domingo, agosto 15, 2010

"O BRAZILEIRO" de EÇA DE QUEIROZ


A publicação da carta de lei que criou o reino unido de Portugal, Brasil e Algarve, no inicio do s. XIX estabelecerá em pé de igualdade o Brasil com Portugal, levando à emigração de muitos portugueses para aquela parte, então, de Portugal. O facto em vez de aproximar acentuou a fractura entre os genuínos “ filhos da terra” brasileira e os imigrantes portugueses. Originou até importantes revoltas que a literatura tem explorado.
O imaginário português foi povoado durante o século XIX e princípios do século XX pelo Brasil, como sinonimo de emigração e enriquecimento fácil. Aventureiros, comerciantes, despojados, eram atraídos por esse imaginário, que sendo real para uns não foi para outros. Muitos partiram voltando desafogados e empreendedores. Há casos conhecidos em Alcobaça e alguma arquitectura de finais do XIX e princípios do século XX, de carácter colonialista, a eles se deve. (Uma realidade local ainda por contar).

Simultaneamente esse imaginário transformou-se também em anedotário nacional, como se transformaram nos anos 60 e 70, do sec. XX, os “TURISTAS DE ALCOCHETE” e os AVECs, (portugueses imigrados em França). A crónica que segue, bastante divertida por acaso, é a visão de uma elite ilustrada sobre os Portugueses que imigravam e voltavam desse imenso país que é Brasil. Um texto crítico e divertido de Eça de Queiroz, que é ao mesmo tempo um notável momento de analise psicológica lusa, ainda muito presente entre nós.
O texto está na escrita original do séc. XIX.



O Brazileiro



Fevereiro 1872.



"Ha longos annos o Brazileiro (nao o brazileiro brazilico, nascido no Brazil — mas o portuguez que emigrou para o Brazil e que voltou rico do Brazil) é entre nós o typo de caricatura mais francamente popular. Cada nação possue assim um typo criado para o riso publico. As comedias, os romances, os desenhos, as cançonetas espalham-n'o, popularizam-n'o, desenvolvem-n'o, aperfeiçoam-n'o, e elle torna-se o grutesco classico — que chega a ser motivo d'ornato indus­trial, cinzelado em castiçaes, aguardado em caixas de phosphoros, torneado em castões de bengala. A França tem o inglez de côco diminuto na nuca, de larga e aguda suissa em fórma de costelleta alourada, dentuça taluda, collarinho alto como um muro de quintal, rabona de xadrezinho, pé largo como uma esplanada, e ar lorpa: últimamente tem a mais o prussiano, d'immenso bigode na focinheira, cabello em bandos, capacete em bico, um sabré prodigiosamente insolente e um relogio de sala roubado debaixo do braço!
Nos temos o Brazileiro: grosso, trigueiro com tons de chocolate, pança ricaça, joanetes nos pés, collete e grilhão d'ouro, chapéo sobre a nuca, guarda-sol verde, a vozinha adocicada, ôlho desconfiado, e um vicio secreto. É o brazileiro: elle é o pai achinelado e ciumento dos romances román­ticos : o gordalhufo amoroso das comedias salgadas: o figurão barrigudo e bestial dos desenhos facetos: o maridão de tamancos, sempre trahido, de toda a boa anécdota.
Nenhuma qualidade forte ou fina se suppõe no brazileiro : nao se Ihe imagina intelligencia, como não se imaginam negros com cabellos louros; não se Ihe concede coragem, e elle é, na tradição popular, como aquellas aboboras de Agosto que soffreram todas as soalheiras da eirá: nao se lhe admitte distincçáo, e elle permanece, na persuasão publica, o eterno tosco da rúa do Ouvidor. O povo suppõe-n'o o author de todos os ditos célebremente sandeus, o héroe de todas as historias umversalmente risiveis, o senhor de todos os predios grutescamente sarapintados, o frequentador de todos os hoteis sujamente lúgubres, o namorado de todas as mulheres gordalhufamente ridiculas.
Tudo o que se respeita no homem é escarnecido aquí no brazileiro. O trabalho, tão santamente justo, lembra n'elle, com riso, a venda da mandioca n'uma baiuca de Pernambuco; o dinheiro, tão humildemente servido, recorda n'elle, com gargalhadas, os botões de brilhantes nos colletes de panno amarello; a pobreza, tão justamente respeitada, n'elle é quasi cómica e faz lembrar os tamancos com que embarcou a bordo do patacho Constancia, e os fardos de café que carregou para as bandas de Tijuca; o amor, táo teimosamente idealizado, n'elle faz rir, e recorda a sua espéssa pessoa, de joelhos, dizendo com uma ternura babosa — oh minina!
De facto, o pobre brazileiro, o rico torna-viagem, é hoje, para nós, o grande fornecedor do nosso riso.

Pois bem! É urna injustiça que assim seja. E nos os portuguezes que cá ficámos, não temos o direito de nos rirmos dos brazileiros que de lá voltaram. — Por que, emfim, o que é o Brazileiro? É simplesmente a expansão do Portuguez.
Existe urna leí de retraccão e dilatacão para os corpos, sob a influencia da temperatura. (Apprende-se isto nos lyceus, quando vem o buço). Os corpos ao calor dilatam, ao frio encolhem. A mesma lei. para as plantas, que ao sol alargam e florescem, ao frio acanham e estiolam. A bananeira, nos nossos climas, é urna pequena arvore tímida, retrahida, estéril: no calor do Brazil é a grande arvore triumphante, de folhas palmares e reluzentes, tronco possante, seiva insolente, toda sonora de sábiás e outros, escandalosa de bananas. Mesma lei para os homens. O hespanhol das Asturias, modesto, humano, discreto e grave — passando para o sol do Equador, nas Antilhas Hespanholas, torna-se o sul-americano vaidoso, ruidoso, ardente, palreiro e feroz. Pois bem! O Bra­zileiro é o Portuguez—dilatado pelo calor.
O que elles são, expansivamente -nos somol-o, retrahidamente. As qualidades internadas em nós, estáo n'elles florescentes. Onde nós somos á sorrelfa ridiculitos, elles sao á larga ridiculões. Os nossos defeitos, aquí sob um clima frio, estáo retrahidos, nao apparecem, ficam por dentro: lá, sob um sol fecundante, abrem-se em grandes evidencias grutescas. Sob o céo do Brazil a bananeira abre-se em fructo e o portuguez rebenta em brazileiro. Eis o formidavel principio! O Brazileiro é o Portuguez desabrochado.
É o sol de lá que nos fecunda. O Chiado sob os trópicos di intóramente a rúa do Ouvidor. Rirmo-nos do brazileiro é de nós sem piedade. Nós somos o germen, elles são o fructo: é como se a espiga se risse da semente. Pelo contrario ! o brazileiro é bem mais respeitavel, porque é completo, attingiu o seu pleno desenvolvimento: nos per­manecemos rudimentares. Elles estáo ja acabados como a abobora, nos embryonarios como a pevide. O Portuguez é pevide de Brazileiro!

Que somos nós? Brazileiros que o clima nao deixa des­abrochar. Sementes a que falta o sol. Em cada um de nós, no nosso fundo, existe, em germen, um brazileiro entaipado, afogado — que, para crescer, brotar em diamantes de peitilho, callos e predios sarapintados de verde, só necessita embarcar e ir receber o sol dos trópicos. Cada lisboeta, sabei-o, traz em si a larva d'um brazileiro. Nos aqui vestimos cores escu­ras, lemos Renán, repetimos París, e no emtanto cá dentro, fatal e indestructivel, está aboborando — um brazileiro.

Quem o não tem sentido agitar-se, como o feto no seio da mãi? — Fitaes as vezes uma gravata verde com pintas escarlates? É o Brazileiro a remexer por dentro. — Desejaes inesperadamente uma boa feijoada comida em mangas de camisa? É o Brazileiro. — Appetece-vos ir visitar a Memoria do Terreiro do Paco? É o Brazileiro, lá dentro. — Lembra-vos reler urna ode de Vidal ou urna falla de Melicio ? É o Brazi­leiro ! Elle está dentro de vós, lisboetas! Ah, sabei-o! vós estaes sempre no vosso estado interessante — d'um Brazileiro!
E queréis uma prova ? É o verão! É o cruel verão! Então sob a temperatura germinadora — o Brazileiro interior tende a florir, a desabrochar, a alastrar em cachos. Entáo começaes a deitar o chapeo para a nuca, a usar quinzena de alpaca, a passear depois do jantar com o palito na bocca, a exigir dos vendedores a agua do Arsenal, a frequentar a Deusa dos Mares! Sabéis o que é? É o Brazileiro, que la tendes den­tro na entranha, attrahido pelo sol, a querer romper!

Portanto quando nos rimos d'elle — intentamos a nós mesmos um processo amargo. No inverno a pevide contém a abobora: mas quando a abobora cresce no verão, é ella que contém a pevide. Nos cá contemos o brazileiro; elle lá, chegado ao Brazil, germina, brota em fructo, e nos ficamos-Ihe dentro. Ora se esmagarmos a abobora a grandes golpes de chacota, é sobre a nossa propria e rica pessoa que des-carregamos o riso fero. Tenhamos juízo ! Reconheçamo-nos n'elles como nós mesmos — ao sol!

Taes são as sabias verdades que soltamos de nossas máos. Aproveitai-vos, compatriotas!
E sobretudo certificai-vos que vos outros, que não deixaes a capital, não valéis mais que o minhoto que volta de Pernambuco.

O brazileiro nao é bello como Apollo, nem como o mais recente D. Juan: —mas tu, ó portuguez, tu tambem nao es bello, e se a tua bem amada t'o diz, é que não tem mais nada que te dizer e mente por mero deleite.

O brazileiro nao é espirituoso como Mery ou Rochefort: — mas tu, portuguez, não es certamente espirituoso! De cima dos embrulhos d'aquella tenda, quarenta folhetins t'o provam!
O brazileiro nao é elegante como o conde de Orsay ou Brummel: — mas tu, portuguez, dandy desventuroso do Chiado, ou contribuinte da rúa dos Bacalhoeiros, tens a tua elegancia dependurada no bom Nunes algibebe!

O brazileiro nao é extraordinario como Peabody que deu de esmolas cem milhões, nem como Delescluze que queimou París: — mas tu, portuguez, es táo extraordinario como urna couve, e aínda táo extraordinario como um chínelo.

Ora o brazileiro nao é formoso, nem espirituoso, nem ele­gante, nem extraordinario — é um trabalhador. E tu portu-guez não es formoso, etc. —es um mandrião! De tal sorte que te ris do brazileiro — mas procuras viver á custa do bra­zileiro. Quando vês o brazileiro chegar dos Brazis, estalas em pilherias: — e se elle nunca de la voltasse com o seu bom di-nheiro, morrenas de fome! Por isso tu — que em conversas, entre amigos, no café, és inexgotavel a trocar o brazileiro, — no jornal, no discurso ou no sermão, es inexhaurivel a glori­ficar o Brazileiro. Em cavaqueira é o macaco; na imprensa é o nosso irmao d'além-mar.

Brazileiro amigo, queres tu por teu turno rir do lisboeta ? A esse collete verde, que tanto te escarnecem, fecha bem as algibeiras; esse predio sarapintado d'amarello, que tanto te caricaturam, tranca-lhe bem a porta; esses pés, aos quaes tanto se accusam os j cañetes e os tamancos primitivos, nao os ponhas mais nos botéis da capital — e poderás rir, rir do carão amarrotado com que então ficará o lisboeta, que tanto ria de ti! "






sábado, agosto 14, 2010

TURISMO: cidades aprazíveis e lugares





Pela Europa abrem caminho as cidades aprazíveis e cómodas para o visitante. Os turistas urbanos dispostos a desfrutar de um grande fim-de-semana, cada dia são mais e pedem discrição. Há um novo tipo de visitante que busca uma cidade agradável na que se sinta como em sua casa e possa descansar de rotinas e encontrar um programa sociocultural que o satisfaça. Nesse sentido, as cidades voltaram a reivindicar a rua como espaço para a criatividade e a emancipação cívica, do mesmo modo que a dimensão política e social dos espaços públicos foi colocada no centro das discussões.
Quem acompanha o fenómeno da revitalização das cidades verifica como estas têm ampliado a sua oferta com novos museus, melhores restaurantes, novos hotéis, festivais variados aos quais se unem salas para teatro, auditórios e um forte impulso dado à gastronomia, às compras e obviamente a hotéis. A oferta de um valor diferenciador permite às cidades competir e, neste ponto, as tecnologias da informação e os serviços complementares são importantes para integrar uma cidade atractiva em conveniência num espaço de procura global.
Muitas das cidades médias na Europa protagonizaram, nos últimos anos, a sua própria revolução urbana e social, tendo em conta que um dos problemas maiores no espaço europeu passa pelo stress dos seus cidadãos. É por ele que o turista procura lugares relaxantes e cómodos, premiando aquelas cidades ou lugares que ofereçam maior índice de felicidade, melhor gastronomia e melhor qualidade de vida.
A maturidade da oferta e o enfraquecimento da procura tradicional aconselham assumir com mais rigor a necessidade de adicionar à oferta tradicional novas realidades que minimizem a vulnerabilidade do turismo frente às variações dos visitantes de rendas mais baixa. Melhorar a qualidade dos estabelecimentos hoteleiros e extra-hoteleiros estender as tecnologias da informação e serviços complementares são exigências básicas, como é o cuidado com o meio ambiente, para que este não seja uma realidade descurada, como recentemente se verificou com as algas em S. Pedro de Moel. Mas também é importante a atenção ao urbanístico. No distrito é lamentável como boa parte das cidades vilas e aldeias apresentam espaços urbanos degradados e nalguns casos em processo acelerado de desertificação. Pode-se encontrar as razões do facto na falta de visão e na insustentabilidade das políticas adoptadas pelos partidos e por estes gerarem “políticos” insensíveis e mal preparados, que ainda vão formar a sociedade civil com níveis de exigência baixos, amestradas segundo fórmulas como gerem a coisa pública.
Apenas com ponderação, ideias novas e orientações precisas, o mercado turístico na região poderá ampliar a sua limitada oferta, assente na praia e no turismo religioso, preterindo o valor da história e da cultura como realidades turísticas mais abrangentes e efectivas que seduzam clientes cujas preferências não sejam exclusivamente as de bronzearem-se a preços baixos em praias de águas geladas, perigosas, nalguns casos pouco vigiadas senão poluídas.
Como reparo, subestima-se por aqui que o actual turista é uma pessoa informada e independente e deixou de ser um simples consumidor de receitas concebidas em exclusivo para ela. O novo turista deseja experimentar com os próprios do local, os costumes, as actividades locais, associar-se aos eventos culturais... Por isso chega sem a mediação das agências de viagens, mas trás informação detalhada do lugar: compra bilhetes de avião, comboio, camioneta, reserva dos hotéis, das entradas de espectáculos e dos monumentos pela internet.
Neste sentido, há um enorme trabalho a fazer em torno das potencialidades da Web para a difusão dos produtos e das peculiaridades da região. São necessárias estratégicas mais competitivas, longe das contempladas nos planos das aferições compensatórias para os municípios do oeste pela não construção do aeroporto da Ota. Sobretudo estratégias criativas.
Deve-se favorecer uma melhoria na qualidade e variedade da oferta, contemplando as terras mais afastadas do litoral que atraiam turistas com um gasto médio mais elevado. Há realidades que o sector turístico e as autoridades envolvidas deverão equacionar para tratar de elevar os ingressos na região como uma importante fonte da sua balança de pagamentos, mas também na necessidade selectiva das entradas, compatíveis com o cuidado do meio para a própria sustentabilidade dessa galinha que ovos de ouro que é o turismo para um região que se pretende de excelência. António Delgado in Jornal de Leiria 12/8/2010

quinta-feira, dezembro 31, 2009

EXCELENTE 2010

A todos os leitores e comentadores deste
espaço desejos os mais sinceros votos de um excelente 2010

quinta-feira, dezembro 03, 2009

NOTAS SOBRE CORRUPÇÃO


Apesar do muito que se escreve sobre corrupção e suas formas, é estranho que quase ninguém faça propostas para limitá-la. Quase tudo não passa de ajustes éticos e alertas para a elite política, é mais ou menos como pedir por favor ao ladrão que não roube.
Este assunto, tão paradoxal como anormal, encerra curiosidades estranhas como esta: está na mão dos afectados a capacidade de mudar as normas. Que possibilidade tem a sociedade civil de actuar contra os arrojos desta nova casta pro-feudal (cheia de rendas sem trabalho e prebendas), que passa de um cargo ao outro sem problemas, independentemente das capacidades técnicas ou conhecimentos? Como?
- Apenas pelo voto.
Entretanto trocam sorrisos entre si, com uma cumplicidade doentia, quando se encontram nas inúmeras inaugurações, congressos, contubérnios ou saraus sufragados com o dinheiro de todos.
Eu proponho não votar futuramente (estou farto desta patranha estúpida que diz se não votas não crês ou não podes participar na democracia) até que um partido inclua no seu programa quatro propostas:

Listas abertas (votamos nas pessoas não nos partidos);

Um máximo de permanência em qualquer lugar eleito, de 8 anos, eventualmente 12 (não à politica entendida como profissão vitalícia);

Declaração de bens antes e depois da passagem por qualquer cargo político (ninguém deve enriquecer ilicitamente com o dinheiro público);

Aumento das penas que o código prescreve para esta área.

PS. Acabamos de assistir a um conjunto de eleições: Europeias, Assembleia da República e Autárquicas. Todas foram atravessadas por sonoros casos de corrupção. Uns silenciaram-se, outros mantiveram-se e novos surgiram. Reparei, como muitas pessoas, que nos programas para as eleições autárquicas de Alcobaça, nenhum partido ou movimento cívico apresentou uma única linha ou ideia sobre o assunto. Mas para quê?

Tudo é lícito, ninguém tem veleidades para financiar campanhas eleitorais e receber benesses políticas e negócios privilegiados com a Câmara. Não há venda de terrenos ao município nem este os compra a nenhum militante do partido que governa. Ninguém exerceu cargos políticos renumerados noutras paragens, sendo eleito por Alcobaça. Necessitados a esse ponto não existem. A elevação é a maior característica de boa parte dos políticos locais e de quem os aconselha. Não há censuras, nem se persegue ninguém em Alcobaça pelas suas ideias. Nas grandes decisões os vereadores votaram sempre de consciência, nunca a granel ou pelo próprio interesse. Até porque se houvesse corrupção política haveria sempre alguém solidário, nos bons e maus momentos com a Câmara.

sexta-feira, novembro 27, 2009

"CRIATIVIDADE TOCA A TODOS"



Hoje no meu espaço do Facebook , fiz um link a um artigo sobre CRIATIVIDADE editado no portal CIÊNCIA HOJE. O referido artigo trata dos benefícios que a criatividade tem sobre a saúde mental das pessoas. Na sequência da postagem recebi um email de uma amiga francesa, versando sobre as dimensões da criatividade. Ela juntou no seu comentário a mensagem que publico de seguida, já traduzida, acompanhada de um vídeo.
“O filme regista uma acção que se passou em 23 de Março de 2009 na estação de comboios de “Antwerp”, em Amberes, Bélgica.
Eram 8 da manhã , e de repente, pelos altifalantes ouve-se Julie Andrews a cantar “ The Sound of Music”, e de todos saem, uns 200 bailarinos!
Reparem no que se conseguiu. Observem a cara e as reacções das pessoas. Foi um momento mágico. Oxalá que este tipo de actos se possa multiplicar mais vezes, em qualquer parte do mundo. Espero que possam desfrutar tanto como eu desfrutei. Comovi-me.
Penso que o mundo necessita de momentos como estes, inesperados e maravilhosos, para trocar a tristeza, a apatia, a rotina e a falta de esperança, por um pouco de alegria contagiosa.”

Em Portugal este tipo de criatividade deveria de começar na Assembleia da República, e seguir para as redacções de muitos jornais e televisões. Talvez o ânimo geral se alterasse para melhor.

terça-feira, novembro 17, 2009

PIRATAS ???


Segundo o jornal El País, os trinta e seis tripulantes do atuneiro Vasco, capturados pelos piratas da Somália, foram finalmente libertados. No entanto há vozes que se ouvem sobre a realidade/legalidade desta pirataria e o eterno jogo de Estados pobres e Estados ricos.
O video abaixo dá que pensar.


IDEIA SOBRE TRANSPARÊNCIA


Nunca ouvi ou li que as pessoas sejam escutadas de forma clandestina indistintamente, como parece que se faz crer. Há é autorização de juízes para suspeitos de crimes terem o telefone sob escuta e qualquer cidadão amigo ou não de quem está sob escuta terá a sua conversa gravada se lhe telefonar.

segunda-feira, novembro 16, 2009

APONTAMENTO SOBRE CORRUPÇÃO


As notícias sobre corrupção têm dado um vendaval de contradições, onde nem escapa a quinta-essência da República: a sua Justiça. Servir o bem público é um empenho virtuoso para alguns, mas fortuna e virtude são irreconciliáveis, afirmou Sade.
Aqueles que com mais ardor denunciam casos podem estar a contribuir para uma operação de desmontagem da democracia, mas por muito que se empenhem, um partido não se pode medir pelo número de corruptos com que conta, como uma religião não se mede pelo número de padres pederastas, ou os médicos por quem cometeu negligencias e os jornalistas perante colegas que apresentam informações não contrastadas nem verazes.
A crítica baixa, o populismo e ausência de controlo além da predisposição para permitir o autoritarismo configuram, no povo português, portas de entrada para personagens demagogas e autoritárias, que podem ainda combinar carisma com a falta de escrúpulos: um perigo para a democracia progredir. Tanto um partido político como qualquer político, enquanto zeladores da causa pública, deverão ser medidos também pelas decisões que tomem relativas às tramas corruptas uma vez descobertas.
Os meios de comunicação deveriam trabalhar na veracidade e contundência que merecem os corruptos que tanto nos indignam. Como? Sinceramente não sei, mas a “corrupção nossa de cada dia, que nos dá hoje” nunca deveria seguir a ideia proposta por El ROTO no seu desenho.

segunda-feira, novembro 09, 2009

PARTIDOCRACIA



Há muito que as águas da política portuguesa escorrem conturbadas. A cidadania, como se não estivesse já suficientemente em crise, é agora surpreendida com mais casos de corrupção: branqueamento de capitais, tráfico de influências, empresas falsas, concursos e operações fraudulentas, offshores, luvas a banqueiros, e muitos mais etceteras. Como se não chegasse esta cadeia de despropósitos, o acto está ainda protagonizado e associado a alguns políticos, ou melhor, a antigos políticos: pessoas afectas a partidos responsáveis. Homens que deveriam ter comportamentos irrepreensíveis e ser uma referência ética e moral para o resto dos mortais.

A corrupção, seguramente inevitável na vida pública, parece ter no nosso país, proporções, particulares. É consequência da partidocracia e da má qualidade da democracia que se vai gerando. Os maiores partidos políticos não se livram dela: desde o uso indevido e privado de um veículo oficial, até ao desaparecimento de milhões de euros, tudo é possível.

A originalidade lusa, neste campo, demonstra que os corruptos não actuam em comandita, mas por si. E quando surge um escândalo normalmente só afecta um partido. No entanto, raro é o caso onde não exista, para com os supostos corruptos, uma onda de solidariedade entre militantes do partido afectado, militantes interpartidários e até entre partidos. Talvez seja esta a razão que leva representantes partidários, com responsabilidades políticas e institucionais, a afirmarem que “a política não se deve desacreditar”, em vez de irem ao fundo do problema.

A realidade também demonstra que a nenhum dirigente político interessa fórmulas para combater a corrupção, melhorar a eficácia nos mecanismos de controle, as condições de acesso aos cargos públicos, a vigência das regras éticas e a importância da moral pública. Nada disto é objecto de debate e não está na agenda de nenhum. Normalmente, nas suas prioridades encontramos ideias genéricas, posições fugidias e palavras vazias. Não se ouve uma reflexão que vá além da presunção de inocência, da humilhação da família, das peculiaridades dum caso e no período em que sai na imprensa, e da inconveniência de generalizar. Até aqui chegam, porque do que se trata em questões partidárias é de absorver o impacto do assunto e passar a página, para voltar quanto antes ao de sempre.

Em cada novo escândalo, o “colunista mor ” exige que se ponha limite à corrupção política. Limite à corrupção política? Nada mais simples: alterar a forma como são escolhidos os deputados distritais; Instituir eleições directas nas secções concelhias dos partidos, nas federações e para a presidência. E, sobretudo, fazer a separação entre poder judicial e político. Deste modo talvez pudéssemos aspirar a uma democracia e não a esta partidocracia, cuja essência é a impudência, onde uma linha ténue e impercebível, entre o bárbaro e o votante, separa o abjecto do refinamento.

Admito que a corrupção e os oportunistas existiram sempre. A diferença é que em democracia estas coisas acabam por sair à luz e nas ditaduras e regimes autoritários, ou nunca se sabem, ou olha-se para o outro lado esperando que nunca mais se fale quando alguma coisa suja emerge.

Se existissem em Portugal organizações políticas transparentes e revitalizadas, instituições ágeis e eficientes, resguardadas por uma cidadania comprometida nas questões colectivas, o país certamente sairia do lodaçal onde alguns tentam amarrá-lo.

Apesar de não podermos pensar num golpe qualquer, como forma de acabar com a nossa democracia, reconheço, no entanto, que os escândalos de corrupção, geram cepticismo e muito desafecto com a coisa pública. Eles são capazes de promover o populismo e a demagogia que já andam por aí à solta e são muito próprios de regimes opacos e fechados.

domingo, outubro 25, 2009

1ª. AMOSTRA ERÓTICO-PARÓDICA DAS CALDAS DA RAINHA

grupo de jovens difusores do evento pela cidade

Notas soltas sobre o pénis


Desde os tempos mais arcaicos, este órgão foi venerado como um símbolo. Na sua história, Heródoto descreveu um culto fálico entre os egípcios: “num andor era transportado um enorme falo que as mulheres aclamavam em delírio pelas ruas”.
Em Portugal há quem veja nas noivas de Santo António e no culto a este santo reminiscências de práticas semelhantes.
Em Alcobaça conhecem-se vários lugares onde as mulheres com problemas de concepção ou de casamento se iam “encomendar” no séc. XVII; antigos cultos que a igreja católica “nacionalizou” e que hoje se vêem sublimados igualmente na Senhora do Leite e na Senhora de O.

Na actualidade, o culto ao falo, ainda se encontra um pouco por todo o mundo, mas é mais visível nos lugares onde o catolicismo não conseguiu destruir formas religiosas primitivas, como fez em alguns por onde passou.
Há em certas zonas do planeta reproduções de enormes pénis dispostos pelas ruas como monumentos. Eles têm simultaneamente carácter religioso, simbólico e estético, e são visitados por casais que se encomendam a estes ídolos pelas mais diversas razões, mas sobretudo para tentar solucionar problemas de procriação.
Em Portugal a religiosidade “fálica” está reflectida e sublimada nalgumas das formas que referi.
Entre as várias coisas que celebrizaram as Caldas da Rainha encontra-se o artesanato caracterizado por um falo ou fazendo referencia a ele. Uma espécie de ídolo, que o tempo transformou em símbolo de identidade desta característica cidade.

A linguagem popular também está impregnada de muitas referências ao falo, ele é utilizado como modelo ou unidade métrica de todas as coisas. Tudo é bonito, grande, feio, bom, elegante, alto, rico, como o... dito cujo! E quando alguém nos diz que choveu como o... dito cujo, sabemos de imediato que foi algo diluviano. Apesar do símbolo que o grafismo linguístico sugere, nunca entendi ao que se refere um homem, quando diz que uma mulher é boa como o... dito cujo! Ou que isto ou aquilo é bom como o...”coiso”! Será que este padrão utilizado por machos assenta no conhecimento efectivo do modelo?

Pela via da saúde pública, o falo ganhou de novo relevo entre a população masculina, não só pela suposta diminuição do seu tamanho, mas também porque, pela boca dos cientistas, está a diminuir a quantidade de espermatozóides. No entanto, parece que é o tamanho que preocupa o macho (ver DN 18/2/2001 e 26/2/2007). Muitos homens não estão satisfeitos com a dimensão do seu pénis e querem-no maior. Este problema afectou de tal forma a saúde pública em Moscovo, que foi criado um hospital com serviço de urgências para pénis, 24 H ao dia (El País 24.2.2001).

Em Espanha, um recente estudo feito a 582 homens entre os 22 e os 75 anos, revelou que a medida média espanhola do pénis é entre os 7,1 cm e os 12,43 cm (de 12,43 cm e a mínima 7,1cm). Os resultados, ao que parece, são similares aos de outros países, mas detectou-se nos inquiridos deste país um “pavor ao micro pénis”, que parece ter provocado uma espécie de síndroma da medição, fazendo com que muitos verificassem se a longitude do seu obedecia aos padrões mínimos de 7,1 cm flácido e 12,43 cm na posição de máxima extensão.

Os outsiders podem recorrer a um programa de alargamento. Não atando-lhe uma pedra, mas através de aparelhos de atracção mecânica de tecidos do organismo, numa cirurgia de alongamento. Além disto falou-se na criação de uma “associação de pénis sem fronteira”, para regular as desigualdades entre países que têm cidadãos com pénis maiores e os que tem pénis menores: uma intenção que resvalou, segundo parece, nos loobies dos preservativos. Talvez o genoma seja a esperança no combate destas assimetrias: aguardamos!

Por sua vez, as mulheres, estão ocupadas com outro tema. O antigo dito que o tamanho não é importante, mas sim a forma como se usa, recobra actualidade. A este dito deve-se juntar um outro, “não há mulheres “anorgásmicas”, mas sim homens inexperientes”. A questão está num invento recente que anda na boca de todas e que possibilita à mulher chegar ao orgasmo apertando apenas um botão. Segundo parece, com um implante sensível e um simples comando à distância, a mulher pode ter orgasmos sublimes. Ao médico que descobriu casualmente este sistema, a primeira mulher que o provou ter-lhe-á dito: “o doutor tem de contar ao meu marido, como fez isso”. A mulher levantou-se da mesa de operações com lágrimas de felicidade e o médico em honra a Woody Allen, pretende que o seu descobrimento se chame Orgasmatron. No entanto ainda não está decidido como baptizará comercialmente a descoberta.

Suponho que os comandos à distância estejam estritamente personalizados, senão imaginem alguém, inadvertidamente, a pô-lo em funcionamento e a provocar, por engano, um orgasmo na vizinha; ou que o comando caia nas mãos de um sabotador e este o utilize, para alguém ter orgasmos múltiplos, em momentos e lugares indevidos... Bem, depois do Viagra, agora isto! A ciência e a tecnologia surpreendem-nos sempre, ao ponto de agora nos fazerem “orgasmar” de estupefacção!


Parabéns aos organizadores da 1ª. Amostra erótica - paródica de Caldas da Rainha. TERRA DAS MALANDRICES.
Evento original que incentivo a visitar.



sexta-feira, outubro 16, 2009

MAPA MUNDIAL DA SAÚDE



Não só a Gripe A ameaça o planeta, como dizem alguns. A evolução de epidemias e pandemias vão muito mais além e têm uma grande variedade de nomes. Para informar existe o Mapa da Saúde (Health Map) (clic aqui). Um mapa mundial de alertas epidémicos desenvolvido em meia dúzia de idiomas, onde o Português também se encontra. As suas fontes englobam desde a Associação Internacional para as Doenças Infecciosas (AIDI), até à Organização Mundial de Saúde (OMS) e as notícias do Google. Entre as doenças catalogadas e no activo destacam-se: vírus do Nilo Ocidental, Dengue, Gripe Aviar, Encefalitis Equina, Peste, Ebola, Febre do rio Ross…e as habituais pneumonias, Gripe e Varicela.

segunda-feira, outubro 12, 2009

OUÇAM COM ATENÇÃO (SOBRE A GRIPE A)

CAMPANAS POR LA GRIPE A from ALISH on Vimeo.

Faço a sugestão para ouvirem atentamente este vídeo com um abordagem sobre a gripe A. Um discurso de uma religiosa da Catalunha, doutora em Saúde Publica. Recomendo vivamente.

O texto que se segue a azul é a tradução daquele que se encontra em espanhol na pagina onde se aloja o vídeo.

TERESA FORCADES, doutora em Saúde Pública, faz um reflexão sobre a história da GRIPE A, apresentando dados científicos e inúmera as irregularidades relacionadas com o tema. Explica as consequências da declaração de PANDEMIA, as implicações políticas que derivam dela e faz uma proposta para manter a calma e um apelo urgente para activar mecanismos legais e de participação cidadã em relação a este tema.

Estamos a traduzir e a legendar CAMPANAS em inglês e provavelmente a outros idiomas depois ao ( francês, português, alemão, italiano, russo...). Se alguém quiser ajudar a fazer a legendagem que se ponha em contacto e nós coordenamos! Muito obrigado aos que já se puseram em contacto comigo e me ofereceram a sua ajuda!

sábado, outubro 10, 2009

CHULA DOS PARTIDOS




Ontem acabaram as campanhas políticas finalmente…ufff. A QUADRIANAL FEIRA DO BARRETE, como é para alguns, acabará por certo. Iremos estar livres durante algum tempo…assim espero!

Um amigo fez-me chegar este êxito da música portuguesa dos anos 70. Uma musica que é um apanhado da visão popular sobre os partidos . Concebida nos tempos eufóricos do 25 de Abril e as eleições livres que eram uma grande novidade. A musica enquadra-se no género, pimba contestatário (
ouvir original todo aqui).
Recomendo ouvirem atentamente a estética da letra, salpicada que está com a visão popularucha de então sobre os partidos. Um verdadeiro documento antropológico. Antológica! Riam a bom rir como eu fiz …caso tenham vontade obviamente.
Amanhã não deixem de votar.

sexta-feira, outubro 09, 2009

PREMIO NOBEL DA PAZ ATRIBUÍDO A BARACK OBAMA

A minha singela homenagem a um líder que muito admiro
Ver repostagem no El Pais ( clic aqui)
Uma visita à Casa Branca na era Obama (clic aqui)
WGN 720 Radio: anúncio do prémio em Oslo (clic aqui)

quarta-feira, outubro 07, 2009

ALCOBAÇA: POLITICO PROCURA-SE


Procura-se político socialista (no sentido amplo do termo), com experiência, curtido na vida política mas não corrompido. Procura-se um político predestinado, cuja ambição política esteja no dia-a-dia e não no posto que aspira ardentemente para amanhã ou em quimeras irrealizáveis, que usa e abusa unicamente para se afirmar. Procura-se político que não esteja interessado em benefícios económicos, e vaidades pessoais, mas apenas em servir os seus concidadãos. Procura-se homem com as costas largas, que saiba receber tanto um mandatário estrangeiro como fascinar-se pelas gentes mais humildes e carenciadas do concelho e pelas vendedoras na praça de Alcobaça.
Seria tranquilizador, mas não indispensável, que tivesse preparação e formação académica de nível superior (porque nunca é demais para o caso de o quererem humilhar nalguma entrevista), e que fosse sobretudo humano. Apreciar-se-á ainda o talento para rodear-se de uma equipa de técnicos competentes e honestos que possam superar as suas eventuais carências.
Procura-se político de raça, que faça do posto que lhe seja proposto o objectivo absoluto da sua vida. Procura-se político educado, que não despreze a ironia nem a experiência para polemizar com o adversário. Procura-se político honrado, pouco dado a reciclagens. Alguém apaixonado por esta terra.
Não é imprescindível que tenha nascido aqui, de facto há muita gente que não nasceu cá. O votante não lhe vai exigir credenciais de tipo localista, nem requerimentos de tradicionalista, como comer todos os dias “Maçã de Alcobaça”, “Frango na Púcara” ou beber a “Ginja de Alcobaça”. Muito menos a obrigação de usar algum tipo de roupa feita com “Chita de Alcobaça” ou vestir-se de monge para receber dignitários.
Também não se exige que saiba se o “Senhor fulano tal”, estava ou não na “Tal Reunião ” ou no “Tal Jantar ”, nem se exige que esteja vestido com um fato elegante na 1ª fila da inauguração da “Feira de S. Bernardo” ou na das “Tasquinhas de S. Simão”. Tão pouco se exige que vá ao “Cine Teatro”, que esteja em todos os Jantares dos “Rotários”, que vá à feira dos “Doces Conventuais” ou que assista às palestras - sempre do mesmo - nas esplanadas do Rossio. E muito menos se exige que saiba trautear “Quem passa por Alcobaça”, ou recite de memória a letra desta cantiga, todas manhã em frente ao espelho. Detalhes como estes devem ser substituídos e compensados com uma verdadeira vocação de serviço à população do concelho e com igual orientação para resolver os problemas desta castigada terra.
Excluindo os oportunistas que surgem apenas em tempo de eleições, ou aqueles que politicamente não são peixe nem carne mas descaradas incubadoras de desígnios obscuros e albergues de um ou outro marombista da pior espécie, que para a ocasião se travestem de moralistas e supostos executores de projectos que ninguém conhece ou pode provar. Não consigo entender que entre os políticos que medram e outros que aspiram a qualquer coisa, não haja um cujo sonho seja o de ser verdadeiramente candidato à Presidência da Câmara de Alcobaça com vocação de missionário.

O lugar que os eleitores lhe oferecem é uma pechincha!
Necessita-se de um candidato livre, não manipulável nem subserviente a qualquer tipo de poder, interesses, grupos e esoterismos ou que tenha de demonstrar que é mais da terra que ninguém. E sobretudo que não pretenda engordar o orgulho localista do eleitor com mentiras e promessas que não cumpre, mas que se dedique a praticar uma política progressista e sem adjectivos, unicamente à medida das necessidades do concelho e das suas populações que tanto merecem e almejam.
Haverá mesmo algum ?

segunda-feira, outubro 05, 2009

FREY PIROLITO DE CISTER

Em 1994 foi criada a figura do “Frey Pirolito de Cister”, que teve muito sucesso num dos jornais locais sem tutoria eclesiástica.

Após o Estado Novo, segundo creio , no concelho de Alcobaça apenas houve jornais tutelados pela igreja. A história da imprensa de Alcobaça ainda continua por fazer. A aludida criatura “emergia”da história de Alcobaça, que como se sabe é terra de monges, sendo que certos personagens do folclore local até se vestem de frades para receber dignitários do estado.….Enfim!
O autor do Frey Pirolito de Cister cedo começou a receber cartas de admiradores e de alguns detractores. Havia telefonemas para a redacção do jornal, porque o seu criador tinha a virtude, tanto através de imagens como de escritos, de provocar amargos de boca a certo tipo de mentalidades e àqueles que sempre têm feito de Alcobaça um espaço por vezes irrespirável e absurdo, onde a liberdade individual não se respeita, e onde medram alguns personagens esquizofrénicos, ocultos em aparente anonimato, comportando-se como os bufos delactores dos tempos mais obscuros e tristes da nossa história passada e recente, como no período da inquisição e no da “Outra Senhora”.
Aquilo que em 1994 era criticado ainda está em voga nos nossos dias: o tabu sobre o sexo no interior da Igreja católica e a moralidade que esta instituição apregoa neste campo. Qualquer pessoa minimamente atenta à natureza humana se indigna com os escândalos de índole sexual dos clérigos católicos, à excepção dos transgressores do voto de castidade. Este é a causa de alguns dos males desnecessários existentes no interior da Igreja católica. Basta recordar, por exemplo, a história da religiosa Marta O´Donohue, coordenadora do programa sobre a Sida da Caritas Internacional e do Fundo Católico à Ajuda e Desenvolvimento, que denunciou em 1995, violações sexuais feitas por padres sobre noviças, em 23 países e que o Vaticano reconheceu existirem; as histórias de pedofilia relatadas frequentemente em jornais e televisões; os escândalos financeiros e as incursões da igreja católica na política do estado.

Valha-me Deus….. Santíssima!

Quem me conhece, sabe que tive educação católica e que não abdico dos seus princípios, mas também sabe como sou intransigente com valores. Preocupa-me ver, na minha terra, cidadãos com veleidades políticas invocarem persistentemente a Igreja Católica para almejar os seus intentos. Fazem-no possivelmente para encobrir sandices, já que a ética pessoal, por muito que se esgravate, não se encontra . Que dizer de quem acoita semelhantes marombistas ou de quem os tutela?
Recordando o desenho, que é o que interessa neste caso, tanto no presente como no passado ele continua actual.

segunda-feira, setembro 28, 2009

VOTEM NA CORTIÇA



O Museu Guggenheim de Nova Iorque está a proceder a um concurso internacional de Design a que chama COMPETIÇÃO DE ABRIGOS ("Shelter Competition"). Os concorrentes têm de enviar o projecto 3D de um abrigo de acordo com as regras do concurso. Foram admitidos cerca de 600 projectos de 68 países.
Dos 600 projectos foram seleccionados 10 finalistas, entre os quais está o projecto do arquitecto português David Mares. É neste projecto que entra a cortiça, aliás a cortiça é mesmo o elemento do qual é feito o abrigo.O "CBS - CORK BLOCK SHELTER " é um abrigo construído na versátil cortiça. Mas como se não bastasse a já honrosa posição de pertencer ao TOP 10 deste concurso neste momento o abrigo de cortiça está em 3º lugar na votação do público. Pf acedam ao site do concurso e votem na cortiça -https://webmail.netcabo.pt/exchweb/bin/redir.asp?URL=http://www.guggenheim.org/new-york/education/sackler-center/design-it-shelter/vote-for-shelters! Além do prémio do público, este concurso contempla também um prémio atribuído por um Júri, que será divulgado na Guggenheim Museum’s 50th Anniversary Celebration, no dia 21 de Outubro.


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