
um espaço aberto para comentar a Arte, a Cultura e o Património da Região de Alcobaça: tanto no passado como no presente e actualidades .
quarta-feira, agosto 18, 2010
segunda-feira, agosto 16, 2010
NO METRO
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Por vezes utilizo o “metro” em Lisboa. Sem ser um utente assíduo, por comodismo de ter transporte próprio, não deixo no entanto de ser um cliente de quando em quando (aos utentes do metro chamam-se clientes). Nessas viagens costumo estar atento e classificar os tipos de clientes.
O grupo mais numeroso é sem dúvida o dos “ cara para a frente”. Composto pelos clientes que sentem desconforto se viajam de costas viradas ao sentido em que vai a carruagem do metro. Crêem que isso os mareia. Pessoalmente gosto de viajar de costas, e ainda me dá a possibilidade de ocupar um assento duplo sem ter outro cliente a meu lado. Apenas o volume corporal, fora de padrões de alguém, me poderá provocar algum incomodo.
Este detalhe leva-nos a outro tipo de clientes classificado de “ volumoso”. Normalmente ocupam mais de metade de um assento duplo. Uns fazem-no por um imperativo iniludível do seu volume e outros por comodidade, obrigando o companheiro de assento a viajar com desconforto e nalguns casos até em desequilíbrio. Quando escolho um assento, costumo ter em conta este pormenor e calculo, a olho, o espaço livre para me sentar comodamente, apesar de não ter problemas de espaço devido ao meu biótipo.
Tenho igualmente em conta, no momento de escolher o lugar, outro tipo de clientes que são os “beijocões”: casais com muita necessidade de expressar a sua fogosa paixão nos lugares públicos e utilizando estas viagens de metro e a proximidade dos outros para se beijocarem, oferecendo um happening amorosos em directo.
Nalguns casos nem se tem a possibilidade de olhar para outro lado, pois utilizam um tipo de ósculos tão sonoros que não há outro remédio senão fazer parte do espectáculo como observador e ouvinte. Se tiver de escolher entre companheiros de viagem “volumosos” ou “beijoqueiros”, prefiro os primeiros. Apesar de não ser cómodo, é preferível viajar com aperto, que suportar um espectáculo que não foi solicitado.
Viajar no “metro” permite classificar os viajantes, porque tal como em todas as partes existem cidadãos que se destacam pelo seu comportamento, também nestas aulas de convivência social como são os transportes urbanos, isso acontece.
Apesar dos muitos tipos que poderia catalogar, vou fixar-me num tipo de viajante muito concreto e que nunca passa despercebido durante a sua “ performance” no espaço público. Para defini-lo numa palavra, designo-o pelo passageiro “comunicativo”.
Este faz da carruagem do metro uma sala de conferências, e aproveita o encontro com algum “cliente” de viagem para falar de cátedra sobre os seus costumes, os seus gostos, as suas ideias políticas, as soluções concretas que tem para ajudar os governantes a superar a crise, e outras curiosidades quer da sua vida familiar, quer social.
Há dias ficou perto de mim um destes passageiros “comunicativos” obrigando-me a deixar o meu passatempo habitual de quando viajo, que é a leitura do jornal, porque a conferência que o bom do senhor decidiu dar em voz alta, impedia, qualquer outra actividade intelectual que não fosse ter de ouvir a sua palestra. Era tanta a ênfase que lhe punha que fiquei a saber que era viúvo, que tinha várias filhas e não tinha filhos varões, que tinha trabalhado toda a vida, que o governo não o ajudava, que não tinha subsídios, que criou a suas filhas sem ajuda alguma e que quando viu que todos os seus descendentes eram do género feminino, decidiu terminar a produção. Agora que a esposa tinha morrido eram as filhas que cuidavam dele. Procurava divertir-se honestamente e ia bailar (na explicação ilustrou com uns movimentos de ancas) a um desses centros onde vão reformados e reformadas conviver etc…etc… Porque a conferência era inacabável. Tão inacabável que quando se apeou o seu amigo de banco, o passageiro comunicativo cedeu o assento a uma senhora e aproveitou a circunstância para repetir a conferência com a passageira desconhecida, que substituiu o seu auditório directo (o indirecto, éramos nós o resto dos ocupantes do vagão), o amigo que se acabava de apear.
Apesar de impedirem que me dedique à leitura, que é um dos meus passatempos habituais no “metro”, aprecio mais os passageiros comunicativos, porque animam o ambiente e põem uma nota típica de certos costumes na monotonia dos transportes urbanos.
Recomendo-os.
domingo, agosto 15, 2010
"O BRAZILEIRO" de EÇA DE QUEIROZ

O imaginário português foi povoado durante o século XIX e princípios do século XX pelo Brasil, como sinonimo de emigração e enriquecimento fácil. Aventureiros, comerciantes, despojados, eram atraídos por esse imaginário, que sendo real para uns não foi para outros. Muitos partiram voltando desafogados e empreendedores. Há casos conhecidos em Alcobaça e alguma arquitectura de finais do XIX e princípios do século XX, de carácter colonialista, a eles se deve. (Uma realidade local ainda por contar).
Simultaneamente esse imaginário transformou-se também em anedotário nacional, como se transformaram nos anos 60 e 70, do sec. XX, os “TURISTAS DE ALCOCHETE” e os AVECs, (portugueses imigrados em França). A crónica que segue, bastante divertida por acaso, é a visão de uma elite ilustrada sobre os Portugueses que imigravam e voltavam desse imenso país que é Brasil. Um texto crítico e divertido de Eça de Queiroz, que é ao mesmo tempo um notável momento de analise psicológica lusa, ainda muito presente entre nós. O texto está na escrita original do séc. XIX.
Nos temos o Brazileiro: grosso, trigueiro com tons de chocolate, pança ricaça, joanetes nos pés, collete e grilhão d'ouro, chapéo sobre a nuca, guarda-sol verde, a vozinha adocicada, ôlho desconfiado, e um vicio secreto. É o brazileiro: elle é o pai achinelado e ciumento dos romances románticos : o gordalhufo amoroso das comedias salgadas: o figurão barrigudo e bestial dos desenhos facetos: o maridão de tamancos, sempre trahido, de toda a boa anécdota.
Nenhuma qualidade forte ou fina se suppõe no brazileiro : nao se Ihe imagina intelligencia, como não se imaginam negros com cabellos louros; não se Ihe concede coragem, e elle é, na tradição popular, como aquellas aboboras de Agosto que soffreram todas as soalheiras da eirá: nao se lhe admitte distincçáo, e elle permanece, na persuasão publica, o eterno tosco da rúa do Ouvidor. O povo suppõe-n'o o author de todos os ditos célebremente sandeus, o héroe de todas as historias umversalmente risiveis, o senhor de todos os predios grutescamente sarapintados, o frequentador de todos os hoteis sujamente lúgubres, o namorado de todas as mulheres gordalhufamente ridiculas.
Tudo o que se respeita no homem é escarnecido aquí no brazileiro. O trabalho, tão santamente justo, lembra n'elle, com riso, a venda da mandioca n'uma baiuca de Pernambuco; o dinheiro, tão humildemente servido, recorda n'elle, com gargalhadas, os botões de brilhantes nos colletes de panno amarello; a pobreza, tão justamente respeitada, n'elle é quasi cómica e faz lembrar os tamancos com que embarcou a bordo do patacho Constancia, e os fardos de café que carregou para as bandas de Tijuca; o amor, táo teimosamente idealizado, n'elle faz rir, e recorda a sua espéssa pessoa, de joelhos, dizendo com uma ternura babosa — oh minina!
De facto, o pobre brazileiro, o rico torna-viagem, é hoje, para nós, o grande fornecedor do nosso riso.
Existe urna leí de retraccão e dilatacão para os corpos, sob a influencia da temperatura. (Apprende-se isto nos lyceus, quando vem o buço). Os corpos ao calor dilatam, ao frio encolhem. A mesma lei. para as plantas, que ao sol alargam e florescem, ao frio acanham e estiolam. A bananeira, nos nossos climas, é urna pequena arvore tímida, retrahida, estéril: no calor do Brazil é a grande arvore triumphante, de folhas palmares e reluzentes, tronco possante, seiva insolente, toda sonora de sábiás e outros, escandalosa de bananas. Mesma lei para os homens. O hespanhol das Asturias, modesto, humano, discreto e grave — passando para o sol do Equador, nas Antilhas Hespanholas, torna-se o sul-americano vaidoso, ruidoso, ardente, palreiro e feroz. Pois bem! O Brazileiro é o Portuguez—dilatado pelo calor.
O que elles são, expansivamente -nos somol-o, retrahidamente. As qualidades internadas em nós, estáo n'elles florescentes. Onde nós somos á sorrelfa ridiculitos, elles sao á larga ridiculões. Os nossos defeitos, aquí sob um clima frio, estáo retrahidos, nao apparecem, ficam por dentro: lá, sob um sol fecundante, abrem-se em grandes evidencias grutescas. Sob o céo do Brazil a bananeira abre-se em fructo e o portuguez rebenta em brazileiro. Eis o formidavel principio! O Brazileiro é o Portuguez desabrochado.
É o sol de lá que nos fecunda. O Chiado sob os trópicos di intóramente a rúa do Ouvidor. Rirmo-nos do brazileiro é de nós sem piedade. Nós somos o germen, elles são o fructo: é como se a espiga se risse da semente. Pelo contrario ! o brazileiro é bem mais respeitavel, porque é completo, attingiu o seu pleno desenvolvimento: nos permanecemos rudimentares. Elles estáo ja acabados como a abobora, nos embryonarios como a pevide. O Portuguez é pevide de Brazileiro!
E sobretudo certificai-vos que vos outros, que não deixaes a capital, não valéis mais que o minhoto que volta de Pernambuco.
O brazileiro nao é bello como Apollo, nem como o mais recente D. Juan: —mas tu, ó portuguez, tu tambem nao es bello, e se a tua bem amada t'o diz, é que não tem mais nada que te dizer e mente por mero deleite.
O brazileiro nao é elegante como o conde de Orsay ou Brummel: — mas tu, portuguez, dandy desventuroso do Chiado, ou contribuinte da rúa dos Bacalhoeiros, tens a tua elegancia dependurada no bom Nunes algibebe!
sábado, agosto 14, 2010
TURISMO: cidades aprazíveis e lugares

Pela Europa abrem caminho as cidades aprazíveis e cómodas para o visitante. Os turistas urbanos dispostos a desfrutar de um grande fim-de-semana, cada dia são mais e pedem discrição. Há um novo tipo de visitante que busca uma cidade agradável na que se sinta como em sua casa e possa descansar de rotinas e encontrar um programa sociocultural que o satisfaça. Nesse sentido, as cidades voltaram a reivindicar a rua como espaço para a criatividade e a emancipação cívica, do mesmo modo que a dimensão política e social dos espaços públicos foi colocada no centro das discussões.
Quem acompanha o fenómeno da revitalização das cidades verifica como estas têm ampliado a sua oferta com novos museus, melhores restaurantes, novos hotéis, festivais variados aos quais se unem salas para teatro, auditórios e um forte impulso dado à gastronomia, às compras e obviamente a hotéis. A oferta de um valor diferenciador permite às cidades competir e, neste ponto, as tecnologias da informação e os serviços complementares são importantes para integrar uma cidade atractiva em conveniência num espaço de procura global.
Muitas das cidades médias na Europa protagonizaram, nos últimos anos, a sua própria revolução urbana e social, tendo em conta que um dos problemas maiores no espaço europeu passa pelo stress dos seus cidadãos. É por ele que o turista procura lugares relaxantes e cómodos, premiando aquelas cidades ou lugares que ofereçam maior índice de felicidade, melhor gastronomia e melhor qualidade de vida.
A maturidade da oferta e o enfraquecimento da procura tradicional aconselham assumir com mais rigor a necessidade de adicionar à oferta tradicional novas realidades que minimizem a vulnerabilidade do turismo frente às variações dos visitantes de rendas mais baixa. Melhorar a qualidade dos estabelecimentos hoteleiros e extra-hoteleiros estender as tecnologias da informação e serviços complementares são exigências básicas, como é o cuidado com o meio ambiente, para que este não seja uma realidade descurada, como recentemente se verificou com as algas em S. Pedro de Moel. Mas também é importante a atenção ao urbanístico. No distrito é lamentável como boa parte das cidades vilas e aldeias apresentam espaços urbanos degradados e nalguns casos em processo acelerado de desertificação. Pode-se encontrar as razões do facto na falta de visão e na insustentabilidade das políticas adoptadas pelos partidos e por estes gerarem “políticos” insensíveis e mal preparados, que ainda vão formar a sociedade civil com níveis de exigência baixos, amestradas segundo fórmulas como gerem a coisa pública.
Apenas com ponderação, ideias novas e orientações precisas, o mercado turístico na região poderá ampliar a sua limitada oferta, assente na praia e no turismo religioso, preterindo o valor da história e da cultura como realidades turísticas mais abrangentes e efectivas que seduzam clientes cujas preferências não sejam exclusivamente as de bronzearem-se a preços baixos em praias de águas geladas, perigosas, nalguns casos pouco vigiadas senão poluídas.
Como reparo, subestima-se por aqui que o actual turista é uma pessoa informada e independente e deixou de ser um simples consumidor de receitas concebidas em exclusivo para ela. O novo turista deseja experimentar com os próprios do local, os costumes, as actividades locais, associar-se aos eventos culturais... Por isso chega sem a mediação das agências de viagens, mas trás informação detalhada do lugar: compra bilhetes de avião, comboio, camioneta, reserva dos hotéis, das entradas de espectáculos e dos monumentos pela internet.
Neste sentido, há um enorme trabalho a fazer em torno das potencialidades da Web para a difusão dos produtos e das peculiaridades da região. São necessárias estratégicas mais competitivas, longe das contempladas nos planos das aferições compensatórias para os municípios do oeste pela não construção do aeroporto da Ota. Sobretudo estratégias criativas.
Deve-se favorecer uma melhoria na qualidade e variedade da oferta, contemplando as terras mais afastadas do litoral que atraiam turistas com um gasto médio mais elevado. Há realidades que o sector turístico e as autoridades envolvidas deverão equacionar para tratar de elevar os ingressos na região como uma importante fonte da sua balança de pagamentos, mas também na necessidade selectiva das entradas, compatíveis com o cuidado do meio para a própria sustentabilidade dessa galinha que ovos de ouro que é o turismo para um região que se pretende de excelência. António Delgado in Jornal de Leiria 12/8/2010
sexta-feira, janeiro 01, 2010
quinta-feira, dezembro 31, 2009
quinta-feira, dezembro 24, 2009
terça-feira, dezembro 08, 2009
TUDO SE OXIDA
quinta-feira, dezembro 03, 2009
NOTAS SOBRE CORRUPÇÃO

Este assunto, tão paradoxal como anormal, encerra curiosidades estranhas como esta: está na mão dos afectados a capacidade de mudar as normas. Que possibilidade tem a sociedade civil de actuar contra os arrojos desta nova casta pro-feudal (cheia de rendas sem trabalho e prebendas), que passa de um cargo ao outro sem problemas, independentemente das capacidades técnicas ou conhecimentos? Como?
- Apenas pelo voto.
Entretanto trocam sorrisos entre si, com uma cumplicidade doentia, quando se encontram nas inúmeras inaugurações, congressos, contubérnios ou saraus sufragados com o dinheiro de todos.
Eu proponho não votar futuramente (estou farto desta patranha estúpida que diz se não votas não crês ou não podes participar na democracia) até que um partido inclua no seu programa quatro propostas:
Tudo é lícito, ninguém tem veleidades para financiar campanhas eleitorais e receber benesses políticas e negócios privilegiados com a Câmara. Não há venda de terrenos ao município nem este os compra a nenhum militante do partido que governa. Ninguém exerceu cargos políticos renumerados noutras paragens, sendo eleito por Alcobaça. Necessitados a esse ponto não existem. A elevação é a maior característica de boa parte dos políticos locais e de quem os aconselha. Não há censuras, nem se persegue ninguém em Alcobaça pelas suas ideias. Nas grandes decisões os vereadores votaram sempre de consciência, nunca a granel ou pelo próprio interesse. Até porque se houvesse corrupção política haveria sempre alguém solidário, nos bons e maus momentos com a Câmara.
sexta-feira, novembro 27, 2009
"CRIATIVIDADE TOCA A TODOS"

Hoje no meu espaço do Facebook , fiz um link a um artigo sobre CRIATIVIDADE editado no portal CIÊNCIA HOJE. O referido artigo trata dos benefícios que a criatividade tem sobre a saúde mental das pessoas. Na sequência da postagem recebi um email de uma amiga francesa, versando sobre as dimensões da criatividade. Ela juntou no seu comentário a mensagem que publico de seguida, já traduzida, acompanhada de um vídeo.
“O filme regista uma acção que se passou em 23 de Março de 2009 na estação de comboios de “Antwerp”, em Amberes, Bélgica.
Eram 8 da manhã , e de repente, pelos altifalantes ouve-se Julie Andrews a cantar “ The Sound of Music”, e de todos saem, uns 200 bailarinos!
Reparem no que se conseguiu. Observem a cara e as reacções das pessoas. Foi um momento mágico. Oxalá que este tipo de actos se possa multiplicar mais vezes, em qualquer parte do mundo. Espero que possam desfrutar tanto como eu desfrutei. Comovi-me.
Penso que o mundo necessita de momentos como estes, inesperados e maravilhosos, para trocar a tristeza, a apatia, a rotina e a falta de esperança, por um pouco de alegria contagiosa.”
Em Portugal este tipo de criatividade deveria de começar na Assembleia da República, e seguir para as redacções de muitos jornais e televisões. Talvez o ânimo geral se alterasse para melhor.
terça-feira, novembro 17, 2009
PIRATAS ???
Segundo o jornal El País, os trinta e seis tripulantes do atuneiro Vasco, capturados pelos piratas da Somália, foram finalmente libertados. No entanto há vozes que se ouvem sobre a realidade/legalidade desta pirataria e o eterno jogo de Estados pobres e Estados ricos.
IDEIA SOBRE TRANSPARÊNCIA

Em termos de transparência, acho até que a falta ao segredo de justiça beneficia o combate à criminalidade enquanto o segredo de justiça pode servir para encobri-la porque os dossiers podem ser arquivados ou os actos criminosos prescreverem. Será mais importante revelar a criminalidade infringindo o segredo de justiça ou encobrir a criminalidade com ele?
segunda-feira, novembro 16, 2009
APONTAMENTO SOBRE CORRUPÇÃO

As notícias sobre corrupção têm dado um vendaval de contradições, onde nem escapa a quinta-essência da República: a sua Justiça. Servir o bem público é um empenho virtuoso para alguns, mas fortuna e virtude são irreconciliáveis, afirmou Sade.
Aqueles que com mais ardor denunciam casos podem estar a contribuir para uma operação de desmontagem da democracia, mas por muito que se empenhem, um partido não se pode medir pelo número de corruptos com que conta, como uma religião não se mede pelo número de padres pederastas, ou os médicos por quem cometeu negligencias e os jornalistas perante colegas que apresentam informações não contrastadas nem verazes.
A crítica baixa, o populismo e ausência de controlo além da predisposição para permitir o autoritarismo configuram, no povo português, portas de entrada para personagens demagogas e autoritárias, que podem ainda combinar carisma com a falta de escrúpulos: um perigo para a democracia progredir. Tanto um partido político como qualquer político, enquanto zeladores da causa pública, deverão ser medidos também pelas decisões que tomem relativas às tramas corruptas uma vez descobertas.
segunda-feira, novembro 09, 2009
PARTIDOCRACIA
A corrupção, seguramente inevitável na vida pública, parece ter no nosso país, proporções, particulares. É consequência da partidocracia e da má qualidade da democracia que se vai gerando. Os maiores partidos políticos não se livram dela: desde o uso indevido e privado de um veículo oficial, até ao desaparecimento de milhões de euros, tudo é possível.
A originalidade lusa, neste campo, demonstra que os corruptos não actuam em comandita, mas por si. E quando surge um escândalo normalmente só afecta um partido. No entanto, raro é o caso onde não exista, para com os supostos corruptos, uma onda de solidariedade entre militantes do partido afectado, militantes interpartidários e até entre partidos. Talvez seja esta a razão que leva representantes partidários, com responsabilidades políticas e institucionais, a afirmarem que “a política não se deve desacreditar”, em vez de irem ao fundo do problema.
A realidade também demonstra que a nenhum dirigente político interessa fórmulas para combater a corrupção, melhorar a eficácia nos mecanismos de controle, as condições de acesso aos cargos públicos, a vigência das regras éticas e a importância da moral pública. Nada disto é objecto de debate e não está na agenda de nenhum. Normalmente, nas suas prioridades encontramos ideias genéricas, posições fugidias e palavras vazias. Não se ouve uma reflexão que vá além da presunção de inocência, da humilhação da família, das peculiaridades dum caso e no período em que sai na imprensa, e da inconveniência de generalizar. Até aqui chegam, porque do que se trata em questões partidárias é de absorver o impacto do assunto e passar a página, para voltar quanto antes ao de sempre.
Em cada novo escândalo, o “colunista mor ” exige que se ponha limite à corrupção política. Limite à corrupção política? Nada mais simples: alterar a forma como são escolhidos os deputados distritais; Instituir eleições directas nas secções concelhias dos partidos, nas federações e para a presidência. E, sobretudo, fazer a separação entre poder judicial e político. Deste modo talvez pudéssemos aspirar a uma democracia e não a esta partidocracia, cuja essência é a impudência, onde uma linha ténue e impercebível, entre o bárbaro e o votante, separa o abjecto do refinamento.
Admito que a corrupção e os oportunistas existiram sempre. A diferença é que em democracia estas coisas acabam por sair à luz e nas ditaduras e regimes autoritários, ou nunca se sabem, ou olha-se para o outro lado esperando que nunca mais se fale quando alguma coisa suja emerge.
Se existissem em Portugal organizações políticas transparentes e revitalizadas, instituições ágeis e eficientes, resguardadas por uma cidadania comprometida nas questões colectivas, o país certamente sairia do lodaçal onde alguns tentam amarrá-lo.
Apesar de não podermos pensar num golpe qualquer, como forma de acabar com a nossa democracia, reconheço, no entanto, que os escândalos de corrupção, geram cepticismo e muito desafecto com a coisa pública. Eles são capazes de promover o populismo e a demagogia que já andam por aí à solta e são muito próprios de regimes opacos e fechados.
domingo, outubro 25, 2009
1ª. AMOSTRA ERÓTICO-PARÓDICA DAS CALDAS DA RAINHA
Notas soltas sobre o pénis
Em Portugal há quem veja nas noivas de Santo António e no culto a este santo reminiscências de práticas semelhantes.
Em Alcobaça conhecem-se vários lugares onde as mulheres com problemas de concepção ou de casamento se iam “encomendar” no séc. XVII; antigos cultos que a igreja católica “nacionalizou” e que hoje se vêem sublimados igualmente na Senhora do Leite e na Senhora de O.
Na actualidade, o culto ao falo, ainda se encontra um pouco por todo o mundo, mas é mais visível nos lugares onde o catolicismo não conseguiu destruir formas religiosas primitivas, como fez em alguns por onde passou.
Há em certas zonas do planeta reproduções de enormes pénis dispostos pelas ruas como monumentos. Eles têm simultaneamente carácter religioso, simbólico e estético, e são visitados por casais que se encomendam a estes ídolos pelas mais diversas razões, mas sobretudo para tentar solucionar problemas de procriação.
Em Portugal a religiosidade “fálica” está reflectida e sublimada nalgumas das formas que referi.
Entre as várias coisas que celebrizaram as Caldas da Rainha encontra-se o artesanato caracterizado por um falo ou fazendo referencia a ele. Uma espécie de ídolo, que o tempo transformou em símbolo de identidade desta característica cidade.
A linguagem popular também está impregnada de muitas referências ao falo, ele é utilizado como modelo ou unidade métrica de todas as coisas. Tudo é bonito, grande, feio, bom, elegante, alto, rico, como o... dito cujo! E quando alguém nos diz que choveu como o... dito cujo, sabemos de imediato que foi algo diluviano. Apesar do símbolo que o grafismo linguístico sugere, nunca entendi ao que se refere um homem, quando diz que uma mulher é boa como o... dito cujo! Ou que isto ou aquilo é bom como o...”coiso”! Será que este padrão utilizado por machos assenta no conhecimento efectivo do modelo?
Pela via da saúde pública, o falo ganhou de novo relevo entre a população masculina, não só pela suposta diminuição do seu tamanho, mas também porque, pela boca dos cientistas, está a diminuir a quantidade de espermatozóides. No entanto, parece que é o tamanho que preocupa o macho (ver DN 18/2/2001 e 26/2/2007). Muitos homens não estão satisfeitos com a dimensão do seu pénis e querem-no maior. Este problema afectou de tal forma a saúde pública em Moscovo, que foi criado um hospital com serviço de urgências para pénis, 24 H ao dia (El País 24.2.2001).
Em Espanha, um recente estudo feito a 582 homens entre os 22 e os 75 anos, revelou que a medida média espanhola do pénis é entre os 7,1 cm e os 12,43 cm (de 12,43 cm e a mínima 7,1cm). Os resultados, ao que parece, são similares aos de outros países, mas detectou-se nos inquiridos deste país um “pavor ao micro pénis”, que parece ter provocado uma espécie de síndroma da medição, fazendo com que muitos verificassem se a longitude do seu obedecia aos padrões mínimos de 7,1 cm flácido e 12,43 cm na posição de máxima extensão.
Os outsiders podem recorrer a um programa de alargamento. Não atando-lhe uma pedra, mas através de aparelhos de atracção mecânica de tecidos do organismo, numa cirurgia de alongamento. Além disto falou-se na criação de uma “associação de pénis sem fronteira”, para regular as desigualdades entre países que têm cidadãos com pénis maiores e os que tem pénis menores: uma intenção que resvalou, segundo parece, nos loobies dos preservativos. Talvez o genoma seja a esperança no combate destas assimetrias: aguardamos!
Por sua vez, as mulheres, estão ocupadas com outro tema. O antigo dito que o tamanho não é importante, mas sim a forma como se usa, recobra actualidade. A este dito deve-se juntar um outro, “não há mulheres “anorgásmicas”, mas sim homens inexperientes”. A questão está num invento recente que anda na boca de todas e que possibilita à mulher chegar ao orgasmo apertando apenas um botão. Segundo parece, com um implante sensível e um simples comando à distância, a mulher pode ter orgasmos sublimes. Ao médico que descobriu casualmente este sistema, a primeira mulher que o provou ter-lhe-á dito: “o doutor tem de contar ao meu marido, como fez isso”. A mulher levantou-se da mesa de operações com lágrimas de felicidade e o médico em honra a Woody Allen, pretende que o seu descobrimento se chame Orgasmatron. No entanto ainda não está decidido como baptizará comercialmente a descoberta.
Suponho que os comandos à distância estejam estritamente personalizados, senão imaginem alguém, inadvertidamente, a pô-lo em funcionamento e a provocar, por engano, um orgasmo na vizinha; ou que o comando caia nas mãos de um sabotador e este o utilize, para alguém ter orgasmos múltiplos, em momentos e lugares indevidos... Bem, depois do Viagra, agora isto! A ciência e a tecnologia surpreendem-nos sempre, ao ponto de agora nos fazerem “orgasmar” de estupefacção!
Parabéns aos organizadores da 1ª. Amostra erótica - paródica de Caldas da Rainha. TERRA DAS MALANDRICES.
sexta-feira, outubro 16, 2009
MAPA MUNDIAL DA SAÚDE

segunda-feira, outubro 12, 2009
OUÇAM COM ATENÇÃO (SOBRE A GRIPE A)
CAMPANAS POR LA GRIPE A from ALISH on Vimeo.
Faço a sugestão para ouvirem atentamente este vídeo com um abordagem sobre a gripe A. Um discurso de uma religiosa da Catalunha, doutora em Saúde Publica. Recomendo vivamente.
O texto que se segue a azul é a tradução daquele que se encontra em espanhol na pagina onde se aloja o vídeo.
TERESA FORCADES, doutora em Saúde Pública, faz um reflexão sobre a história da GRIPE A, apresentando dados científicos e inúmera as irregularidades relacionadas com o tema. Explica as consequências da declaração de PANDEMIA, as implicações políticas que derivam dela e faz uma proposta para manter a calma e um apelo urgente para activar mecanismos legais e de participação cidadã em relação a este tema.
Estamos a traduzir e a legendar CAMPANAS em inglês e provavelmente a outros idiomas depois ao ( francês, português, alemão, italiano, russo...). Se alguém quiser ajudar a fazer a legendagem que se ponha em contacto e nós coordenamos! Muito obrigado aos que já se puseram em contacto comigo e me ofereceram a sua ajuda!
sábado, outubro 10, 2009
CHULA DOS PARTIDOS
Ontem acabaram as campanhas políticas finalmente…ufff. A QUADRIANAL FEIRA DO BARRETE, como é para alguns, acabará por certo. Iremos estar livres durante algum tempo…assim espero!
Um amigo fez-me chegar este êxito da música portuguesa dos anos 70. Uma musica que é um apanhado da visão popular sobre os partidos . Concebida nos tempos eufóricos do 25 de Abril e as eleições livres que eram uma grande novidade. A musica enquadra-se no género, pimba contestatário (ouvir original todo aqui).
Recomendo ouvirem atentamente a estética da letra, salpicada que está com a visão popularucha de então sobre os partidos. Um verdadeiro documento antropológico. Antológica! Riam a bom rir como eu fiz …caso tenham vontade obviamente.
Amanhã não deixem de votar.
sexta-feira, outubro 09, 2009
PREMIO NOBEL DA PAZ ATRIBUÍDO A BARACK OBAMA
quarta-feira, outubro 07, 2009
ALCOBAÇA: POLITICO PROCURA-SE

Procura-se político de raça, que faça do posto que lhe seja proposto o objectivo absoluto da sua vida. Procura-se político educado, que não despreze a ironia nem a experiência para polemizar com o adversário. Procura-se político honrado, pouco dado a reciclagens. Alguém apaixonado por esta terra.
O lugar que os eleitores lhe oferecem é uma pechincha!



