Dos 600 projectos foram seleccionados 10 finalistas, entre os quais está o projecto do arquitecto português David Mares. É neste projecto que entra a cortiça, aliás a cortiça é mesmo o elemento do qual é feito o abrigo.O "CBS - CORK BLOCK SHELTER " é um abrigo construído na versátil cortiça. Mas como se não bastasse a já honrosa posição de pertencer ao TOP 10 deste concurso neste momento o abrigo de cortiça está em 3º lugar na votação do público. Pf acedam ao site do concurso e votem na cortiça -https://webmail.netcabo.pt/exchweb/bin/redir.asp?URL=http://www.guggenheim.org/new-york/education/sackler-center/design-it-shelter/vote-for-shelters! Além do prémio do público, este concurso contempla também um prémio atribuído por um Júri, que será divulgado na Guggenheim Museum’s 50th Anniversary Celebration, no dia 21 de Outubro.
um espaço aberto para comentar a Arte, a Cultura e o Património da Região de Alcobaça: tanto no passado como no presente e actualidades .
segunda-feira, setembro 28, 2009
VOTEM NA CORTIÇA
Dos 600 projectos foram seleccionados 10 finalistas, entre os quais está o projecto do arquitecto português David Mares. É neste projecto que entra a cortiça, aliás a cortiça é mesmo o elemento do qual é feito o abrigo.O "CBS - CORK BLOCK SHELTER " é um abrigo construído na versátil cortiça. Mas como se não bastasse a já honrosa posição de pertencer ao TOP 10 deste concurso neste momento o abrigo de cortiça está em 3º lugar na votação do público. Pf acedam ao site do concurso e votem na cortiça -https://webmail.netcabo.pt/exchweb/bin/redir.asp?URL=http://www.guggenheim.org/new-york/education/sackler-center/design-it-shelter/vote-for-shelters! Além do prémio do público, este concurso contempla também um prémio atribuído por um Júri, que será divulgado na Guggenheim Museum’s 50th Anniversary Celebration, no dia 21 de Outubro.
quinta-feira, setembro 17, 2009
MUNDO AO REVÉS
Gráfico do diário ABC
Deviamos ter vergonha por o mundo não ter governantes capazes e honestos.
quarta-feira, setembro 16, 2009
A DRª. MANUELA FERREIRA LEITE

Sou defensor da ligação Lisboa Madrid em TGV, não só pelo que representa este tipo de ligação (pouco mais de duas horas) com a capital Espanhola, mas pela possibilidade que dá na circulação rápida de pessoas e bens a preços muito aliciantes, tanto para ibéricos (portugueses e espanhóis) como para os estrangeiros visitantes de um e outro país. Há falta de argumentação e de ideias realmente válidas, a Dr.ª. Manuela F. Leite afirma que “iria suspender este projecto”, considerado unanimemente como estruturante para o nosso País e a Península Ibérica, mas a dita Sr.ª. disse ainda qualquer coisa como “Portugal não é nenhuma província espanhola e a Espanha não deve de interferir na política portuguesa”. Bem, se o ridículo fosse um desses vírus com que nos atemorizam a cada momento, não tenho duvidas que Portugal seria um caso muito sério de saúde pública. Mesmo assim desconfio da água que bebe boa parte dos nossos políticos. A Dr.ª Ferreira Leite, há falta de argumentação e ideias para Portugal, por muito utópicas que fossem, usa em campanha, o nome de um país, como o qual temos as melhores relações. Portugal é um região periférica, com uma população maioritariamente conservadora, carente e pouco ilustrada, onde a propaganda barata e atávica em tempo de eleições arrebata os mais crédulos e continua a fazer os estragos que há muito padecemos, no País do "LEVANTAI HOJE DE NOVO". É estranho e sinistro que em pleno século XXI, em Portugal possa haver líderes que apenas para caçarem votos utilizem o medo de fantasmas salazarentos, há muito supostamente afastados, de um povo que quer modernizar-se e viver de forma mais culta e ser verdadeiramente Europeu, como merece.
quinta-feira, setembro 10, 2009
quarta-feira, setembro 09, 2009
terça-feira, setembro 08, 2009
sábado, setembro 05, 2009
SOLIDARIEDADE SOCIAL, SEMPRE!
No passado, pobres eram os sem-terra, os mendigos, os órfãos, os estropiados ou leprosos abandonados; «abria-se-lhes a mão» para um prato de sopa. Hoje, esses ditos aplicam-se às vítimas das injustiças sociais e aos marginalizados, que sempre haverá sejam as sociedades as mais tendencialmente justas e politicamente igualitárias. Embora continue haver esfomeados a quem se deve «abrir a mão», é sobretudo necessário «dar a mão» aos sem-trabalho, aos solitários, aos idosos, aos toxicodependentes, aos imigrantes e aos marginalizados. O lema «Pobres sempre os tereis convosco» torna-se «Marginalizados tê-los-eis cada vez mais».
Até um passado recente, a solidariedade só era obrigatória relativamente aos «nossos», aos «de cá» («do teu pobre em tua terra»). E competia à vizinhança. Hoje há o Estado que assume a resolução dos problemas macro-sociológicos. A partir daqui, a sociedade com, à frente, os políticos, remete a questão para o Estado burocrático. Ora, a solidariedade é um movimento centrífugo, parte do indivíduo para o seu próximo, duma família ou duma rua para a outra, do centro para a periferia. Portanto, esperar que as propostas de solidariedade venham do Estado burocrático é uma maneira de perpetuar as situações de privilégio.
Isto vem a propósito do actual período político e da crise económica em que entrámos. A solidariedade social devia ser uma preocupação prioritária dos municípios. Durão Barroso disse em 17.2.2002: «Comigo, não heverá um novo europorto internacional enquanto houver crianças à espera, três anos, para serem operadas». Os candidatos às autarquias - donde deviam partir os movimentos de solidariedade social - deviam ter como regra: «Conosco, não haverá uma nova estrada ou rotunda, um novo centro cultural, mercado, biblioteca ou edifício da Câmara, campo de futebol, renovação dum jardim ou instalação de um qualquer efeito estético-urbano, enquanto houver no nosso concelho um desempregado sem meios de subsistência, uma família sem luz, gaz ou água, uma criança sem creche, um idoso sem lar, um doente sem assistência, um toxicodependente sem apoio...». E cumprir.
Também alguém devia propor às Igrejas que se reclamam de Jesus Cristo, grandes e pequenas, que mandassem às urtigas o seu curriqueiro palavreado esotérico-moralista, sexista, discriminatório (que não é de origem mas criado pela História) e apontassem para o fundamento do Cristianismo, o seu sinal distintivo - «a religião do amor» - e que podia fazer dele a religião do futuro: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo»; por «próximo» entende-se um necessitado qualquer, que pode ser um estrangeiro ou de outra religião (Lucas 10:25-37). Querem melhor? Alguém disse: «Se a Igreja católica tivesse orientado para a luta contra a pobreza os esforços que tem feito na repressão da sexualidade [família e casamento tradicionais, moral conjugal, celibato dos clérigos...] já não havia pobres no mundo cristão». Imagine-se o mesmo direccionamento dos dinheiros gastos em obras materiais (novas igrejas de luxo, pompas religiosas...). O mundo seria muito menos pobre.
Constatamos mudanças na linguagem da Igreja católica; a expressão «solidariedade social» começa a ressaltar; um bom indicador. Nas políticas municipais, por enquanto, o que vemos sobretudo é desperdício dos dinheiros públicos em obras públicas de luxo... num país de miséria.
segunda-feira, agosto 31, 2009
TURISMO DE SOL E PRAIA
( imagem publicada no Jornal de Leiria de 27/8/2009)Na actualidade, as modernas maneiras de entender o turismo têm igualmente outras tantas maneiras para concebê-lo. A partir dos anos 50, o turismo relacionado com o descanso, gerou um laser de Sol e Praia, que não pretendia mais do que romper com a rotina laboral. Do mesmo modo que a televisão significa o inicio de uma forma de viver, o automóvel representa uma nova maneira de nos relacionar, uma mudança radical na forma de perceber o espaço e o tempo. O acesso massivo ao automóvel e o desenvolvimento dos meios de transporte tornou possível uma percentagem elevada de pessoas em viajar a diário a cidades e a sair de férias. O turismo, nos seus múltiplos sentidos, e, mais concretamente o turismo de férias, é outra das características da nova cidadania que a cultura pós moderna universalizou através das práticas do ócio. Simbolicamente falando, a televisão é o grande turismo gozado na tranquilidade de um lugar. O “turismo” é a televisão em movimento e a proliferação do consumo ocular que se manifesta no Zapping, no circular no shopping da cidade, nos fins-de-semana no carro…, é a necessidade de ver, sobretudo, aquilo que é conhecido pela vista em fotos, filmes, programas de televisão e internet.
Nos nossos dias bastam cinco minutos e pouco mais de 600 euros na conta bancário, para planear umas férias em Punta Cana ( Republica Dominicana) ou no México, pela internet. Qualquer “um” pode gozar uma semana em ilhas ou praias paradisíacas da Republica Dominicana às Seychelles ou Antilhas. O preço inclui oito noites em hotel, voo, deslocações e seguros de viagem… O resto paga-se à parte!
Um estrangeiro, com dúvidas para onde ir no verão, pode escolher um pacote com estas características a um preço nada superior àquele que gasta para vir a Portugal. A comparação pode mostrar de forma clara o problema que enfrenta o turismo Português.
O tempo das vacas gordas, quando o número de estrangeiros aumentava sem parar, não foi aproveitado para sentar as bases de um modelo sustentável a médio e longo prazo.
Em vez disso, deu-se a devastação sistemática ou sustentada do nosso litoral com tropelias urbanística num grave e enorme saque, para o património natural e paisagístico, e permitiu a uma só geração consumir recursos que deveriam de durar séculos. Apenas o optimismo antropológico dos nossos governantes, para não designar outra coisa, tem sido insensível.
Nazaré: Sítio local perigoso I from António Delgado on Vimeo.
quarta-feira, agosto 26, 2009
GENERAL SIR HEW WHITEFORD DALlRYMPLE

Nos séculos XVII, XVIII, com a secularização do ensino, sobretudo nos países protestantes, os livros de viagens surgem como um género literário muito apreciado, por registarem os costumes exóticos e pitorescos de paragens longínquas; um fenómeno informativo que nos nossos dias pode ser entendido como um princípio da era da globalização. Estes livros foram determinantes para iniciar áreas do conhecimento tão importantes como a antropologia, a sociologia, a etnografia e até mesmo a arqueologia, recordemos apenas Joachim Winckelmann. Estavam reunidas as condições para as teorias sobre a cultura e a sua história despontarem com Jacob Burckhardt.
“Hoje ao meio dia, o termómetro marcava dezasseis graus. Deixamos a Batalha e, depois de ter atravessado duas léguas com muitas oliveiras, encontramos à nossa esquerda alguns montes incultos, e depois trigos da Turquia e vinhas até Alcobaça; são três léguas feitas em três horas. Encontramos nessa jornada muito pouca gente e visto poucas casas e povoações. Afonso Henriques, passando por este sitio a meados do século XII, para ir sitiar Santarém, fez voto, se vencia na sua empresa, de construir neste lugar um convento de frades; por conseguinte tendo conquistado o sitio, escalando-o, empregou o espólio que havia obtido nessa guerra contra os mouros para fundar este mosteiro, que dotou ricamente. O nome de Alcobaça vem de que esta cidade está na confluência dos rios Alcoa e Baça. O convento é uma grande massa de edifícios góticos; as adições modernas que lhe têm feito desfiguram-no singularmente; a sacristia da igreja é muito rica. A comunidade está composta de cento e trinta monges bernardinos que gozam, como me disseram, de 250.000 libras de renda e vivem magnificamente. Comi com o prior, de quem recebi toda a classe de atenções; mas... ! que vergonha que estes guias celestiais possuam tantas riquezas na terra e não as utilizem noutra coisa senão para vegetar na preguiça e na ociosidade, em prejuízo da sociedade. Existe aqui uma manufactura de batistas dirigida por alguns fabricantes de Escócia e da Irlanda; mas este estabelecimento está na sua infância. Vê-se também uma torre velha, construída pelos mouros, que não tem importância nenhuma. Daqui até Lisboa o pais está fechado entre o Tejo e o mar e todo ele é guarnecido por antigos postos dos mouros.O dia 7, de Alcobaça a Caldas existem quatro léguas, que fizemos em cinco horas, através de um país quase sem cultivo” Carta nº. XIII (tradução do original António Delgado)
Sobre este aspecto sempre me chamou a atenção o facto de Alcobaça não ter uma relação cultural forte com aquela terra além destes aspecto literário e mitológicos, já que, segundo a lenda, foi graças à conquista de Santarém que o mosteiro se construiu.
Sobre tudo o que poderia dizer a este respeito, limito-me apenas a afirmar que Alcobaça devia procurar mais aproximação com aquela terra, não só por existir um forte capital simbólico por explorar, mas também porque Santarém pretende ser reconhecida património da UNESCO. Assim que por diplomacia local, Alcobaça pode começar uma aproximação manifestando o seu apoio aquela pretensão. Os benefícios podem ser muitos, desde políticas turística , a aspectos universitários e agrícolas; cabe ao engenho local definir estratégias e tirar partido. O património histórico, artístico e outras variantes culturais das duas regiões podem ser um capital político e económico de recursos infindáveis para as duas terras. Além destes aspectos e das questões simbólicas as duas regiões estão ainda unidas por um parque natural que é outro capital turístico por explorar.
Quanto à descrição é interessante de ver como Dalrymple nos deixa uma visão da paisagem com oliveiras, vinhas e searas de trigo, transformada nos nossos dias em campos abandonados e por cultivar, só possível graças ao empenho dos sucessivos governos para institucionalizar o viver de expediente, imposto pela política de subsídios agrícolas de contornos muito duvidosos.
Ainda não há trinta anos viam-se na região muitos olivais. Reflexo disso era a quantidade de lagares de azeite existentes no concelho. O meu avó "Tjaquim D’Assenha", tinha um na freguesia de Turquel que trabalhava dia e noite de Outubro a Janeiro, como muitos outros. Quantos lagares existem hoje no concelho e inventariados numa rota turistica? Tem a câmara estudos estatísticos sobre estas matérias ou outras relacionadas com a agricultura do concelho? E a Estação Vieira Natividade? Que publicações edita ou que investigação faz a este respeito e de interesse para o esclarecimento geral dos agricultores, da história da agricultura na região e do seu desenvolvimento em geral?
Quando era criança lembro-me de existirem muitas vinhas e searas por toda a região e dos espantalhos que as assinalavam. Um marco na paisagem de uma forma de vida que o imaginário colectivo está em vias de esquecer. Os meus avós punham-me a guardar os seus trigais tocando “chanfalhos” velhos para afugentar a passarada. Um trabalho de que me orgulhava de fazer e contribuía para a minha integração na comunidade... e não me queixava de exploração infantil!
Hoje em dia é mais bonito, e um valor social assente, intoxicar a juventude com ideologias e todo o tipo de produtos para que os consumam e vivam à custa de pais com salários baixos, e nalguns casos em atraso, infectando-se deste modo a convivência familiar e social. Em vez de se sociabilizar a juventude por meios úteis ao seu bem e ao bem comum, intoxicam-na com o consumo fácil, a dependência, e o viver de expediente. Apesar de reconhecer que existe exploração infantil, não consigo ver onde começa e onde acaba, o que é discurso ideológico e de moda, ou quem parasita e manobra este tipo de questões.
quinta-feira, agosto 13, 2009
O QUE É QUE A IGREJA CATÓLICA TEM A VER COM O CASAMENTO CIVIL?

ARTIGO DE OPINIÃO DO PROF. MOISÉS ESPIRÍTO SANTO, PUBLICADO NO JORNAL DE LEIRIA, EM 30 DE JULHO E QUE RECOMENDO VIVAMENTE.
Pergunta-se: O que é que a Igreja tem a ver com o casamento civil? Uma questão tão pertinente como estoutras: O que é que a Igreja tem a ver com o emparcelamento das propriedades? Ou com o Código da Estrada? Ou com o Direito Contratual? César das Neves é um conhecido pregoeiro das posições fundamentalistas de alguns católicos (que são as de Bento XVI), mas quanto conheço da hierarquia da Igreja portuguesa, esta não alinha assim tanto, concebendo como mais vantajosa a Separação, a doutrina do Evangelho que diz: «A César o que é de César e a Deus o que é de Deus» (Mateus, 22,21), quer dizer, «ao Estado o que é do Estado, à Igreja o que é da Igreja».
O casamento «civil» não é um acto religioso, nem obriga os católicos. Se, por causa desta questão, houvesse uma guerra religiosa, ela seria provocada pela Igreja por se intrometer no que não lhe diz respeito. A guerra religiosa seria legítima se o Estado interferisse no sacramento católico do Matrimónio.
E até podíamos perguntar: «O que é que a Igreja tem a ver com o casamento, simplesmente»? Os povos sempre se casaram como as leis civis regulamentavam (ou não). A Igreja procura confundir «casamento (civil)» com o sacramento católico do Matrimónio. Mesmo aqui, os católicos tementes a Deus que queiram casar-se só pelo civil, estejam à vontade: não foi Jesus quem instituiu o sacramento do Matrimónio Este só data de 1215 (IVº Concílio de Latrão) e só foi incluído na lista dos Sete Sacramentos, «condições da Salvação», no Concílio de Trento (1570). Até 1215 não havia Matrimónio, mas só uma união civil. Jesus nunca falou de casamento, embora tivesse participado em bodas de casamento. Aliás, também nunca se referiu à sexualidade, hetero, homo, bis, trans ou seja qual fôr. O casamento bíblico, antes e durante a vida de Jesus Cristo e dos Apóstolos, era unicamente um contrato civil. Até era legitimamente polígamo, e com possibilidades de ruptura ora com o repúdio da esposa pelo marido ora com um divórcio igualitário. Jesus condenou o repúdio, mas não o divórcio igualitário. Excepto o repúdio, Jesus e os Apóstolos não tocaram neste regime bíblico, nem condenaram a poligamia. No entanto, a Bíblia, Jesus e os Apóstolos condenaram - e veementemente - o adultério que equivalia a um crime contra um contrato de exclusividade e contra a propriedade privada.
Numa época como a nossa, de egoísmo e de solidão individual, e no sentido de expurgar todas as formas de descriminação (que também é um ideal do nosso tempo), o melhor para a Igreja seria dedicar-se à defesa da fraternidade, do amor, da igualdade, da harmonia e solidariedade entre os humanos, independemente do género e das instituições civis: «Amai-vos uns aos outros como eu vos amei» (João 13,14). O casamento entre pessoas do mesmo sexo conjuga-se melhor com estas palavras luminosas do que o segregacionismo católico. Se este prevalecer e se, por acaso, os gays, lésbicas e transexuais descobrem o que São Pedro disse ao centurião Cornélio, a saber, «Deus não faz descriminação de pessoas» (Actos 10,34), os descriminados podem sentir-se obrigados a sair para a rua e gritar «Com Jesus Cristo, contra a Igreja!».
domingo, agosto 02, 2009
CAMPANHAS E TENDÊNCIAS

Aqueles que pertencem ou simpatizam com um partido e crêem que têm ideias, porque se inclinaram por uma ideologia, não acodem mais do que aos comícios desse partido. Dai que as ovações sejam enganosas. Se fosse possível mudar esse público para o sítio onde actuasse um político rival, este seria insultado, por muito eloquente que fosse o seu discurso e as suas ideias.
Os discursos políticos procuram sempre o aval do auditório e por isso terá que dizer-se só aquilo que ele gosta de ouvir, com algumas repetições obrigadas, no caso de não terem percebido à primeira nem à segunda.
Estudos credenciados revelam que a maioria do eleitorado decide a candidatura ou partido no qual vota muito antes de se celebrarem os comícios, inclusive com uma apreciável antecedência do início da campanha eleitoral. Deduz-se que os gastos milionários dos distintos partidos resultam bastantes inúteis e no melhor dos casos somente captam uma pequena percentagem de indecisos. Está claro que quando uma ideia se mete na cabeça de alguém é dificílimo mudá-la. Uma convicção converte-se em fixação. Rectificar algum aspecto ou apreciar a possibilidade de uma situação nova parece uma deslealdade. Estas pessoas são como alguns membros de júris de concursos de literatura, pintura ou até de professores. Antes de analisarem os processos, currículos ou o trabalho dos concorrentes, já estão de capa e espada a defender um dos elementos a concurso, e se os membros do júri lhes perguntam porque não ponderam ou lêem os currículos, têm a resposta pronta e expressam-na de forma bem clara: “é para não me deixar influenciar”.
Há tempos, nas eleições municipais francesas, metade das pessoas eram mulheres. Era a consequência das cotas derivadas da lei de paridades, que supõe um progresso considerável a anteriores percentagens. Preferiria que os eleitos o fossem pelas suas capacidades. É possível que o número de mulheres fosse maior que o dos homens; ou não, mas seria aproximadamente justo (a justiça só se consegue por aproximação). Nada se opõe a que coincidam os méritos com a maioria feminina ou vice-versa. Não gosto das descriminações positivas, porque sempre são negativas para outros. A realidade é que ainda são positivas para os homens, admitindo (como é muito possível) que as suas carreiras, as suas designações, as decisões dos seus partidos, obedecem à regra do macho. Sem contar com os países nos quais as mulheres estão atadas às suas próprias roupas. Apesar das cotas, as mulheres poderão exercer os seus postos tão mal como os homens. Se nas eleições autárquicas as pessoas conhecem melhor em quem votam, nas legislativas as listas dos partidos são fechados e sem modificações, cheias de desconhecidos, de suspeitas de medo pelo que irão fazer e se algum é corrupto. É enfadonho verificar como os grandes partidos vão perdendo a confiança dos cidadãos. As últimas eleições europeias já o demonstraram. Parece-me verificar que em Portugal há uma tendência muito centrípeta de esquartejamento, como nas gravuras antigas de história onde se via um regicida atado pelas extremidades e pela cabeça a cinco cavalos que galopariam em direcções distintas. Devo dizer que sou partidário da igualdade, da fraternidade e da liberdade, porque me parece ser esse o espírito da época em que vivo. Atemoriza-me que a sociedade se fragmente entre homens e mulheres, lisboetas e portuenses, idosos e jovens, portugueses de cor e portugueses brancos, emigrantes e autóctones e por aí fora.
quinta-feira, julho 23, 2009
PORQUE NÃO?

Este cenário desolador está a provocar uma desertificação sem precedentes e não são medidas voluntaristas nem semânticas de pífaro como “Novas Centralidades”, “Novas Alcobaças”, “Campos de Golfe”, anglicismos do tipo “Resorts”, nem anúncios de “Instituições muito estranhas e ambíguas aos interesses de Alcobaça” que irão inverter a situação vivida no nosso concelho.
Com tantas iniciativas neste tempo de eleições, será que o PSD anda a tratar da vida dos seus munícipes ou da vidinha de alguns dos seus conhecidos militantes? Com tanta ideia genuína saída do cérebro dalgum dos militantes deste partido e orientadas pela plêiade de "sábios" que costumam convocar, porque não propõem trazer o CENTRO DE OPERAÇÕES AEROESPACIAIS DA NASA, para o mosteiro ou mesmo um aeroporto para aviões low cost, COM PISTA NO TERREIRO EM FRENTE AO MONUMENTO?
FÉRIAS DOS PORTUGUESES 2009

quarta-feira, julho 22, 2009
FALECEU O PADRE SIOPA

Faleceu o Pe. Alexandre Siopa ,
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terça-feira, junho 30, 2009
ALCOBAÇA EM VIDEO
EXCELENTES IMAGENS DE ALCOBAÇA , NUM VIDEO REALIZADO PELO MEU QUERIDO AMIGO RUI ALMEIDA, EDITOR DO BLOG DEIXANDAROBARCO
A MINHA TERRA MERECE SER DIVULGADA EM DETALHE E IMAGEM VIVA. SÃO TAMBÉM PROPÓSITOS DESTE BLOG CONCEBER ESTA IDEIA. HÁ MUITOS ALCOBACENSES ESPALHADOS PELOS CINCO CANTOS DO MUNDO QUE SEGUEM OS ECOS E COMENTÁRIOS PARA ESTAREM MAIS PRÓXIMOS DO ESPAÇO QUE UM DIA OS VIU NASCER E QUE NO SEU CORAÇÃO TANTO GUARDAM E ESTIMAM. ESTAS IMAGENS SÃO PARA ELES E TAMBÉM PARA TODOS OS AMIGOS QUE HABITUALMENTE OU FORTUITAMENTE VISITAM ESTE ESPAÇO E DEIXAM O SEU INESTIMÁVEL COMENTÁRIO, MAS QUE POUCO OU NADA CONHECEM DE ALCOBAÇA CIDADE CAPITAL DO CONCELHO. A TODOS, AS MINHAS MAIORES SAUDAÇÕES. IREI MANTER O MEU DIÁLOGO SINCERO E COMO HOMEM DA IMAGEM, AGORA TAMBÉM, NOUTROS FORMATOS.
PS. Ampliar o vídeo para desfrutar melhor das imagens. O vídeo está a ser exibido em simultâneo no blog do Rui Almeida.
segunda-feira, junho 08, 2009
A COISA BERLUSCONI
Saramago um reconhecido defensor de causas, na Edição do El País de sábado refere-se a Berlusconi num artigo do qual faço uma tradução pessoal e para consultar o original basta um click (aqui).
A animosidade entre Saramago e Berlusconi também tem outros contornos, como a censura do politico em não permitir publicar obras do escritor português na editora Einaud, propriedade do primeiro ministro Italiano.

Não vejo que outro nome lhe poderia dar. Uma coisa perigosamente parecida a um ser humano, uma coisa que da festas, organiza orgias e manda em um país chamado Itália. Esta coisa, esta doença, este vírus ameaça ser a causa da morte moral do país de Verdi se um vómito profundo não o consegue esquecer da consciência dos italianos antes de que o veneno acabe corroendo as veias e destroçar o coração de uma das mais ricas culturas europeias. Os valores básicos da convivência humana são desprezados todos os dias pelas patas viscosas da coisa Berlusconi que, entre múltiplos talentos, tem uma habilidade “fenanbulesca” para abusar das palavras, pervertendo-lhes as intenções e o sentido, como no caso do “Polo da Liberdade”, que assim se chama o partido com que assaltou o poder. Chamei-lhe delinquente a esta coisa e não me arrependo. Por razões de natureza semântica e social que outros poderão explicar melhor que eu, o termo delinquente tem em Itália uma carga negativa muito mais forte que em qualquer outro idioma falado na Europa. Para traduzir de forma clara e contundente o que penso da coisa Berlusconi utilizo o termo na acepção que a língua de Dante lhe vem dando habitualmente, apesar seja mais que duvidoso que Dante o tenha usado alguma vez. Delinquência, no meu português, significa de acordo com os dicionários e a prática corrente de comunicação “ acto de cometer delitos, desobedecer leis e padrões morais”. A definição assenta na coisa Berlusconi sem nenhuma prega , sem nenhuma dúvida, até ao ponto de parecer-se mais uma segunda pele que a roupa que se põem em cima. Desde alguns anos a coisa Berlosconi vem cometendo delitos de gravidade variável, embora sempre de uma gravidade demonstrada. Para cumulo, não é que desobedeça leis mas, pior ainda, manda-as fabricar para salvaguardar dos seus interesses públicos e privados, de politico, empresário, e acompanhante de menores, e quanto aos padrões morais, nem merece a pena falar, não há quem não saiba em Itália e no mundo que a coisa Berlusconi há muito tempo que caiu na mais completa abjecção. Este é o primeiro-ministro italiano, esta é a coisa que o povo italiano duas vezes elegeu para que lhe sirva de modelo, este é o caminho da ruína ao que, por arrastamento, estão sendo levados os valores de liberdade e dignidade que impregnaram a musica de Verdi e a acção politica de Garibaldi, esses que fizeram da Itália do século XIX, durante a luta pela unificação, uma guia espiritual de Europa e dos europeus. É isto o que a coisa Berlusconi quer deitar no balde do lixo da Europa. Acabarão por permitir os Italianos?
terça-feira, junho 02, 2009
OS COUTOS DE ALCOBAÇA
A palavra couto vem nos dicionários com as seguintes acepções: terra de defesa, terra privilegiada; terra que não pagava impostos por pertencer a um nobre ou a uma ordem religiosa, refúgio e abrigo. Em relação a Alcobaça são as três últimas acepções que se enquadram mais no âmbito do termo “Coutos de Alcobaça”. O couto era então uma porção de terra demarcada com certas prerrogativas jurídicas diferentes das demais e quem nela se acoutava ou optava para viver/acoitar, ficava sobre a jurisdição da entidade possuidora daquele espaço. Espreitemos de forma rápida os conceitos e acoitar segundo esta jurisdição.
Acoitar: é um termo do princípio da nacionalidade e está unido ao povoamento. Na Idade Média o repovoamento do território português foi feito, em parte, à custa de criminosos/homiziados. Estas pessoas adquiriam liberdade e deixavam de ser perseguidas pela justiça se fossem viver para os territórios conquistados, dos quais alguns eram coutos. Esta medida tinha o efeito daquilo a que hoje podemos designar de reinserção social. Os criminosos tinham assim a oportunidade de voltar a fazer as suas vidas sem serem perseguidos pela justiça e tinham ainda porções de terra doadas como aliciante suplementar para se fixarem. No entanto não devemos esquecer que essas zonas designadas por couto eram por vezes zonas fronteiriças e, em caso de invasão, eram estes colonos o primeiro escudo a travar as investidas do inimigo. A instabilidade pelas algaradas constantes de muçulmanos e de cristãos, incitaram os reis a instituir estas zonas de liberdade aparente. Para os homiziados a liberdade tinha este preço.
Visto de outro modo, estas pessoas acabavam por ser utilizadas como batentes contra os invasores e, em nome de uma falsa liberdade, hipotecavam a sua vida transformando-a em simples carne para canhão de forma politicamente correcta para o poder de então. Para o poder esta reinserção preenchia igualmente duas funções, o povoamento e a defesa do território. O aparente aspecto de liberdade era a subtileza destes duas funções.
Em Alcobaça as crónicas são claras: no principio, o mosteiro foi arrasado e as pessoas passadas à espada. No entanto, por questões ideológicas compreensíveis, os cronistas só se referem ao massacre dos, à época, pouco monges.
Estes subterfúgios políticos que consistiam em perdoar os criminosos coutando-os nos lugares fronteiriços, devia tranquilizar o rei, a nobreza e o próprio clero. Deste modo sabiam onde os tais criminosos potenciais se encontravam, além de os manter afastados dos centros de poder e do “bom viver”. Estes aspectos de uma antiga vivência local que a história tende a omitir, podem ser um dos indícios a partir dos quais, sociologicamente, se podem entender a falta de desenvolvimento económico, social, industrioso, reivindicativo, além da ostentação que caracteriza muitas das regiões de Portugal que foram coutos no passado, tal como foi a região de Alcobaça. Os lugares têm fantasmas culturais e, na região de Alcobaça, parece que a força deles ainda continua a ser enorme.
Acoitar: Se a norma que referimos pode ser exemplo até ao séc. XIV, uma outra surge já com a consolidação nacional e os termos couto ou acoitar-se relacionam-se agora também com os espaços religiosos, igrejas, mosteiros, ermidas e seus espaços envolventes. Nestes lugares os homiziados fugidos à lei podiam encontrar protecção legal contra a justiça secular, como bem prescrevem as constituições sinodais. A justiça secular não podia prender nenhuma daquelas pessoas acoitadas naqueles lugares, salvo crimes de sangue. Ao acoitar os homiziados, os templos e espaços envolventes tornavam-se lugares muito mal frequentados e de gente “rasteira” e de “baixa-mão” . Aí vivia, anos atrás de anos todo o tipo de marginais construindo pequenos “bairros” que iam crescendo com o passar do tempo. Alcobaça não foi excepção: a primeira “urbanização”, feita no lugar depois da instalação dos monges, junto ao mosteiro, foi obra e engenho de foragidos.
“Fora do muro (...) não havia nem casas seculares ainda no tempo de D. João I (...) variou-se esta forma antiga e foi-se introduzindo a povoação moderna por esta razão ou motivo: como a clausura era, dilatada e os monges caritativos os criminosos de todo o reino vinham meter-se dentro da dita clausura para serem seguros de Justiça; e como não podia ser, que vivessem, nem dormissem dentro das oficinas regulares, foi consequência necessária os tais criminosos fizessem suas casinhas onde se recolhiam”.
Com o passar dos anos, outros tipos de pessoas também fizeram as suas casas em redor do mosteiro e dentro da cerca. Isto representava uma certa “profanação” daquele espaço e motivou o protesto de um abade junto do rei D. Manuel, porque a perturbação e inquietação dos religiosos era muita. No entanto, aquela povoação “sempre fora coutto para (...) homisiados de muitos casos, que a ela acolhião e porque ali com tamanho crescimento mais do que sohia se vinhão ahí mais pessoas viver e acolher por respeito do ser coutto do que cumpria para a honestidade e socego da dita, e além desto os moradores do dito lugar e couto recebião muita fadiga, e opressão dos que aly se acolhiam e lhe destruyão seus bens, e fazendas do dito mosteiro”.
Pela descrição, o panorama devia de ser de verdadeiro temor e em certos momentos como dos bairros de Portugal que os noticiários nos mostram. Estes factos que se passaram no séc. XVI motivaram o abade geral de então Frei Jorge de Melo a fazer um requerimento ao rei D. Manuel, protestando pela situação, para que esta comunidade fosse viver para um novo lugar que se chamaria Vila de S. Bernardo. O lugar esteve para ser na Vestiaria, uma povoação cheia de memórias também interessantes que a seu tempo alguma história comentarei. Pensamos que a "urbanização" dos homiziados nunca se mudou de Alcobaça, daquela zona privilegiada em frente do mosteiro...presumo.
Em 1 de Setembro de 1583, D. João III mandou publicar um alvará que determinava o seguinte:
Le. I. Da mudança do couto de Alcobaça para Alfeizerão.
Mandou el rei Dõ João.III que sancta gloria aja, aa petição do Cardeal Infante Dõ Affonso seu irmão, que o couto de alcobaça se mudasse para a villa de Alfeizirão, que he do dito moesteiro, e valesse a todolos maleficios tirando estes: Heresia, traição, aleive, sodomia, morte de proposito. Per hu alvará de. II de Septembro de. 1538. Fol.143. do livro.2 Duarte Nunes de Leão. Leis Extravagantes e repertório das ordenações. Em Lisboa per António Gonçalvez. Anno de M. D. LXIX. Pág. 178 (verso).
sábado, maio 30, 2009
SOBRE O NOME DE ALCOBAÇA (Recordando)

Alguns autores esforçaram-se para demonstrar que o nome de Alcobaça provem do latim, do árabe ou do hebreu e também pela junção do nome dos dois rios que convergem na povoação. Nunca percebi porque é que o mesmo exercício intelectual não se faz ao contrário: derivar o nome dos rios do nome do lugar.
O curioso destas teorias é que elas só conseguem justificação a partir de uma tabela linguística da qual apenas faz parte o latim o hebraico e o árabe, que são as línguas das três religiões monoteístas que se disputaram na península ibérica. Este aspecto é suficiente para entender que a explicação do nome de Alcobaça está condicionado por aspectos ideológicos. Mas existe outro detalhe curioso para juntar ao anterior, que é estas explicações surgirem apenas de fontes religiosas e registadas num tempo em que o catolicismo dominava a comunicação e recolhia ou inventava estas teorias, retirando-as das outras culturas que ia suprimindo. Deste modo nenhuma outra lhe fazia frente e o caminho estava livre para reivindicar a sua tutoria moral e cientifica sobre as consciências humanas, já que possuía o monopólio do saber.
Clarificada a estratégia, ou separado o “trigo do joio”, podemos verificador que a ideia de derivar destas línguas o nome de Alcobaça, tem ainda a intenção de fazer crer aos menos avisados, que só se falou nesta região depois da chegada daqueles idiomas, ou que o lugar não era habitado, ou então levar o leitor a pensar que os antigos habitantes da actual região de Alcobaça viviam na mais completa mudez. Destas ideias ao messianismo ou à soteriologia vai um passo.
O mais estranho é que esta forma de pensar obscurantista e que pretendia esterilizar os canais do conhecimento ainda hoje persiste e é registada com o maior ar de ciência pelos chamados investigadores de caneta ligeira ou então pelos oníristas, como na gíria sociológica se designam certos licenciados em historias ou mesmo em letras.
O estudo da origem do nome de Alcobaça, vincula-se com a linguística, uma ciência que é pouco ou nada experimental e pouco aberta a estudos comparativos, e que só raras vezes admite outras matrizes além da latinista. Ao escolher falar da origem do nome de Alcobaça não me move a intenção de revelar uma teoria nova sobre o assunto, até porque penso que saber a origem do nome de Aalcobaça é como procurar o “rasto do voo de uma ave no céu”. É intenção mostrar que o problema está envolto por questões ideológicas e paradoxos que o limitaram e o que se tem afirmado é fácil de refutar, sobretudo as explicações sobre uma origem árabe.
Vejamos num pequeno exemplo como se deturpa a realidade e como num mesmo autor se podem encontrar contradições. No Livro “ Mappa de Portugal”. do padre João Bautista de Castro. Editado em Lisboa na Offic. De Miguel Manescal da Costa, Impressor do Santo Officcio. Anno de M.DCC. XLV. Encontramos a seguinte informação sobre os rios que passam na povoação.
Alcôa. Corre pelas terras de Alcobaça, a qual deve a este rio a origem do seu nome ( Pag. 142 op.cit.)
Baça. Este rio, junta-se com outro chamado Côa, nasce da parte oriental de Alcobaça, e fazendo volta para ocidente, rega por grande espaço os fertilissimos campos da Mayorca, e Abbadia, até que junto da villa da Pederneira se mergulha no Oceano.(Idem. Pag. 150 e ss.).
Se acatamos estas informações vemos que rio Alcoa mudou de nome para Côa oito páginas adiante quando o autor descreve o rio Baça. Ou então este geógrafo revela-nos que um rio se sumiu da superfície da terra naquela região, pois não se deu conta do erro que cometeu. O erro deste padre é típico da ciência que se caracteriza pelo método boca à orelha e pelo saber do NÃO SEI... OUVI DIZER!
Apesar da contradição este religioso testemunha-nos que a ideia de derivar o nome de Alcobaça do nome dos rios já vem de longe.
A designação de Côa é corrente, em manuscritos, livros e documentos oficiais a partir do século XVII. Ainda no século passado era assim que se designava nas actas da câmara. A versão arabista de nomear Alcôa em vez de Côa, foi uma opção que a cultura local terá assimilado recentemente e julgamos que as duas formas de identificar um mesmo rio coexistiram desde tempos mais arcaicos, talvez pela influência dos mouros que terão ficado depois da reconquista. Um aspecto que a história local omite ou desconhece intoxicada e fechada que está no mosteiro nos conventos, nos frades e monjas. Boa maneira de distrair e desviar do mais importante. A verdadeira história de Alcobaça continua por conhecer.
Vejamos como seria o nome de Alcobaça se houvesse respeito à construção desta palavra pelo nome dos rios. Se à palavra Côa juntamos Baça, obtemos Coabaça. Como o linguarejar é dinâmico e procura o menor esforço na articulação dos sons, é possível que esta palavra sofresse uma corrupção linguista e com o tempo passaria a pronunciar-se Cobaça, Cubaça , Cabaça ou Quebaça.
Já repararam existe outro rio em Portugal que se chama Côa, e que nas suas margens se fizeram descobertas arqueológicas, o que provocou que o partido do actual governo transformasse o projecto de uma barragem em parque temático. Estas gravuras rupestres foram recentemente classificadas pela Unesco. Sabem que as margens do rio Côa, na nossa terra, à semelhança do Côa no Norte, também têm lugares arqueológicos onde se encontraram vestígios de antigos "Alcobacenses” que habitaram a região? Os tais que viviam na mudez! Ou sabem que esses lugares estão recenseados como dos primeiros núcleos de população que praticou a agricultura em Portugal? Imaginem que a palavra Côa fazia parte de uma língua muito arcaica da que se perdeu a memória e da qual subsistem palavras que são as designações de determinados lugares. Esta antiga língua era anterior ao hebraico, ao árabe e ao latim, que depois de colonizada e misturada com aquelas deu o actual crioulo que é o Português. Pensem nisto... Mas não comentem com certos latinólogos, nem certos arqueólogos porque parecem que ainda são muito misoneístas.
terça-feira, maio 26, 2009
POLITICOS: FALTA DE HORIZONTES LABORAIS

A lei portuguesa obriga os partidos políticos a apresentar listas ao Parlamento Europeu, à Assembleia da República e às eleições autárquicas.Se esta é a regra, porque é que a composição das listas é sempre um momento tenso e de confrontação interna nos partidos?
Formar listas é a ocasião para medir forças entre as facções existentes. Há militantes apoiados por certos dirigentes que preferem arriscar " a matar" o partido ou debilitar o seu espaço de acção a criarem consensos, no sentido de ser uma força política unida e ganhadora, mas sem a predominância deles próprios. Impõem nomes desconhecidos e sem relevo nas comunidades.
Determinados aspirantes são apenas peões de guerras pessoais, fomentadas no interior das concelhias e estimuladas por (alguns) imaturos presidentes de federações, com fins obscuros mas que nunca servem para o apaziguamento dos partidos como espaços irrepreensíveis de valores cívicos como deveriam ser. Muitas vezes os eleitores não estão a votar em candidatos mas a acentuar tricas internas perpetradas por aqueles a que Moita Flores designava no CM deste último domingo por “funcionários políticos com carreiras frustradas, preguiçosos impantes de vaidade e os caciques mais influentes da política partidária regional”.
Não serão estes preceitos alheios ao serviço público ao qual se destina a vida partidária na democracia? Não deveriam os partidos escolher os mais aptos e com mais aceitação na comunidade por virtudes demonstradas? Que beneficio têm as tricas partidárias para a sociedade ou que razões ocultam?
Em Portugal, o partido que controla um governo local tem poderes, através dos seus eleitos, para nomear cargos e assessores e enredar uma ampla teia de agências, fundações e empresa municipais com plena descrição em política de pessoal. O partido, em vez de zelar pelo bem público torna-se numa agência de empregos e qualquer cidade média portuguesa ou concelho, (entre 50 mil a 250 mil eleitores), acaba por ter umas dezenas ou centenas de pessoas cujo salário depende de o partido X ganhar as eleições. Isto gera diversos incentivos perversos para a corrupção.
Os “empregados públicos” de nomeação política têm um horizonte laboral limitado pela incerteza, (que está sempre nas próximas eleições) e, deste modo, são mais propensos a aceitar ou a solicitar subornos a troco de favores, que empregados, (públicos ou privados), com profissão estável e reconhecida não admitem. É sabido que boa parte dos que entram na política fazem-no por “dificuldades nos estudos, por se ser mau aluno e sem perspectivas de concorrer na sociedade civil e para arranjar um «emprego» bem remunerado e pouco trabalhoso, sem responsabilidades, com impunidades e imunidades. Apesar de todas as carências de saber resultantes desse início, seguem a carreira, podendo chegar a um topo. Hoje qualquer um pode ser político desde que conquiste a amizade de um político ou seu familiar, desde que se inscreva na JOTA e se mostre servil em relação ao líder local, aplauda nos comícios repita os slogans e bajule aos pés do chefe. Conquistará lugar de assessor, seguindo-se deputado, uns tachos.”
Por contraste, numa cidade europeia de 50.000 a 250.000 habitantes, de tradição calvinista ou luterana pode haver, incluído o presidente de câmara, mais duas ou três pessoas cujo salário depende do partido que ganhe as eleições. À diferença do que se passa nesses países, onde os políticos locais estão forçados a tomar decisões junto a funcionários que estariam dispostos a denunciar qualquer suspeita de favor, em Portugal toda a cadeia de decisões está, em mãos de pessoas que compartem um objectivo comum: ganhar as futuras eleições. Permitindo que se tolerem com mais facilidade comportamentos ilícitos, e que, ao haver muito mais em jogo nas eleições, as tentações para outorgar favores sejam igualmente mais elevadas.
Portugal deve de ser dos países (penso que não exagero) com o maior número de advogados nas suas administrações, com os resultados que todos conhecemos. É também a partir desta (má) visão aparentemente legalista que se permite uma margem de discricionariedade, nem sempre de acordo com a protecção do interesse público. Além disso o Chefe de Estado queixou-se há dias de que “as leis são mal feitas”. Será que alguém crê que a solução para a corrupção (local) consiste em ter advogados como governantes a regular todas e cada uma das actividades das administrações? in Região de Leiria

