segunda-feira, maio 18, 2009

ADVOGADOS E POLITICA


Portugal deve de ser dos países (penso que não exagero) com o maior número de advogados nas suas administrações, com os resultados que todos conhecemos. É também a partir desta (má) visão aparentemente legalista que se permite uma margem de discricionariedade, nem sempre de acordo com a protecção do interesse público. Além disso o Chefe de Estado queixou-se há dias de que “as leis são mal feitas”. Será que alguém crê que a solução para a corrupção (local) consiste em ter advogados como governantes a regular todas e cada uma das actividades das administrações?

11 comentários:

Felisberto Matos disse...

Estão três advogados na corrida para presidente da câmara de Alcobaça,e por isso, a sua pergunta é pertinente.
Como não sou candidato,respondo sem complexos:
1) 90% ou mais dos advogados portugueses,actualmente,ganham menos que uma mulher a dias.
2) as leis não são feitas por advogados;quando muito são feitas por sociedades de advogados,(uma minoria que circula viciosamente entre a advocacia,administração de empresas e política)extremamente bem pagas por grandes empresas que têm interesses nessas leis.
3) em termos locais,(com excepções) os actuais concorrentes reflectem a crise da advocacia a nível nacional:mais vale um ordenado ao fim do mês que xYz clientes que não pagam,ou porque estão ou fingem estar tesos.

west disse...

Cada caso é um caso, além disso há advogados que fazem o seu trabalho em administrações ao mais alto nível. Quando a coisa dá para o torto, são eles, também, quem conhecem melhor as leis e mais facilmente as ultrapassam com ou sem o menor pudor por quem esborracham para atingir os fins. Chegam a fazê-lo tantas vezes que perdem a noção do que realmente devem fazer e defender - os outros, a sociedade, eles próprios como agentes interessados (ou não!) - para que as coisas corram com serenidade. Aquilo torna-se viciante e lucrativo atingindo vários sectores - socio-económico, político e até empresarial - passando a ser assim, um modo de vida. Eu diria mesmo, se quer ser corrupto, ter formação em corrupção, enriquecer rapidamente, saber lamber botas, como ser lambido com eficácia, etc, etc e tal... tire um doutoramento em direito, seja um advogado de sucesso.
Quero salientar que os há seríssimos e bem formados. A carapuça só serve a quem a enfiar.

as-nunes disse...

Pelo que julgo saber, durante muitos anos, a saída Universitária de recurso, era a Faculdade de Direito.
Vai daí, formaram-se advogados a torto e a direito.
Claro que não há lugares que dêem muito dinheiro para todos. O problema é quando se cai nas malhas dos tribunais, que, com a teia das leis que regulam e desregulam a nossa vida, sem advogado à altura das circunstâncias, estamos bem tramados.
Ou seja, não será de espantar que haja por aí muito advogado disponível para o que der e vier.
Um abraço, caro amigo
António

O Guardião disse...

Uma das constatações mais incríveis que fiz há já alguns anos, foi a de que a maioria da legislação é feita (por encomenda do poder político) por escritórios de advogados, que depois são os mesmos que defendem grandes figurões, conseguindo sempre que saiam incólumes dos processos, por mais cabeludos que eles sejam.
As leis são mal feitas, ou são de má qualidade? Talvez sim, mas porquê?
Cumps

Jorge Casal disse...

Em geral, a instituição política portuguesa onde manda um advogado torna-se um coio de intrujões e de corruptos. É isso tem origens na cultura. Sendo o povo português um meio de ignorantes e de analfabetos funcionais, o palavreado e o autoritarismo vencem. Passa a haver submissão ao que «conhece a Lei», e deixa-andar. Os advogados portugueses são, do ponto de vista cívico, execráveis. Também é da sua própria formação. Todo o jovem que quer ser doutor e deseja ganhar dinheiro fácil e vivo, sem esforço, sem imaginação nem criatividade, inscreve-se em Direito. Na Faculdade, o ensino é seguidista, incriativo, sebenteiro. A regra é a do «magister dixit». Quanto mais repetido for o «magister» mais Direito e obediência. Decorando a sebenta do «magister» passa a ser doutor. Simples encornanço e papagueio de paleio. Como as Magistraturas são muito selectivas e o licenciado em direito não está para se esforçar, o recurso é a Advocacia. Os gabinetes de advogados são verdadeiras escolas de escrocs, de palavrosos fiteiros e corruptos. Servem-se do stress dos injustiçados e dos arguidos e exploram-nos. Apelam à fraude. A partir da vizinhança e camaradagem com os juizes, fazem inflectir a sentença em seu favor. Vence-se o adversário só pelo simples palavreado e pelos meneios teatrais. Mas como a concorrencia neste SUBMUNDO da advocacia é imensa e a sua fome do dinheiro sem esforço é insaciável, tentam a Política. O advogado falhado entra na Política. Faz da política uma Porca Suja. Um mundo sem Lei, acima da Lei. O défice democrático que se vive entre nós tem origem nestas carreiras de advogados na Política. O Bastonário da OA promete proibir os advogados de se candidatarem a deputados. Oxalá ele alargue a proibição a todos os cargos políticos eleitos. Deus o ajude.

Menina do Rio disse...

Advogados e políticos! Parceiros perfeitos, mas o dinheiro que estou vendo escorrer nesse poço ai, são as nossas (brasileiras) notinhas de 5, 10, 50 e 100 reais...Tanta grana indo pelo ralo e nós aqui, ralando...

Sempre um prazer imenso receber a tua visita.

Um beijo de cá

zé lérias (o. carvalho) disse...

Com tantos advogados sem trabalho, só lhes resta a política ou, digo eu, a politiquice.
Um abraço

ANTONIO DELGADO disse...

Viva Felisberto,
Obrigado pela sua sinceridade nas razoes que expôs. Sobre "em termos locais,(com excepções) os actuais concorrentes reflectem a crise da advocacia a nível nacional". Eu Pergunto se nao é esse o motivo que os leva a concorrer, porque segundo é voz corrente, pelo menos dois, andam nas ruas da amargura em termos profissionais, rendas em atraso etc etc... Será verdade?

ANTONIO DELGADO disse...

Estimado West,
Seja bem vindo a este espaço de troca de opinioes. Sobre o que diz, reforço a ideia de haver gente séria em todas as profissôes e na advogacia também. Mas sobre aquilo que expôe vou responder-lhe com uma afirmaçao do bastonário da ordem dos advogados António Marinho Pinho, falando em relaçao aos advogados e a politica: é uma " promiscuidade em torno ao Estado...Sao deputados, sao advogados, entram e saem do governo. Um escritório de Lisboa, por exemplo, tinha quatro membros no Governo anterior a este e, pelo menos um deles, numa posiçao de ser a segunda ou terceira figura. Tem de haver alguma moderaçao! Eu defendo as regras da concorrencia entre sociedades de advogados, nao é conseguir-se contratos através de tráfico de influencias subterraneas, ocultas, ou atraves de manobrismos na Assembleia da Republica feitos por deputados que sao advogados" fim de citaçao.

Penso que isto pode ser bem esclarecedor.

Um abraço

ANTONIO DELGADO disse...

CAro Guardiao,

Sobre o que refer O Bastonario disse o seguinte: "Um advogado nao deve de ser deputado, porque quem faz leis nao deve de estar a aplicá-las em tribunal. Entao estou a fazer leis a favor de clientes meus? Pode haver a suspeita de haver leis feitas a favor dos meus clientes e nao dos interesses do Estado" fim de citaçao.

Um abraço

ANTONIO DELGADO disse...

Amigo AS-Nunes.
Pois sim, há advogados muito disponíveis! Além das questões que refere podemos associar ainda o excesso de universidades privadas que diplomaram, a torto e a direito pessoas em direito desregulando tanto procura como oferta , é por isso há advogados ( uma boa maioria) que são autênticos mercenários.
Um abraço