quinta-feira, março 08, 2007

DIA INTERNACIONAL DA MULHER


Quando é que o dia da MULHER é todos os dias?

Ps. Links para a história da libertação das mulheres iniciada pelo movimento sufragista.

http://clio.rediris.es/udidactica/sufragismo2/primfemgb.htm
http://www.almendron.com/historia/contemporanea/sufragismo/sufragismo_1.htm
http://www.historiasiglo20.org/sufragismo/antisufrag.htm
http://www.suffragist.com/timeline.htm
http://www.nodo50.org/mujeresred/historia-feminismo2.html
http://www.historiasiglo20.org/enlaces/sufragismo.htm
http://www.suffragist.com/
http://www.hsd.org/Women_Biography_listing.htm
http://sun.mcps.k12.va.us/~cligon/library%20pages/socialstudies_files/suffragist_movement.htm

Acabo de receber esta mensagem da amnistia internacional que passo a transcrever:

"Querido amigo,Querida amiga,
Hoy, 8 de marzo, es el Día Internacional de la Mujer Trabajadora, un día idóneo para denunciar que una de cada cinco mujeres en el mundo llega a ser victima de violación o de intento de violación a lo largo de su vida.La violencia sexual es una de las agresiones de género más degradante. En muchos casos, son cometidas por agentes del Estado, cuya función debería ser proteger a las mujeres. Según el derecho internacional, la violación de una mujer en manos de un agente estatal constituye siempre tortura de la que el Estado es directamente responsable.Amnistía Internacional lucha contigo para combatir la violencia sexual contra mujeres a manos de agentes del Estado.Gracias por tu apoyo y un abrazo,
Esteban Beltrán Director - Amnistía Internacional "

Poema do Imortal Pablo Neruda enviado pelo querido conterranêo Rogério Raimundo.

"Mulheres

Elas sorriem quando querem gritar.

Elas cantam quando querem chorar.

Elas choram quando estão felizes.

E riem quando estão nervosas.

Elas lutam por aquilo em que acreditam.

Elas levantam-se contra a injustiça.

Elas não levam um 'não' como resposta quando

acreditam que existe uma solução melhor.

Elas andam sem sapatos novos

para que as suas crianças os possam ter.

Elas vão ao médico com uma amiga assustada.

Elas amam incondicionalmente.

Elas choram quando as suas crianças adoecem

e alegram-se quando suas crianças ganham prémios.

Elas ficam contentes quando ouvem falar de um aniversário ou casamento.

O dia da Mulher é todos os dias,

mas este deve ser definitivamente especial."
Ps. Todo o comentário bem disposto e elevado é bem vindo.

15 comentários:

Alzira disse...

Olá António,
De facto, é bom que sempre nos perguntemos quando é que o dia da Mulher é todos os dias.
Ne verdade, na sociedade volátil em que vivemos, é muito fácil falar em dias da Mulher, do Idoso, da Liberdade etc... e, no quotidiano, esquecer-se a verdadeira razão e significação dessas distinções.
No caso concreto do Dia da Mulher, verifico que muito poucas pessoas conhecem a sua origem. E, como a história nos mostra, não raras vezes, o caminho, através dos relatos de tudo quanto foi errado e, até pecaminoso, é bom que a memória sempre esteja alerta.
Eis os factos que deram origem à distinção deste dia:
Em 8 de Março de 1857, 130 (cento e trinta) MULHERES desenvolveram uma jornada de luta por horários de trabalho e salários iguais aos dos Homens, para trabalhos iguais.
Essas mesmas 130 MULHERES morreram carbonizadas num incêndio provocado contra elas , fechadas numa fábrica em Nova Iorque e impedidas de sair porque, precisamente, tiveram a AUDÁCIA de pugnar pelos seus direitos de trabalhadoras - redução do seu horário de trabalho de 16 para 10h diárias e salário igual ao dos homens, por trabalho igual.
Foi Clara Zefkin, uma MULHER nascida em 1867 que, no dia 8 de Março de 1910, em Copenhaga, ao presidir à 2ª Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, propôs a criação do DIA INTERNACIONAL DA MULHER, dia de manifestação anual para lutar pelo direito de voto, pela igualdade entre os sexos e pelo socialismo.
Hoje, dão-se rosas às mulheres neste dia, mandam-se-lhe postais amorosos mas, esquece-se que o que está em causa é a luta pela contínua dignificação do papel da Mulher enquanto membro activo e actuante das nossas sociedades.
Celebremos, pois, pela acção, este dia, honrando aquelas que, sacrificando a sua própria vida, lutaram pela IGUALDADE, LIBERDADE E FRATERNIDADE.
Um beijo feminino para ti está a chegar ao "Covil de Lã".

david santos disse...

Olá!
Eu estou a 100% com a Maria. Só acrescento, que sempre foi na e da América, que surgiram os maiores actos de terrorismo no mundo.
Parabéns.
PS. A PARTIR DO DIA 19, DIA EM QUE VOU CONCLUIR O TRABALHO NO MEU BLOG, SÓ VERDADES, FAREI OS POSSÍVEIS por estar mais atento a este blog.
Parabéns

Alzira disse...

Gostaria de ler o comentário da Maria, mas ele não está visível.

Ludovicus Rex disse...

Mulher, desperta-te; a força da razão se faz escutar em todo o universo; reconhece os teus direitos…

mile disse...

Olá e Viva!

Obrigada por ter posto no ar,uma postagem dedicada ao Dia da Mulher e por ter publicado a carta da Amnistia Internacional. Os 20% das mulheres vítimas de violação/agressão são suficientes para que se continue a comemorar o dia da mulher - é que ainda faz falta. Citando Bourdieu "a socialização diferenciada dispõe os homens a amar os jogos de poder e as mulheres a amar os homens que os jogam, pelo que o carisma masculino é, em parte o charme do poder, a sedução que a posse do poder exerce, por si, sobre os corpos nos quais a sexualidade mesma é politicamente socializada”.
MCR

Alzira disse...

Cara Srª Mile,

Infelizmente, a citação de Bourdieu que enuncia ainda é muito real nas nossas sociedades, apesar de as mulheres começarem, timidamente, a dar passos no sentido da sua "libertação" masculina. É por essa razão que, não raras vezes, assistimos a ascensões políticas e até profissionais de mulheres que, "atrelando-se" ao homem certo, aí encontram o caminho para a "subida" (coloco esta palavra entre aspas porque, para mim, de subida não tem nada...).
Homem associado a poder e mulher submissa e seduzida pelo detentor do poder, seja ele político, doméstico, social ou profissional, é uma questão cultural herdada de há séculos.
Mas, também temos que ser justos e dizer que, nos nossos tempos, essa noção se socialização diferenciada já se vai esbatendo porquanto, a Mulher já é vista, ela própria, como fonte de poder, conquistado com muita garra e luta, por seus próprios meios. Nos dias de hoje a mulher adquiriru já autonomia intelectual, profissional e social que a liberta de grilhões passados e constitui um passo em frente no sentido da igualdade de género de que tanto se fala. O poder, embora maioritariamente ainda ligado ao Homem, começa, por via dessa autonomia intelectual, profissional e social da Mulher, a constituir também para Ela uma fonte de charme e sedução, embora de forma ainda muito "medrosa"...
São bons sinais estes. São sinais de que nos encontramos a começar a trilhar o caminho da PARIDADE, em que Homens e Mulheres partilharão os jogos de poder e sedução com as mesmas armas - conhecimento, profissionalismo e competências.

mile disse...

Ola Sra. Alzira
É verdade que se notam algumas diferenças.É verdade que as mulheres também exercem lugares de poder embora tenham que trabalhar o dobro dos homens para se manterem lá. Mas o mundo ainda é maioritáriamente dos homens e ainda há várias euro-deputadas vitímas de violência doméstica. Por isso não se pode baixar os braços porque me parece que estamos de novo em regressão com a nova geração.
MC

lucia duarte disse...

olá alzira,
estou de acordo consigo no que se refere ás subidas na horizontal.
São essas mulheres que necessitam do "dia da mulher".
felizmente, tenho outro modo de estar e de pensar. se subir por esforço e por mérito, decerto aguento-me mais tempo de pé.
os alicerces estão na nossa força de trabalhar e lutar contra as adversidades e, pode ter a certeza que, ultimamente, me têm aparecido muitas.
mas isto deve-se, decerto, ao facto de eu ter o péssimo hábito de falar contra os "poderosos", ou contra aqueles que o julgam ser.
mas o que ainda não perceberam é que comigo, quanto mais obstaculos me colocam, mais força me dão para avançar.
Não faço questão do dia da mulher, gostava mais do dia dedicado aos valores éticos e morais...

Alzira disse...

Mile (desculpe mas não me dá muito jeito o Srª D.),
Tem toda a razão quando diz que as mulheres também exercem lugares de poder embora tenham que trabalhar o dobro dos homens para se manterem lá. Eu que o diga!!!!
Mesmo assim, posso garantir-lhe que é um prazer sem limites sermos reconhecidas pelo nosso valor e capacidades intelectuais e profissionais. E mais, sermos respeitadas, muito mais do que muitos homens.
É assim, devagar, devagarinho que vamos conseguindo, aos poucos, acabar com a cultura da exclusividade do masculino no poder.
Só é pena é que ainda haja mulheres que trilham outro caminho, nada desejável, nem para elas nem a Mulher em geral e que, outras haja que, por não serem tão capazes, evoluídas intelectualmente e/ou distinguidas profissionalmente, sintam em relação àquelas que o são sentimentos mesquinhos e pouco dignos.
O caminho é seguir em frente e, pela força do exemplo, lutar pela dignidade da Mulher.

Alzira disse...

Olá Lúcia,

Tem razão. "Os alicerces estão na nossa força de trabalhar e lutar contra as adversidades ". E, ainda bem que assim é.
Como eu dizia há pouco à Mile, é pelo exemplo que as mulheres dignificam a sua própria condição por isso, não adico de trabalhar e vivier de acordo com padrões éticos e morais que reputo de essenciais e me acompanham todos os dias.
Um beijo para si e bom trabalho.

Anónimo disse...

Querido António,
É bonito que recordes no teu blog o dia dedicado às mulheres. Sei que é um dos teus temas preferidos.
Felizmente na maioria dos países do ocidente, as mulheres já têm direitos, embora ainda ganhem uma média de 20 ou 30% menos do que os homens para o mesmo trabalho. Também cada dia se vê mais a violência contra elas por maridos e amigos. Mas não devemos de esquecer que em muitos países, as mulheres não têm nenhum direito, ou já os tiveram e perderam. No Irão continuam a lapidar as mulheres por abandonarem o marido. Na Índia são queimadas para os maridos ficarem com os seus bens. Há ainda muito por fazer e deveríamos deixar de olhar para nós, mulheres ocidentais e lutar mais, simplesmente para devolver a essas mulheres um bocadinho de esperança.
Um beijinho para ti e até breve.
Ema Pires

lucia duarte disse...

obrigado, alzira.

Anónimo disse...

Meu caro António
Não me agrada muito celebrar o dia da mulher, em especial tentando sistemáticamente afirmar que as mulheres ainda não atingiram a igualdade, que não têm os mesmos direitos que os homens, etc, etc, etc.
Fico sempre com a sensação de que lhes passamos um atestado de menoridade nesse dia.
Para mim todos os dias são dias da mulher, esse ser maravilhoso que nos deu a vida, que sacrifica a sua em prol dos seus, e no meu subconsciente sempre considerei que o verdadeiro sexo forte são realmente elas e sem qualquer diferença entre homens e mulheres nos seus direitos, e isso não me faz sentir menos Homem.
O que nós temos de continuar a fazer todos os dias e não num só é mostrar á evidência que reconhecemos sem reservas essa igualdade e sabemos merecer as mulheres que nos acompanham sempre.
José Gonçalves

Anónimo disse...

Querido António,
Estive pelo meu trabalho num congresso internacional de mulheres em Madrid. Entre outros muitos temas igualmente terríveis, houve um que me horrorizou particularmente: a ablação do clítoris. Esta minha pequena contribuição pode talvez ferir algumas sensibilidades, mas é a crua realidade e está a passar em muitos sítios.
Podemos diferenciar 3 formas básicas de intervenção: a ablação do prepúcio clitoral e da ponta do clítoris; extirpação do clítoris e parte ou todos os lábios; infibulação, que consiste na extirpação do clítoris, lábios, parte do útero e costura de parte da vagina, com arame ou fio de pesca.
As argumentações para manter esta prática em vigor são: Sociais: Castidade, fazer a mulher desejável, a tradição, a religião exige-o e as mulheres ficam mais submetidas e fiéis e “são mais férteis”. A maioria das vezes esta operação realiza-se nas piores condições médicas e SEM ANESTESIA, com uma faca ou uma lâmina e até com um pedaço de vidro. Por outra parte, as meninas não podem chorar, nem gritar para não envergonhar a família. (Passaram uns vídeos que não fui capaz de ver!).
Em geral produzem-se graves hemorragias e infecções.
Tudo isto é fruto da desinformação, da superstição e da dominação masculina. As consequências a longo prazo desta mutilação são problemas menstruais, quistos e infecções crónicas da pélvis, muitas vezes infertilidade. Psicologicamente, a ablação provoca estados de ansiedade, depressão e ataques de pânico.
Em África já existem vários movimentos de mulheres que conseguiram que se ditem leis para parar estas práticas. As leis existem mas não se aplicam. E estas mulheres organizam-se em associações e vão pelas aldeias para convencer as pessoas de parar com isto, muitas vezes sem ajuda de ninguém e com os seus próprios meios económicos. Já o conseguiram em muitos sítios.
Quis deixar aqui esta pequena contribuição à causa de tantas mulheres que estão a sofrer esta barbaridade. Entre tanto, as feministas ocidentais, gastam energias e fundos em falar do que é “politicamente correcto”, quer dizer, que agora deve-se falar de cidadãs e cidadãos, trabalhadoras e trabalhadores, gatos e gatas... e obrigar os homens a lavar a louça e a fazer tarefas domésticas. Parece que é o único problema actual das mulheres. Não digo que não o devam de fazer, e que não haja muitas coisas por fazer, mas existem também outras dificuldade muito mais urgentes do que querer mudar o dicionário para feminizar as palavras.
Ema Pires

Alzira disse...

Infelizmente, os factos descritos no comentário que antecede são REAIS. E, muito provavelmente, praticam-se em Portugal, uma vez que o nosso país se "transformou" em país de acolhimento de povos de várias culturas, costumes sociais ou religiões, caracteristicas que, na quase generalidade dos casos, fundamentam a prática referida. É o caso, entre outros, de certos povos e culturas africanas ou orientais.
Mas, a verdade é que, seja lá onde for, ou através de quem se pratiquem barbaridades desta desumanidade, devemos todos nós lutar contra elas.
É o que, usualmente, faço através da Amnistia Internacional uma vez que, através desta entidade, acreditada e organizada internacionalmente, os ecos individuais transformam-se em ecos sociais numerosos e, por esta via, têm capacidade de pressão sobre os Países/Estados que permitem sejam cometidas barbaridades com estas nos seus espaços territoriais.
Como o "caminho para o sucesso está sempre em obras", vale a pena participar activa e civicamente. Assim, aqui fica o endereço da Amnistia Internacional, para quem o desconheça, e se interesse em participar, de forma activa, na condenação desta e de outras práticas desumanas e condenáveis e, por esta via, colaborar com aqueles que procuram "construir" sociedades mais JUSTAS, LIVRES e FRATERNAS:

www.amnistia-internacional.pt