partidos como espaços irrepreensíveis de valores cívicos como deveriam ser. Muitas vezes os eleitores não estão a votar em candidatos mas a acentuar tricas internas perpetradas por aqueles a que Moita Flores designava no CM deste último domingo por “funcionários políticos com carreiras frustradas, preguiçosos impantes de vaidade e os caciques mais influentes da política partidária regional”.
Não serão estes preceitos alheios ao serviço público ao qual se destina a vida partidária na democracia? Não deveriam os partidos escolher os mais aptos e com mais aceitação na comunidade por virtudes demonstradas? Que beneficio têm as tricas partidárias para a sociedade ou que razões ocultam?
Em Portugal, o partido que controla um governo local tem poderes, através dos seus eleitos, para nomear cargos e assessores e enredar uma ampla teia de agências, fundações e empresa municipais com plena descrição em política de pessoal. O partido, em vez de zelar pelo bem público torna-se numa agência de empregos e qualquer cidade média portuguesa ou concelho, (entre 50 mil a 250 mil eleitores), acaba por ter umas dezenas ou centenas de pessoas cujo salário depende de o partido X ganhar as eleições. Isto gera diversos incentivos perversos para a corrupção.
Os “empregados públicos” de nomeação política têm um horizonte laboral limitado pela incerteza, (que está sempre nas próximas eleições) e, deste modo, são mais propensos a aceitar ou a solicitar subornos a troco de favores, que empregados, (públicos ou privados), com profissão estável e reconhecida não admitem. É sabido que boa parte dos que entram na política fazem-no por “dificuldades nos estudos, por se ser mau aluno e sem perspectivas de concorrer na sociedade civil e para arranjar um «emprego» bem remunerado e pouco trabalhoso, sem responsabilidades, com impunidades e imunidades. Apesar de todas as carências de saber resultantes desse início, seguem a carreira, podendo chegar a um topo. Hoje qualquer um pode ser político desde que conquiste a amizade de um político ou seu familiar, desde que se inscreva na JOTA e se mostre servil em relação ao líder local, aplauda nos comícios repita os slogans e bajule aos pés do chefe. Conquistará lugar de assessor, seguindo-se deputado, uns tachos.”
Por contraste, numa cidade europeia de 50.000 a 250.000 habitantes, de tradição calvinista ou luterana pode haver, incluído o presidente de câmara, mais duas ou três pessoas cujo salário depende do partido que ganhe as eleições. À diferença do que se passa nesses países, onde os políticos locais estão forçados a tomar decisões junto a funcionários que estariam dispostos a denunciar qualquer suspeita de favor, em Portugal toda a cadeia de decisões está, em mãos de pessoas que compartem um objectivo comum: ganhar as futuras eleições. Permitindo que se tolerem com mais facilidade comportamentos ilícitos, e que, ao haver muito mais em jogo nas eleições, as tentações para outorgar favores sejam igualmente mais elevadas.
Portugal deve de ser dos países (penso que não exagero) com o maior número de advogados nas suas administrações, com os resultados que todos conhecemos. É também a partir desta (má) visão aparentemente legalista que se permite uma margem de discricionariedade, nem sempre de acordo com a protecção do interesse público. Além disso o Chefe de Estado queixou-se há dias de que “as leis são mal feitas”. Será que alguém crê que a solução para a corrupção (local) consiste em ter advogados como governantes a regular todas e cada uma das actividades das administrações? in Região de Leiria

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PERGUNTA ESOTÉRICA:
Será que uma alcoviteira, que quer trepar mas que ninguém lhe conhece profissão alguma nem que tenha feito algo de útil onde estivesse, anda a ser paga por algum mafioso para desestabilizar um respeitado grupo de trabalho, como já se diz sobre ela em Alcobaça?


segunda-feira, maio 25, 2009

FORÇA VIVA




S. Martinho do Porto, terra da qual tenho as melhores recordações, e em cuja praia passei muitas tardes com a minha família. Mau grado os anos setenta, a chegada das férias massificadas, provocaram naquele lugar, outrora paradisíaco, uma descaracterização urbanística que quase a tornou irreconhecível. Os sucessivos governos concelhios, ajudados por autarcas com pouca ou nenhuma preparação, contribuíram para essa descaracterização. (click aqui para ler artigo do Eduardo Prado Coelho.)

Louvo com a postagem de hoje o surgimento de um movimento cívico de independentes, que pretende concorrer às próximas eleições autárquicas. O seu propósito é ajudar a inverter essa tendência de sucessivos maus governos e até ilegalidades naquela freguesia.
O movimento é liderado pelo Sr. Comandante de Bombeiros local, o Sr. Joaquim Clérigo
Segundo o que se pode ler no blog do movimento os propósitos são estes:


Caros Concidadãos a nossa Lista “Força Viva” é constituída por um grupo de cidadãos independentes, sem obediência a partidos políticos ou a interesses particulares, cujo único objectivo que nos estimula é servimos a Freguesia de São Martinho do Porto.O nosso grande lema é trabalhar com empenho em defesa do desenvolvimento da nossa terra, pretendendo ser porta-vozes da população junto das entidades locais com competência para dinamizar esta Vila.A nossa diferença assenta no facto de sermos independentes de quaisquer interesses partidários. Somos, por isso, um conjunto de cidadãos:- Donos dos seus ideais e convicções, sem arrogância;- Com vontade de servir, sem servilismo;- Que acredita que temos condições para sermos úteis a São Martinho do Porto e concretizar os sonhos e projectos que todos nós gostaríamos de ver realizados na nossa Freguesia.Com determinação e vontade de traçar um novo rumo para esta Freguesia, propomo-nos ao acto eleitoral para a Assembleia de Freguesia de São Martinho do Porto.Cabe aos eleitores desta Vila julgar o nosso Programa Eleitoral e dar-nos a oportunidade de Servir a População e os seus interesses.
DESEJO OS MAIORES ÊXITOS NA VOSSA PRETENÃO

sexta-feira, maio 22, 2009

ADVOGADOS E POLITICA II


À continuação, publico um extracto da entrevista do Dr. Marinho Pino, bastonário da ordem dos advogados, publicada no Jornal 24 horas do dia 18/5/2009


“ Um advogado não deve de ser deputado, porque quem faz as leis não deve estar a aplica-las no tribunal. Estão a fazer leis a favor de clientes meus? Pode haver a suspeita de haver leis feitas a favor dos meus clientes e não dos interesses do estado. (…)
São advogados que entram e saem do governo. Um escritório de advogados em Lisboa, por exemplo, tinha quatro membros no governo anterior a este e, pelo menos um deles, numa posição de ser a segunda ou a terceira figura. Tem de haver alguma moderação! Eu defendo as regras da sã concorrência entre sociedade de advogados, não é conseguir-se contratos através de tráfico de influencias entre sociedades de advogados, não é conseguir-se contratos através de tráfico de influencias subterrâneas, ocultas ou através de manobrismos na Assembleia da República feitos por deputados que são advogados. Sou abertamente contra isso. E isso incomoda muita gente cujos escritórios lucram com essa situação. Por isso estão contra mim.
(…) . É o novo estatuto que os preocupa e é por isso que me fazem esta guerra toda. Então quem está a aplicar leis nos tribunais e é pago por grupos económicos, às vezes poderosíssimos, deve estar a fazê-las no Parlamento em nome do Povo? Isto é elementar Sempre fui abertamente contra isso Os advogados não votaram na cor dos meus olhos, mas no programa que apresentei e estão lá estas coisas. (…) Não tenho medo de eleições. Fazem-me esta guerra toda por estar a tocar em interesses promíscuos, intocáveis até aqui. (…)
As situações estão aí toda a gente as vê fazem-se fortunas no exercício de funções publicas sem qualquer escrutínio por parte da opinião publica. Enriquece-se no parlamento e depois é tudo justificado com honorários de advogado! Estão praticamente a tempo inteiro no Parlamento e ao mesmo tempo a exercer a advocacia. Sejamos claros isto não está correcto.
(…) O dr. José Miguel Júdice pode dizer e pode acusar-me do que quiser. De uma coisa ele não me pode acusar: é de eu, como bastonário da ordem e advogado, ao mesmo tempo, andar a vender a querer vender submarinos ao governo. Sou bastonário e suspendi as minhas funções de advogado, e não estou a querer vender submarinos ou a fazer contratos com o governo em nome de interesses privados. Disso não me pode acusar. (…)
Fiz abertamente politica antes do 25 de Abril e por isso passei pelas cadeias. Não tenho feitio político. Uma pessoa que fala verdade não pode ser político de sucesso em Portugal. E Portugal, para se ter sucesso na política, tem de se mentir, ser actor, fazer encenações ter, uma agência que escolha a camisa, as gravatas e o pó de arroz… eu não tenho feitio para isso mas não abdico de intervir como cidadão”.


Hoje ningém parece ter dúvidas sobre a promiscuidade entre a política e o exercício da advocacia : ela é mais que evidente. Num momento em que a justiça portuguesa é apontada por todos, à excepção de certos interessados, como um dos problemas graves que a democracia portuguesa enferma, não seria de evitar advogados em eleição? Que buscam e que vêm trazer à democracia senão aquilo que toda a gente sabe e desconfia e o bastonário aponta ?

Sendo a justiça um dos pilares senão mesmo o garante da democracia a entrevista torna-se pertinente pela forma directa como o Dr. Marinho Pinho fala dos interesses instalados neste país, (designado por Ribeiro Sanches de “cavernoso” precisamente por casos de justiça) por esta corporação de profissionais que são os advogados. Nesta mesma entrevista o bastonários faz referências curiosas a José Miguel Júdice um advogado que hoje mesmo escreve um artigo no jornal Público, intitulado “O bastonário: ruído e falta de eco”…é de ler !

Não há muito, a OCDE publicou um relatório sobre profissões e nele informava que os advogados e a advogacia eram em conjunto, as profissões e profissionais mais mal considerados, seguidos de economistas, gestores e outros que não recordo. No grupo contrário, no das mais consideradas estavam médicos, professores, artistas, cientistas …

segunda-feira, maio 18, 2009

ADVOGADOS E POLITICA


Portugal deve de ser dos países (penso que não exagero) com o maior número de advogados nas suas administrações, com os resultados que todos conhecemos. É também a partir desta (má) visão aparentemente legalista que se permite uma margem de discricionariedade, nem sempre de acordo com a protecção do interesse público. Além disso o Chefe de Estado queixou-se há dias de que “as leis são mal feitas”. Será que alguém crê que a solução para a corrupção (local) consiste em ter advogados como governantes a regular todas e cada uma das actividades das administrações?

segunda-feira, maio 11, 2009

PREMIERE PRIDE


Há uma serie de evocações que se podiam exemplificar indefinidamente, sobre o papel e a importância do medo na história dos seres humanos e também as razões ideológicas do longo silêncio que se tem feito dele. O medo é um fenómeno ambíguo e até pode ser entendido como defesa do organismo. No entanto, se passa a dose suportável pode tornar-se patológico e criar bloqueios, tanto a nível individual como nas culturas.
Vários foram os filósofos que tentaram caracterizá-lo, talvez para ganharem audácia e não terem medos, a questão da morte é terrível. Descartes, o filósofo das paixões, dizia que o medo era “uma cobardia por oposição à coragem”; e para outros o medo era causa da pouco evolução de certos indivíduos ( Marc Oraison). Outros defendem que o medo nutre muito o sentimento religioso e político, como aquele que nos persegue com as teorias alimentares, as gripes ou a crise económica. Lacan nalgum dos seus seminários terá dito e cito de memória que “quem for presa do medo corre o risco de se desagregar”.
Vem isto a propósito dos sentimentos de exclusão social que afloram por medos em sociedades pouco urbanas, onde se cultivam sentimentos de intolerância como Racismo, perseguições políticas, religiosas ou relativo a orientações sexuais como a Homofobia.
Ontem em Alcobaça realizou-se pela primeira vez um evento muito inovador: O PRIMIERE PRIDE. Primeiro encontro contra a Homofobia. Foi gratificante ver uma juventude participativa e receptiva o que perspectiva um bom futuro. Oxalá a organização assim o entenda quanto à finalidade do evento: fomentar o respeito pelas diferenças. Espera-se que iniciativas destas ajudem a fomentar um espírito mais aberto em Alcobaça, ponha de lado tabus e perceba que sociedade é feita de direitos e não de clichés como os que por vezes lemos nos jornais locais, ou ouvimos nas rádios em máximas do tipo “a crise actual deve-se ao lobby gay”, ou permitam os governantes locais de perseguir politicamente os seus críticos por apontarem os sucessivos desgovernos camarários em compras imobiliárias no mínimo duvidosos.
Dou os parabéns a quem esteve na organização do evento, ao Bloco de Esquerda e sobretudo ao Drº. Adelino Granja, que soube quebrar moldes e trazer a Alcobaça algo que está na ordem do dia, espero que o evento seja para continuar.
Muitas cidades europeias fizeram dos "PRIDES PAREDES" um verdadeiro símbolo para publicitar a cidade como fez Madrid (CLIC), Barcelona (CLIC) e Berlim (CLIC) só para citar algumas. Ao mesmo tempo que estimula um novo tipo de turismo cultural (CLIC e clic também AQUI) com elevado poder adquisitivo, e divulgavam mensagens contra a exclusão e a homofobia. Bandeiras maiores de sociedades evoluídas.
Como observador dos fenómenos sociais e deste evento em particular entendi a mensagem que tanto o BE como o Dr. Adelino Granja trouxeram a Alcobaça e é a seguinte:
“ Como seres humanos devemos de trabalhar pela igualdade, a justiça a liberdade, a solidariedade e a tolerância, para que se consiga uma sociedade mais solidária e humana.
O respeito pelo próximo não deve estar contaminado por medos ou clichés relativos a género, sexo, raça, cor, etnia nem orientação sexual, religiosa ou política. Não importa o lugar que cada um ocupa na sociedade ou que poder adquira ou obtenha, muito menos o seu grau de alfabetização, os seus gostos ou os temas do seu interesse, mas sim aquilo que imana do seu coração.
O evento é um convite à reflexão sobre as diferenças para se pôr em acção uma mudança na sociedade, mesmo que a dedicação de cada um seja mínima.
É necessário saber estar no lugar do outro e entendê-lo como um ser vivo igual a nós, porque todos somos iguais. É das diferenças culturais e individuais e do respeito pela diferença (do outro) que advêm o enriquecimento das sociedades e a sua evolução.
Estimule-se e aceite-se a diferença com honestidade e humanismo sem fragmentar ninguém nem nenhum grupo, porque as diferenças complementam-nos. Só assim, sem medos, faremos uma sociedade mais justa onde todas as nossas aspirações de cidadão livres poderão ter realmente espaço.

Pode ver ainda sobre Madrid o PRIDE GAY Clique (Aqui)

Politicos em Espanha e o PRIDE GAY Madrid clique (AQUI)

PSOE (Partido Socialista Espanhol) grupo Lésbicas,Transexuais, Gays e Bisexuais (Aqui)

sexta-feira, maio 08, 2009

"COM RESPEITO PELOS OUTROS"

Um amigo enviou-me o mail que podem ler à continuação. Pelo seu lado humano não posso deixar de fazer uma postagem.


"Vale a pena ver o video em baixo.
Os comentários são os que vieram. Apenas me apetece fazer notar o seguinte:
Tempo de crise pode ser tempo de reflexão e de reaprendizagem. Os chavões e os preconceitos com que somos diariamente borbardeados (ou que nós próprios construimos) devem sem meditados, processados, purificados. Isso só será possível se reaprendermos a viver e a escolher em ambiente de relatividade, sem absolutismos. Com respeito pelos outros e por nós próprios. E com muita tolerância. E alguma paciência. Juntos chegaremos algures.

Foi um desabafo. Bom fim de semana para todos. Bjs e abs.

GF



"Esta noite milhões de crianças dormirão na rua, mas nenhuma delas é cubana!"

“Esta noite milhões de crianças dormirão na rua, mas nenhuma delas é cubana”
Fidel Castro

O vídeo que vai ver foi filmado em Cuba pelo controverso Michael Moore.

É sobre o sistema nacional de saúde cubano.
Cuba, onde as crianças não têm acesso a Play Stations (pelo menos com facilidade).
Nem se sentem inferiorizadas por não vestirem roupas de marca.
Onde os supermercados não apresentam 60 marcas de manteiga diferentes.
E a TV não mente a publicitar que os Danoninhos ajudam as crianças a crescer.
Os carros de luxo não abundam.
Nem as malinhas Louis Vuitton.
Mas têm talvez o mais avançado sistema de saúde de todo o planeta.
E um sistema de ensino ímpar, em que os professores ensinam e os alunos aprendem, com rigor e disciplina, onde não há lugar para Escolas Novas, estatísticas aldrabadas, pseudo-universidades e Novas Oportunidades da treta.
E pleno emprego.
E as ruas seguras, livres de criminalidade e de drogados
Mas os Cubanos têm falta de liberdade.
Falta de liberdade... para assaltarem idosos e crianças.
Falta de liberdade... para agredirem professores dentro das escolas.
Falta de liberdade... para dispararem contra polícias.
Falta de liberdade... para desrespeitarem o seu semelhante.
Falta de liberdade... para políticos corruptos que enriquecem à sombra do erário público.
Cuba, onde tantas coisas faltam, principalmente as supérfluas, as inventadas pelo capital na sua necessidade de se reproduzir.
Mas onde abundam a solidariedade, a fraternidade e, principalmente, a humanidade.

PS. Alguns autarcas portugueses viram, em Cuba, a possibilidade de melhorar a saúde dos seus munícipes e não exitaram em levá-los lá!.

Idosos de Santarém vão a Cuba ser operados
Ministra não evita «moda» de operações em Cuba

sexta-feira, maio 01, 2009

O VOTO EM LOTE É UM PÉSSIMO HÁBITO DEMOCRÁTICO

imagem sacada do jornal Público


Ontem a Assembleia da República fez aprovar novas regras para o financiamento dos partidos. A lei foi aprovada por todos eles.

António José Seguro, deputado do PS, e ministro no governo António Guterres foi o único a votar contra. Vera Jardim (PS), Matos Correia (PSD) e Telmo Correia (PSD) têm reservas, Matilde Sousa Franco (PS) absteve-se. Segundo o jornal Público há “criticas em surdina no parlamento a esta lei para dar mais dinheiro “vivo” aos partidos. António José Seguro justificou a sua divergência desta maneira: “ esta lei aumenta o financiamento privado, mas não diminui os dinheiros públicos, o que em tempo de crise deveria de concretizar-se”. A lei aprovada em 2003 que reduzia “ ao mínimo” “22 mil euros” a entrada de dinheiro vivo. A mudança ontem aprovada, alertou o deputado, “ inverte este princípio” e traduz-se “numa menor exigência” quanto à justificação do dinheiro entrado nos partidos. In PÚBLICO

Quanto a mim a atitude do deputado António José Seguro, prova que a integração das pessoas num partido político, seja ele qual for, não anula a sua identidade. É certo que os militantes obrigam-se à disciplina regulamentaria e à ideologia fundamental, especialmente aquela que se expressa nos programas de actuação, mas não vendem a sua alma. O costume do voto em lote é um péssimo hábito democrático. Há assuntos, especialmente os da natureza ética, que não cabe nem convém a unanimidade. É algo que pode afectar a mera formalidade democrática; mas convém insistir, que se podermos chegar a sanar a doença da partidocracia, que o poder reside nos cidadão e não nos partidos.

Ainda sobre a lei aprovada Saldanha Sanches é extremamente critico como ela e diz: “ tudo o que reduzir o controlo dos financiamentos é completamente errado e vai fomentar a corrupção nos partidos (…) voltamos às malas cheias de notas, das quais uma boa parte chega aos partidos e outra fica com as pessoas que as recebem (…) não há razões para estas alterações, numa altura em que todos organismos públicos estão em contenção de despesas (…) Isto vai aumentar ainda mais o descrédito dos partidos na opinião publica” . in PÚBLICO

domingo, abril 19, 2009

O SANTO PORTUGUÊS QUE MATOU 36 MIL ESPANHÓIS




Falo de Nun’Alvares. Até há pouco, as mulheres ameaçavam os miúdos com «Olha que eu chamo o Dom Nuno!». Um papão. Os portugueses só o conhecem porque ele derrotou os espanhóis. Em Aljubarrota foram 36.000, para além dos 7 de que se encarregou a padeira. Invocou Santa Maria – que só será Mãe dos portugueses e não dos espanhóis - venceu. Esta mitologia merece tanto crédito como as lendas de feiticeiras; o problema é que, repetida hoje, significa estagnação cultural. Ideologia rústica fora do tempo. O povo vai venerar um santo só porque ele derrotou os espanhóis. (Ficamos à espera que seja canonizado o régulo Gungunhana que se sacrificou pela independência da sua pátria, Moçambique...). O Dicionário de História de Portugal, de Joel Serrão, lemos isto: «[Nun’Alvares] exigia sempre uma disciplina rigorosa e o exacto cumprimento das suas ordens; se isso não sucedia tornava-se bravo como um leão, chegando a matar os cavalos e a ferir os corpos dos descuidados, se eram pessoas de mais pequena condição». Entenderam: «se eram pessoas de mais baixa condição». Cavaco
Silva, ao integrar a comissão de honra da canonização, disse que «pode ser um exemplo para os portugueses». Eu diria que exemplos desses já temos de sobra: uma Justiça que condena os pobres e absolve os ricos; os trabalhadores pagam impostos enquanto os políticos e suas famílias acumulam milhões com a corrupção, os banqueiros a apropriarem-se dos dinheiros dos clientes...
Preferia ver o responsável máximo da Nação - que, hoje, é amiga de Espanha - a abster-se desses conluios patriotiqueiros e a apontar os espanhóis como exemplo de civismo, criatividade e empreendedorismo. Não foi pelas qualidades guerreiras do Condestável que o Vaticano o canonizou. Seria porque, já velho e impotente, se recolheu a um convento onde viveu 8 anos ? (Diz o ditado: «O diabo depois de velho fez-se ermitão»). Não consta que tivesse dado as suas riquezas aos pobres, como se diz agora. Que se dedicasse a tarefas conventuais, milhões de frades o fizeram.
No entanto, o mesmo historiador que citei diz: «Por baixo do hábito de frade, Nun’ Álvares trazia por vezes vestido o seu arnez de combatente». Estão a ver? Um belicoso disfarçado de frade. Foi pelo milagre do salpico de azeite quente que saltou para a vista duma mulher de Ourém e que não a cegou? Porque foi? E porque só agora? Política vaticana. A beatificação, em 1918, visou combater as Repúblicas portuguesa e espanhola, liberais. Depois o processo
foi p’ra gaveta, por cumplicidade com o fascismos ibéricos. Agora, como o Condestável foi anti-espanhol, saiu dos arquivos para a actual guerrilha entre a Espanha e o Vaticano (este já não tem mão duma nação que foi a mais católica do Globo). Primeiro foi a lei sobre o aborto. Depois, o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo que levou os bispos espanhóis a saírem à rua em manifestação (coisa nunca vista - para combater uma lei democrática). Bento XVI até veio a Espanha apoiar os bispos num congresso em favor da «família tradicional». Hoje há o problema das aulas de Religião e Moral que o governo substituiu por Educação Cívica, e o programa da Memória Histórica sobre a guerra civil a que a Igreja - que foi co-responsável nessa guerra - se opõe («para não abrir feridas», diz ela). Se isto fosse em países como Inglaterra, Alemanha ou França, laicos ou protestantes de longa data, passons como dizem os franceses. Vindo de Espanha que foi a católica por excelência, no pasaran como diriam os bispos espanhóis. E passaram. Então... «Tomem lá com o Condestável português que vos derrotou!» (Sendo eles como são, faz-lhes tanta mossa como mostrar-lhes um espantalho).
Esta canonização é a reprodução da de Santa Joana d’Arc, rapariga francesa que derrotou os ingleses invasores da França, em Orléans (1429); mas foi entregue traiçoeiramente aos ingleses que a condenaram à fogueira por heresia (1431). Só foi beatificada em 1909 e canonizada em 1920, uma época de fundamentalismo católico... contra Inglaterra protestante.
E, com este costume medieval de inventar santos e dos pôr a fazer política, é a imagem do Vaticano que fica muito aquém das culturas da modernidade. ( artigo da autoria do Prof. Moisés Espírito Santo e publicado no Jornal de Leiria 16/4/2009)

quinta-feira, abril 16, 2009

ROSTOS NA PENUMBRA


Uma breve análise sobre os partidos políticos, demonstra terem pouca visão de futuro. Os interesses que afiguram são difusos, representam-se a si mesmos e entre eles não diferem em substância as formas “clientelares” da relação com os cidadãos. É aquilo que se designa por “crise de representatividade”. Cada dia os partidos representam menos a sociedade. Que fazer, cruzamos os braços? Preocupamo-nos com saídas individuais? Lançamo-nos numa corrida alienada contra a participação política, desprestigiando-a? Talvez o segredo esteja no tipo de cidadania existente ou na que se possa promover.
Ela é por vezes, uma face oculta da sociedade que pode estar pintada de esperança ou ser a expressão dura do veneno que injecta desalento à esquerda e à direita. A cidadania é a principal fonte de mudança social que é necessário ser-se capaz de associar, juntar ou agregar. A possibilidade de mudança numa sociedade depende da forma como os cidadãos se relacionam com a política e o nível de participação que são capazes de sustentar. A existência de maiores ou menores probabilidades para desenvolver organizações partidárias de maior compromisso com a democracia e o bem-estar colectivo, depende do tipo de cidadania que cada um exerce. Vejamos quatro tipos.
1º “O imóvel apático”: não lhe interessa nenhuma espécie de participação, lembra-se da política para a maldizer e culpa-a dos males sociais e erros dos governos. Isto justifica a sua abstenção e a cómoda indiferença social. Os erros das instituições são pretexto para legitimar a preguiça, porque a inacção cívica é uma cómoda posição política.
2º “ O desiludido militante”: maneja as modernas tecnologias e tem razoável formação académica, mas deste conforto esparge vírus de desalento e fracasso. Um ou outro participa em organizações sociais, mas diz abominar a política e as virtudes na sociedade existem, segundo ele, nas organizações que controla e nas quais milita. Quem não está sujeito ao seu comando ou não se submeta aos seus desígnios é satanizado. Adopta uma visão autoritária da sociedade na mesma proporção que tem incapacidade para participar ou agregar-se em grupos. Crê que as suas ideias são a panaceia que salva o mundo. Há outros que não participam em nada, vivem da intriga e da mentira contra quem deseja actuar. São profissionais da desmoralização e especialistas em escamotear qualquer iniciativa ou sabotá-la. Para eles, todo obstáculo é a evidência objectiva de que qualquer esforço carece de sentido. São sumamente irresponsáveis, não lhes importa as consequências das suas palavras ao julgar as acções de outros. Recreiam-se na negatividade e jactam-se quando logram frustrar alguém. Regozijam com o fracasso das iniciativas dos outros porque justifica a sua passividade. Junto ao “ imóvel apático” contribuem para manter o clientelismo político e a corrupção.
3º “A cidadania activista”: move-se de forma clientelar e pelo benefício individual imediato. Representa o lema “venha a nós o vosso reino”. Estimula a desigualdade e a exclusão, e não considera a política uma actividade nobre ou que deva ser exercida por gente de bem. Os postos públicos são património exclusivo dos eleitos. Possuem o cartão do partido de maiores possibilidades eleitorais: cobiçar empregos e nomeações políticas é o objectivo. A política é fonte primogénita de privilégios e a melhor via para obter poder e compensações exclusivamente privadas.
4º. “A cidadania activa não clientelar”: Tenta estabelecer regras claras, precisas e iguais para todos. Une as pessoas de igual sentimento e (grupos) que defendem os mesmos interesses. Sabem que as regras do jogo quando são claras e aceites pela maioria e usadas como o principal critério para o tratamento equitativo são mais sustentáveis no tempo e serão de maior beneficio para si e sua descendência. É uma cidadania actuante, crítica, às vezes ácida, incómoda, insuportável. Reconhece a sociedade como um processo de construção colectivo e vê nos privilégios individuais uma selva perigosa. Nenhum destes tipos de cidadania existe em estado puro, por vezes, encontramos misturas estranhas e combinações inexplicáveis. O importante (creio) seria promover um modelo da “cidadania activa não clientelar”, por ser a que representa melhor a seiva criadora da sociedade e pode estimular mudanças e possibilitar a redefinição do pacto social que nos dá vida. É o tipo de cidadania que se necessita de forma maioritária e é a que deveria ganhar a aderência das nossas mentes almas e corações.

segunda-feira, março 16, 2009

ESTEREÓTIPOS



Uma professora de idiomas explicava que os substantivos em Francês têm género (o qual é muito difícil de compreender para os ingleses) e que, para eles, casa (maison) nesse idioma é feminino, e lápis (crayon) é masculino. Um aluno pergunta “de que género é o computador?”. A professora não soube responder porque não tinha estudado a palavra e não podia encontrar o género no seu dicionário Francês – Inglês. Para “divertir-se”, dividiu a turma em dois grupos (rapazes /raparigas), e pediu-lhes que decidissem se computador devia de ser masculino ou feminino. Ambos grupos eram obrigados a dar quatro razões para a sua escolha. O grupo de rapazes decidiu que computer tinha de ser do género feminino porque: 1º. Ninguém, senão o seu criador, compreende a sua lógica interna. 2º. a linguagem que usam para comunicar-se entre uma e outra computers é incompreensível para qualquer uma que não elas. 3º. Inclusive os mais pequenos erros são armazenados muito tempo para uma possível recordação posterior. 4º. Logo que te comprometas com uma, encontras-te gastando a metade do salário em acessórios para ela. Para as raparigas os computers são visto como masculinos porque: 1º. Para conseguir a sua atenção, primeiro têm de acendê-los (to turn them on) 2º. Têm muita informação (data), mas nenhuma pista (clueless). 3º. supostamente, eles devem ajudar-te a resolver os teus problemas, mas a maior parte do tempo são eles o problema. 4º. Assim que te comprometas com um, dás-te conta que se tivesses esperado um pouquinho mais, tinhas conseguido um modelo melhor e mais evoluído.
Isto ouvi-o numa tertúlia entre amigos e relatei-o a uma colega que ensina géneros, o que foi uma péssima ideia. Enquanto narrava a primeira parte, dando-lhe os argumentos dos rapazes, com alguma ira, disse-me que aquelas opiniões procediam de um machismo intolerável. Pensei que a faria sentir melhor com as respostas das raparigas, mas não, aborreceu-se ainda mais, e assegurou que ambos grupos inventariaram estereótipos que ferem e perpetuam uma noção errónea dos géneros... foi-se embora!
Que fazer no dia seguinte nestas circunstâncias? Enviar uma flor à colega? De modo nenhum, porque este tipo de conduta não é bem vista nos meios académicos e até pode ser classificada de machista. Desdizer a piada ouvida a terceiros ou tratar de explica-la sociologicamente? Limitei-me a escrever este artigo para dizer o seguinte: Coincido com a minha colega em desdenhar os estereótipos, que creio serem intenções patéticas de os enclausurar e fixar, que vão de um extremo ao outro, sobre o que é ser homem ou mulher porque lhes tira espaço, vida e liberdade que cada ser tem para se fazer e refazer. Várias décadas bastaram para que o movimento feminista produzira uma irreversível mudança no mundo e uma esplêndida reiteração da liberdade humana em todas as suas possibilidades. No entanto, as revoluções têm um defeito tiram o sentido de humor, uma rigidez que pode ser traumática, sobretudo para a juventude e em especial para os rapazes. Parece que nesta geração, eles não sabem como ser homens. Há dias, dizia-me uma brilhante académica que na América onde se urdem estas mudanças, a conduta masculina tradicional de enviar rosas, escrever cartas, suspirar e todas as formas de galanteio clássico estão quase proibidas e são consideradas como machismo. Os rapazes devem abster-se do idílio e propor directamente: “I want to have sex with you” e a rapariga para não parecer antiquada nem dominada pelos pais deve de aceitar a proposta.
Neste cenário o amor romântico está morto ou condenado a fantasia sexual de origem patriarcal. Nestas circunstância o sexo é uma actividade física sem mais dignidade e mistério que a natação, o golfe ou o basquetebol. Adiantando o sexo ao amor, o amor nunca chega.
Não creio que a “droga” tão generalizada, possa suplantar esse poço sem fundo porque é muito difícil levar a vida sem amor. Sobre a minha colega espero que não me considere patriarcal nem ultrapassado pelo que digo mas creio seriamente que, para agraciar a vida pela maravilha, deve-se deixar nela um espaço suficiente para o mistério e o romance e para a explicação poética do mundo! António Delgado in Jornal de Leiria, 12 Março de 2009

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

PETIÇÃO

PETIÇÃO RECEBIDA POR MAIL.

Petição 'Salvem os Museus Nacionais dos Coches e de Arqueologia e o Monumento da Cordoaria Nacional!'







Exmos. Senhores,
Presidente da República Portuguesa, Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva Presidente da Assembleia da Republica, Dr. Jaime GamaPrimeiro-Ministro, Eng. José SócratesPresidente da Câmara Municipal de Lisboa, Dr. António Costa


O Museu Nacional dos Coches sendo de génese monárquica foi com a República que adquiriu o carácter de organização museológica, transformando-se na instituição fundadora da museologia portuguesa, de carácter nacional e com projecção internacional.
O valor artístico do espaço (antigo Picadeiro Real), a raridade da sua colecção (considerada universalmente como a mais notável no seu género, com especial destaque para os três coches monumentais da Embaixada de D. João V ao Papa Clemente XI, construídos em Roma em 1716 e únicos no mundo, bem como o raro exemplar de coche de viagem de Filipe II, construído em Espanha – Século XVI- XVII – e um dos modelos de coche mais antigos de que há conhecimento), e o sistema desenvolvido de exposição desta última, correlacionando-a com imagens e pinturas de época, garantiram-lhe a reputação europeia sem precedentes na história dos museus portugueses e na própria evolução da museologia, através de uma orientação estratégica pioneira pautada por princípios europeus modernos, criando um ambiente de exigência e trabalho de que os próprios republicanos se orgulhavam.
O projecto entretanto surgido para a construção de um novo Museu dos Coches pretende esvaziar o actual edifício e transferir a colecção para um novo espaço a construir, onde se erguem agora as Oficinas Gerais de Material de Engenharia, que serão demolidas. Não pondo em causa a qualidade do projecto de arquitectura, estima-se, no entanto, que este projecto terá um custo actual estimado de 31,5 milhões de euros.
Considerando a actual magnitude internacional do Museu Nacional dos Coches, que é o museu mais visitado de Portugal, muito significativamente por estrangeiros a quem não será indiferente a dignidade e o ambiente do espaço actual de notável valor formal e de antiguidade. Note-se que não é por acaso que em São Petersburgo se optou recentemente pela colocação de um espólio similar no antigo picadeiro real;
Considerando que o actual edifício do Museu, por imperativos técnicos e artísticos (vide, pareceres técnicos de finais dos anos 90), está impossibilitado de acolher a Escola Portuguesa de Arte Equestre, temendo-se, portanto, caso avance o projecto de novo museu, a sua subutilização; Considerando que o projecto do novo museu não afecta somente o Museu Nacional dos Coches, mas antes constitui um verdadeiro 'terramoto' de efeito ricochete na museologia nacional, pois implicará a obrigação de deslocar os serviços do antigo IPA (actual IGESPAR) da arqueologia subaquática, do depósito de arqueologia industrial, para a Cordoaria Nacional e, por esta via, uma eventual transferência do Museu Nacional de Arqueologia para a mesma Cordoaria, que é Monumento Nacional desde 1996 (DL 2/96, DR 56, de 06-03-1996);
Considerando que a lei obriga a que uma intervenção num Monumento Nacional, como é o caso da Cordoaria Nacional, se fundamente num projecto de conservação e restauro e permita a salvaguarda dos seus valores arquitectónicos e técnicos integrados, não permitindo que se faça uma mera adaptação como parece ser o caso, o que pré-figuraria uma atitude de vandalismo de Estado;
Considerando, portanto, que o projecto em curso se nos afigura completamente desnecessário e impede que as verbas respectivas sejam aplicadas em projectos culturais de verdadeiro interesse público urgente (ex. renovação dos outros museus nacionais sediados em Lisboa, recuperação dos MN em perigo de desclassificação pela UNESCO, qualificação da Cordoaria Nacional, como monumento técnico significativo da actividade marítima portuguesa, etc.);
Os abaixo-assinados requerem a Vossas Excelências uma intervenção rápida no sentido de travar o projecto em curso do novo museu dos coches, garantindo assim a manutenção, nos espaços actuais, do Museu Nacional dos Coches e do Museu Nacional de Arqueologia e a conservação da integridade física e técnica original da Cordoaria, enquanto monumento nacional de interesse internacional.


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Jorge Santos Silva, Fernando Jorge, Luís Marques da Silva e Renato Grazina

S.F.F, Assine e DIVULGUE:

Petição 'Salvem os Museus Nacionais dos Coches e de Arqueologia e o Monumento da Cordoaria Nacional!'

http://www.gopetition.com/petitions/salvem-o-museu-dos-coches.html

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

domingo, janeiro 25, 2009

DOIS TIPOS DE ALCOBACENSES


Há duas espécies de Alcobacenses. Aquele que ama a terra sem lhe dedicar estrofes e que direcciona todo o seu esforço para a Alcobaça viva, aquela que trabalha, produz, pensa e sofre o presente. Ocupa-se da Alcobaça contemporânea, procurando entender as suas aspirações, dirigindo-lhe força, para torná-la criativa, forte, culta, sábia, próspera emancipada e livre. Este tipo admira o mosteiro, mas não está petrificado nessa admiração; caminha entre os munícipes e ouve-os: na rua, no campo, no café, nos mercados, e tenta entender as suas inquietações para assegurarem, qualidade de vida, instrução, trabalho e riqueza, fomentando para isso dois bens supremos, o engenho e a justiça.
Para esta criatura, Alcobaça está acima dos seus interesses, ambições ou glória, e se tem por vezes um estreito fanatismo por ela, com a mesma paixão a diviniza. Tudo o que tem oferece-lhe. Sacrifica tempo, vida, trabalho e força dando-lhe o melhor de si. Dá sobretudo aquilo que as terras mais necessitam e que as torna grandes: dá-lhe a verdade na história, na economia, na política, na arte e até desmonta as práticas manhosas dos políticos de ocasião. Não a adula nem a ilude: não diz que é grande “ porque tem o mosteiro ou que os frades ensinaram a agricultura”. Diz-lhe que é pequena e não tem agricultura e perdeu importância para os concelhos vizinhos. Vive num grande impasse e os munícipes em desassossego. Diz-lhe que o nível de vida das pessoas é baixo e a qualidade de vida também. Mostra que Alcobaça nem é chique nem está de moda e os munícipes não moram numa terra atractiva nem livre mas dominada pelo medo e a intimidação. Não a ludibria com cantatas mas grita-lhe a verdade rude e brutal. Diz-lhe que o seu atraso é culpa exclusiva dos seus governantes e da sua reiterada inépcia.
O outro tipo de alcobacense apesar de ser nosso contemporâneo é um antigo personagem do século XVIII. Tem mais de 200 anos de idade, é pintado, por fora, pela cor natural da vida moderna mas está ressequido e pulverulento por dentro. A mentalidade que o sustenta cruzou as revoluções (Liberal, Republicana, Estado Novo e 25 de Abril), mantendo-se milagrosamente intacta, e anda entre nós a representar maneiras de pensar características da época em que D. Maria I visitou Alcobaça. Para ele o concelho é um espaço mítico e a história não serve para lhe ensinar uma moral mas apenas um vago recordatório de curiosidades arqueológicas menores. Vive na Alcobaça da vassalagem onde não havia direitos mas deveres. Esta peculiar maneira de amar a terra leva-o a pegar na lira e tocar lânguidas serenatas e cantar hinos apatetados em que “ o concelho de Alcobaça é irmão e pai da pátria e da cultura nacional”. Para ele, Alcobaça são ideias bacocas, que repete em visões saloias até à exaustão. Na assembleia municipal, na vereação ou na presidência da câmara exclama sucedâneos deste espírito de olhos extasiados e lábios repletos de luxúria: “Os monges ensinaram-nos a agricultura! Aqui surgiram as primeiras escolas públicas!” Tudo isto repete como as orações sem sentimento que diz na missa dominical. Esta coisa tenebrosa, não ama Alcobaça, namora-a. Não lhe faz obras, impinge-lhe odes. Não fala verdade, conta fabulas. Não a motiva amputa-lhe o estimulo. E quando Alcobaça se aproxima de mãos vazias, pedindo-lhe que coloque nela os instrumentos para o seu renascimento põe lá o quê? Histórias de um estudante recalcado “não percebo porque não tive vinte valores”. Quando os munícipes clamam politicas concretas para o concelho (sobre a falência de empresas) e para os sérios problemas que enfrentam (desemprego assustador) ou para que não haja esbanjamento de dinheiros públicos (orçamentos fraudulentos) responde: “o município foi laureado com um prémio de publicidade”, (quando o laureado foi uma agência de publicidade).
É este o autêntico sentir desta criatura por Alcobaça! E quando alguém solta uma verdade de forma sensata ou crítica, acode possesso e virulento a gritar “energúmenos”, “mosquitos”, “traidores”. Querendo assim garantir a indolência própria, com uma grande inércia pública, para que nada se crie, nada se diga, nada se faça e tudo permaneça igual e se encaminhe para pior.
Bonda uma alma sincera chamar a atenção das consciências sobre a farsa de tudo isto, corre e torna o pesado sono de Alcobaça ainda mais profundo, cantando serenatas sobre duvidosos projectos imobiliários e requalificações. No entanto, a insensibilidade política e o escândalo social e cultural permitem-lhe que, no centro histórico um terço dos imóveis esteja em total abandono e outros próximos de derrocar, mas… a tudo isto dirá: “ Somos uma das Sete Maravilhas”. Antonio Delgado in semanário Região de Cister

terça-feira, janeiro 20, 2009

SOBRE GUERRA (continuação)


A memória das guerras e a forma como ela é monumentalizada (a), ensina-se às crianças, regista-se dentro da cultura de uma comunidade e do sistema de sociabilização que a perpetua no tempo como parte caracterizadora da cultura humana.
Na actualidade ganhou novos moldes com o neo-advento da imagem e o poder que lhe advém associados às últimas novidades técnicas em termos da sua captação e difusão, em conjunto com os meios informativos de massas recorrentes das mesmas novidades técnicas. Neste propósito, a imagem, como as referidas novidade técnicas, convergem para formar modelos e vivências sociais homogéneas em culturas, cidades e continentes díspares, para dar corpo à tal “Aldeia Global” vaticinada por McLuhane[1] em 1963.
Mesmo antes da arte na época da sua reprodutibilidade técnica[2], as obras de arte ocupavam o lugar da realidade. Na actualidade, a imagem digital veio substituir esse espaço da anterior imagem única e perene, como era caracterizada no passado antes da invenção da fotografia. A imagem reproduzida exerce até um maior efeito de persuasão, em que não é alheia a excessiva iconização e uniformização do mundo para se viver ou entender. Em termos históricos, a sucessão da corrente do tempo na soma das representações plásticas da guerra formam um tesouro documental sem igual sobre a evolução social e material das civilizações. E pode afirmar-se que a guerra tem acompanhado o desenvolvimento da arte e, em cada civilização e cultura ela tem o seu deus.
Dos baixos-relevos às estátuas, dos frescos murais aos quadros, ela está sempre presente sem cessar. A pé, a cavalo ou sobre barcos, com flechas, lanças, espadas, espingardas entre indivíduos ou grupos que se vão matar uns aos outros. Sejam quais forem as religiões[3] ou poderes em confrontação, a guerra é um tema constante das manifestações da vida julgado digno de dar perenidade.

Muitas peças de arte fazendo referência à guerra tornaram-se clássicas, consagraram-se em verdadeiros hitos artísticos e de uma época e da história de arte. Apesar da incongruência, a história da arte nunca definiu este tipo de representação, como um género artístico, como fez com o retrato e as naturezas mortas. Podemos afirmar que, apesar da quantidade de exemplos acumulados, nenhumas destas obras serviam para satisfazer um gosto estético, nem nenhuma intimidade particular. Serviam essencialmente para satisfazer a sedução das multidões eram recriações benéficas ao poder. Tinham a missão de catequizar e fazer propaganda desse mesmo poder.

(a) Muitos dos monumentos nacionais, tais como o mosteiro de Alcobaça e da Batalha, não passam na sua essencia de meros monumentos comemorativos a guerras ganhas por reis de Portugal.

[1] Understanding Media. Echeverria; Javier em Telópolis. Aborda igualmente este mesmo tema que McLhuan mas ultrapassando nas suas análises os âmbitos económicos como fizera o sociólogo canadiense.
[2] Foi Walter Benjamin que terá inventado o termo para designar uma arte que não era autêntica e única, como aquela que era feita antes da invenção da fotografia ou litografia.
[3] Na guerra e a sua relação com as religiões encontramos posturas extremas e irreconciliáveis, mesmo dentro de escolas e seitas de uma mesma religião (chiitas e sunistas). Por contraste, no Hinduísmo, Budismo e Janaismo, existe uma recusa total à guerra, ou ela aceita-se como sendo inevitável. Na maior parte das religiões a guerra é aceite, como facto religioso e sagrado. À volta de guerra santa ou religiosa fazemos a seguinte observação: Nas religiões antigas, Gregos, Romanos, Celtas, Germanos, Astecas e outras, os deuses são implicados nas guerras. Invocam-se antes que se parta para a contenda. Oferecem-se sacrifícios para implorar o seu favor. Neste sentido a guerra é entendida como uma atitude sagrada, iniciada com uma prática ritual, o que supõe uma aceitação divina da mesma. Nalgumas religiões monoteístas o deus é apresentado como um grande guerreiro que se presta a lutar à frente do povo. Tal sucede com o deus dos hebreus no antigo testamento. A causa de uma guerra é causa de Yavé que fará vingança aos seus inimigos. A guerra Santa é um conceito básico no Islão (Jihad). No cristianismo observamos numerosas guerras santas, as Cruzadas. Nesta mesma religião e em termos de arte existe uma enorme plêiade de figuras do Altar que são/foram adorados como “deuses de guerra”: Santiago Mata Mouros, Santiago, S. Jorge e, em Portugal, o nacional catolicismos de índole fascista como aquele que apoiou o regime de Salazar , fez de Nuno Alvares Pereira, igualmente um Santo de altar. Algumas igrejas tem-no como ídolo e, em Campolide, existe mesmo uma igreja designada de Igreja de S. Condestável. A igreja católica nunca reconheceu a este militar medieval a condição de santo.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

SOBRE GUERRA (continuação)



Como fenómeno, a guerra pontua, desde os primórdios a história da humanidade. A marca da nossa temporalidade e muitas das nossas datas costumam fazer referência a ela “antes da guerra”, “durante a guerra”, “depois da guerra”, “ no período entre guerras”. Também na linguagem corrente é muito comum a utilização do termo guerra para designar ideias de sentido metafórico, que tanta a linguagem publicitária, como a politica, entre outras, utilizam para definir ideias como : “guerra à sujidade” para publicitar detergentes ou, “guerra ao desemprego, à pobreza e guerra à corrupção ”, como discurso politico.
As aderências culturais ao fenómeno da guerra leva a procurar as suas bases em estruturas, processos e práticas sociais muito comuns ao nosso redor e aparentemente inofensivas. Desde o entretenimento à moda ou à publicidade podemos encontrar abundantes exemplos de como o tema bélico invade o território do civil. Está no cinema, nos videojogos, nos anúncios de recrutamento de trabalhadores, na roupa com padrões de camuflagem, mas igualmente debaixo de uniformes menos óbvios, como são os desportivos. As competições desportivas acabam por ser, como certas festas, meios para ritualizar confrontos de colectivos que deveriam ser inofensivos, mas que na verdade adquirem carácter violento. Roger Callois vinculou mesmo o sentido ébrio da guerra com a exaltação da festa (L’homme et le sacré).
As guerras têm muitas causas possíveis e é impossível enumerar todas. No entanto, cabe salientar as diferenças entre conflitos civis e militares e entre estados e, ter presente um facto comum qualquer que seja a natureza de uma guerra: sem inimigos elas não existem!
Esta ideia leva-nos a outra que é a construção do outro como inimigo. Muitas vezes é nos meios de comunicação que se vai tecendo a trama cultural que desloca a noção de necessidade e legitimidade da guerra para o meio social. As opções de conduta disponível incorporam dentro de si a imagem do inimigo como aquele que há que submeter e destruir.
Apesar do termo guerra ter uma ampla variedade de acepções, elas estão sempre unidos ao sentido ontológico da guerra. Fazer uma reflexão exaustiva desta realidade, não é fácil e muito menos no espaço de um blog. Procurarei alinhavar pontos iniciados com a postagem anterior e reflectir de como a imagem da guerra é servida e observada numa cultura predominantemente visual, como a que nos cabe viver e, como ela é configurada no espaço público. É nele onde muitas vezes se encenam e fabricam os inimigos mas, também são denunciados os seus horrores. Ou como é feita a sua sociabilização e memorização com monumentos em actos públicos e solenes e, nalguns casos, com paradas militares. É com estas cenografias que se ajuda a configurar a memória colectiva de um grupo ou de uma cultura em torno de um ideal comum no qual a simbolização e a sacralização do espaço e, neste caso concreto, o urbano se reveste de um papel importante.

segunda-feira, janeiro 05, 2009

SOBRE GUERRA




"A guerra é uma massacre entre gente que não se conhnece para proveito de gente que sim se conhecem mas não se massacram”. Paul Valéry

Para o Ocidental, a guerra converteu-se num fenómeno ambivalente, como indicou Freud em 1920 na obra “Além do princípio do prazer”. Introduzindo o conceito de instinto de morte, por analise das matanças nas lutas de gladiadores no Coliseu de Roma (cimeira da cultura ocidental) até às mortes pela Inquisição. Entretenimentos que, na actualidade, se prolongam no cinema e em filmes como : “Apocalipse Now” , “Day After” , “Independece Day”, e jogos de guerra de consolas.Em qualquer destas realidades lúdicas a guerra, a destruição, a violência e, a morte, estão sempre presentes. Levando-me a pensar na forma como tudo isto se consome, ser indicador de uma espécie de regresso simbólico à antiga violência circense.Na humanidade há uma produtiva cultura de terror desde Caim, e uma das teorias comuns sobre a aderência espontânea à violência, e aos espectáculos que cria, sugere que permite descarregar, de modo imaginário, as pulsações agressivas do indivíduo, provocando descargas libertadoras de adrenalina sem consequências negativas directas em terceiros, oferecendo até virtudes terapêuticas a pessoas com marcadas tendências agressivas (Stanley Milgram).Obviamente que, nem toda a gente partilha desta ideia e, mentes subversivas ou corrosivas como a minha dirão que as imagens da guerra, na televisão, são a forma actual de ensinar a geografia. Quem não sabe agora onde se situa o Iraque, o Ruanda, Mogadíscio ou a Tetchenia?Como espectáculo, a guerra provoca desesperos, dores, angústias, medos e mortes mas umas são as mortes autênticas e outras as de ficção. E há diferenças em ambas e realidades psicológicas distintas. Um espectador não se impressiona do mesmo modo frente ao “Apocalyps Now” que perante um documentário sobre atrocidades na Somália. E foi a presença reiterada da morte na televisão a cores que permitiu distinguir o sangue do barro. Uma particularidade que provocou o desassossego colectivo nos EU obrigando a retirada das tropas americanas do Vietname.A guerra do golfo, a primeira guerra da história a ser televisionada, foi asséptica pela censura militar contrastando com a hiper inflação mediática, porque foi extirpada do seu cenário o dramatismo da morte.Veja-se como nas imagens acima, mostram a suposta precisão cirúrgica das bombas inteligentes realçada em planos gerais afastados, pontos de vista aéreos, sem nunca descer ao terreno das vítimas ou mostrando os bombardeamentos nocturnos como velas acesas numa árvore de natal . Deste modo, as bombas podiam ser destrutivas, mas nunca assassinas.Este tipo de censura converteu a guerra em mais um espectáculo televisivo de efeitos visuais ao gosto dos que deliram com pirotecnia e efeitos das novas realidades virtuais, como as crianças. Infelizmente uma coisa é a realidade, outra muito distinta, a sua representação mediática. E no caso da visão electrónica como na escrita, ambas são oriundas de um centro difusor de imagens obediente a uma estratégia racional e esteticamente elaborada, com um sentido subjectivamente pré - determinado, ao contrário da visão naturalista que é subsidiária do real empírico.Este ardil está a moldar a espécie humana em dóceis e amestrados telespectadores, obedientes a um poder concentrado em círculos informativos cada vez mais restritos e com capacidade de configurar o real à medida dos seus interesses comunicacionais . É por isso que humanidade está a converter-se em espectáculo de si mesma. E a sua auto - alienação está a alcançar um ponto que lhe permite viver a sua própria destruição como gozo estético…será essa a finalidade?

sexta-feira, janeiro 02, 2009

É ASSIM O SENHOR PRESIDENTE!



Para quando uma verdadeira política do sapato em Alcobaça?





Uma vez mais o carácter de quem governa o concelho fica patente pela carta aberta dirigida ao presidente da Câmara e publicada no Região de Cistar ( ver mais abaixo), ...mas espreitem a noticia aqui na página 7, do RC, que foi motivo dela!




CARTAS AO DIRECTOR
Carta aberta a Gonçalves Sapinho


Foi com verdadeira estupefacção que li o breve artigo, publicado no REGIÃO DE CISTER de 11 de Dezembro, sobre as palavras que Vossa Excelência proferiu em Cós, aquando da inauguração de uma nova sala no Centro de Bem Estar Social desta freguesia. Referia-se Vossa Excelência ao processo de
aquisição dos espaços envolventes do Mosteiro de Cós, quando afirmou que “ao longo dos anos a autarquia tem procurado adquirir casas e terrenos na zona envolvente ao monumento, mas até ao momento só ainda foi possível comprar um imóvel”. A minha família é uma das proprietárias dos espaços visados. Tanto quanto sei, a putativa compra dos referidos imóveis está em processo de intenção, por parte da Autarquia que Vossa Excelência agora dirige, desde o mandato do seu antecessor, Miguel Guerra. Desde essa altura que os proprietários têm vindo a esperar uma proposta da edilidade, no sentido de concretizar a referida intenção. A razão que me leva a dirigir-lhe esta carta aberta reside apenas na necessidade que sinto de defender o bom nome do meu recentemente falecido pai, Fernando Henriques Barreiro, que desde a primeira hora se mostrou completamente aberto à venda das suas duas propriedades à autarquia, por entender que assim daria mais um contributo para a valorização da sua freguesia e do seu concelho. Gostaria pois de deixar claro que:

1.Nunca houve qualquer negociação com a autarquia que Vossa Excelência dirige;
2.Apenas fomos informados da Vossa intenção de vir a adquirir;
3.Não me parece que vir para a praça pública fazer queixas de um processo de negociação que nunca existiu seja a maneira mais correcta e mais educada de iniciar um processo negocial;
4.Pela parte que nos toca, sobretudo no que se refere ao meu falecido pai, nunca se sonhou com nenhuma árvore das patacas, não gostamos é de ser tratados como bananas, acerca de quem se pode insinuar tudo! Isto é: como é que Vossa Excelência acusa todos os proprietários de tentarem “extorquir” a Câmara, se nunca sequer lhes propôs qualquer valor?
5.Se as prioridades que Vossa Excelência foi definindo, durante todos estes anos, não passaram pela aquisição dos espaços envolventes do Mosteiro de Cós, não nos venha agora responsabilizar pelas dificuldades nas pretensas negociações que nunca chegaram sequer a ter início.
6.Permanecerei disponível para dar início a qualquer processo negocial, desde que este comece por um pedido de desculpas à memória de quem, infelizmente, já não se pode defender das acusações que Vossa Excelência não teve pejo em lançar sobre todos os proprietários que pacientemente têm esperado que, mais uma vez, os políticos como Vossa Excelência, tenham palavra e cumpram o que vão prometendo cada vez que vêm à nossa
freguesia...
Mário Lopes Barreiro
Carta enviada
por e-mail
Região de Cister 24/12/2008
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A carta aberta parece revelar o sentir que “esta coisa”, tem por Alcobaça e pelos alcobacenses e à qual "designa-nos" presidente da câmara! Por isso, não é por acaso, que quando alguém solta uma verdade e critica as suas atitudes de forma sensata ou acutilante, acuda possesso e virulento a gritar de mão na anca: “energúmenos! mosquitos!”. Querendo assim garantir a indolência própria com uma grande inércia pública, para que nada se crie, nada se estude, nada se faça e tudo permaneça como até agora.
Basta que uma alma sincera tente chamar a atenção das consciências, sobre a farsa que é tudo o que este senhor insinua e o sono profundo em que a terra se afunda por causa dele, logo corre e debruça-se para fazer ainda mais profundo e pesado o longo sono de Alcobaça, cantando embaladoras serenatas sobre projectos imobiliários com golfo ou uma Nova Alcobaça que irá atrair 4500 novos habitantes ”. Tudo em tempos de uma crise imobiliária e financeira global e com uma natalidade baixa e uma população envelhecida. No entanto a insensibilidade política permite haver em Alcobaça
imóveis abandonados e próximo da derrocada, e sem reabilitar, quase um terço deles no centro histórico, o que é bem revelador de um enorme escândalo social e cultural em que o Sr. Presidente e todo o elenco PSD se movimentam e desejam para a terra. Isto é bem demonstrativo da insensibilidade política e social que praticam. No entanto, a tudo isto ele responderá seraficamente “ Somos uma das Sete Maravilhas de Portugal” .

quarta-feira, dezembro 31, 2008

EXCELENTE 2009

A TODOS OS COMENTADORES, LEITORES, AMIGOS E FREQUENTADORES DESTE ESPAÇO, DESEJO UM EXCELENTE ANO DE 2009.

Ao Blog Té la má Maria de Reus na Catalunha que inspirou esta postagem, desejo a continuação do excelente trabalho de divulgação cultural e intervenção cívica. Ao seu editor um ano de 2009 pleno de êxitos.

"É incrível que a natureza peça ajuda , mas o mais surpreendente é que ninguém ouve !festas felizes!

És increïble que la natura demani a crits ajuda, però més increïble és que ningú l'escolti !!bones festes!!

Es increíble que la naturaleza pida a gritos ayuda, pero más increíble es que nadie la escuche !!buenas fiestas!!

É incrible que a natureza pida a gritos axuda, pero máis incrible é que ninguén a escoite !!boas festas!!

Es incresible que la natura demande a crits ajuda, totun mai incresible es que degun l'escote !!bonas fèstas!!

Ei incresible qu'era natura demane a crits ajude, totun mès incresible ei qu'arrés l'escote !!bones hèstes!!

Sinestezina da naturak laguntza premia izan dezan, baina sinestezin gehiago da inor entzun ezan !!jai onak!!

It is incredible that the nature prompted cries for help, but more amazing is that nobody listens !good holiday!

Il est incroyable que la nature a incité appels à l'aide, mais plus étonnant, c'est que personne ne l'écoute !bonnes vacances!E incredibile che la natura ha indotto grida di aiuto, ma più sorprendente è che nessuno ascolta !buona vacanza!

これは、自然に助けを求め信じられないほどですが、より素晴らしい叫び、誰も聞いています!グッド休日!

Это невероятно, что характер побудили крики о помощи, но более удивительным является то, что никто не слушает !xороший праздник!

Sangat menakjubkan bahwa alam cries diminta untuk membantu, tetapi lebih menakjubkan adalah yang tak mendengarkan !baik liburan!On uskomatonta, että luonto kehotetaan itkee apua, mutta ihmeellistä on se, että kukaan ei kuuntele !hyvä loma!

ومن لا يصدق أن طبيعة دفعت صرخات للمساعدة ، لكن المدهش أكثر هو أن أحدا لا يستمع! جيد عطلة!

Es ist unglaublich, dass die art gefragt schreit um hilfe, aber umso erstaunlicher ist, dass niemand hört zu !gute urlaub!

令人難以置信的是,提示的性質呼救,但更加令人驚奇的是,沒有人聽 !良好的節日!그것은 자연을 묻는 메시지가 대단하다고 도움을하지만, 더 놀라운 울고 아무도 듣지도있다 !좋은 휴가!

To je nevjerovatno da je priroda glasno zatraži za pomoć, ali više zadivljujuća je da nitko ne sluša !dobar odmor!

Είναι απίστευτο ότι η φύση ζητηθεί κραυγές για βοήθεια, αλλά πιο εκπληκτικό είναι ότι κανείς δεν ακούει !

Καλές διακοπές!זה מדהים כי טבע הנחיה בוכה לעזרה, אך יותר מדהים הוא שאף אחד לא מאזין! טוב החג!

Het is ongelooflijk dat de aard kreten om hulp gevraagd, maar meer verbazingwekkend is dat niemand luistert !goede vakantie!

Це неймовірно, що характер спонукали крики про допомогу, але більш дивним є те, що ніхто не слухає !xороший свято!

Nó là sự mở rộng mà tính chất nhắc cries để được giúp đỡ, nhưng tuyệt vời hơn là không ai lắng nghe !tốt tốt nhất!Det er utroligt, at arten bedt råb om hjælp, men mere forbløffende er, at ingen lytter !god ferie! "