domingo, abril 19, 2009

O SANTO PORTUGUÊS QUE MATOU 36 MIL ESPANHÓIS




Falo de Nun’Alvares. Até há pouco, as mulheres ameaçavam os miúdos com «Olha que eu chamo o Dom Nuno!». Um papão. Os portugueses só o conhecem porque ele derrotou os espanhóis. Em Aljubarrota foram 36.000, para além dos 7 de que se encarregou a padeira. Invocou Santa Maria – que só será Mãe dos portugueses e não dos espanhóis - venceu. Esta mitologia merece tanto crédito como as lendas de feiticeiras; o problema é que, repetida hoje, significa estagnação cultural. Ideologia rústica fora do tempo. O povo vai venerar um santo só porque ele derrotou os espanhóis. (Ficamos à espera que seja canonizado o régulo Gungunhana que se sacrificou pela independência da sua pátria, Moçambique...). O Dicionário de História de Portugal, de Joel Serrão, lemos isto: «[Nun’Alvares] exigia sempre uma disciplina rigorosa e o exacto cumprimento das suas ordens; se isso não sucedia tornava-se bravo como um leão, chegando a matar os cavalos e a ferir os corpos dos descuidados, se eram pessoas de mais pequena condição». Entenderam: «se eram pessoas de mais baixa condição». Cavaco
Silva, ao integrar a comissão de honra da canonização, disse que «pode ser um exemplo para os portugueses». Eu diria que exemplos desses já temos de sobra: uma Justiça que condena os pobres e absolve os ricos; os trabalhadores pagam impostos enquanto os políticos e suas famílias acumulam milhões com a corrupção, os banqueiros a apropriarem-se dos dinheiros dos clientes...
Preferia ver o responsável máximo da Nação - que, hoje, é amiga de Espanha - a abster-se desses conluios patriotiqueiros e a apontar os espanhóis como exemplo de civismo, criatividade e empreendedorismo. Não foi pelas qualidades guerreiras do Condestável que o Vaticano o canonizou. Seria porque, já velho e impotente, se recolheu a um convento onde viveu 8 anos ? (Diz o ditado: «O diabo depois de velho fez-se ermitão»). Não consta que tivesse dado as suas riquezas aos pobres, como se diz agora. Que se dedicasse a tarefas conventuais, milhões de frades o fizeram.
No entanto, o mesmo historiador que citei diz: «Por baixo do hábito de frade, Nun’ Álvares trazia por vezes vestido o seu arnez de combatente». Estão a ver? Um belicoso disfarçado de frade. Foi pelo milagre do salpico de azeite quente que saltou para a vista duma mulher de Ourém e que não a cegou? Porque foi? E porque só agora? Política vaticana. A beatificação, em 1918, visou combater as Repúblicas portuguesa e espanhola, liberais. Depois o processo
foi p’ra gaveta, por cumplicidade com o fascismos ibéricos. Agora, como o Condestável foi anti-espanhol, saiu dos arquivos para a actual guerrilha entre a Espanha e o Vaticano (este já não tem mão duma nação que foi a mais católica do Globo). Primeiro foi a lei sobre o aborto. Depois, o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo que levou os bispos espanhóis a saírem à rua em manifestação (coisa nunca vista - para combater uma lei democrática). Bento XVI até veio a Espanha apoiar os bispos num congresso em favor da «família tradicional». Hoje há o problema das aulas de Religião e Moral que o governo substituiu por Educação Cívica, e o programa da Memória Histórica sobre a guerra civil a que a Igreja - que foi co-responsável nessa guerra - se opõe («para não abrir feridas», diz ela). Se isto fosse em países como Inglaterra, Alemanha ou França, laicos ou protestantes de longa data, passons como dizem os franceses. Vindo de Espanha que foi a católica por excelência, no pasaran como diriam os bispos espanhóis. E passaram. Então... «Tomem lá com o Condestável português que vos derrotou!» (Sendo eles como são, faz-lhes tanta mossa como mostrar-lhes um espantalho).
Esta canonização é a reprodução da de Santa Joana d’Arc, rapariga francesa que derrotou os ingleses invasores da França, em Orléans (1429); mas foi entregue traiçoeiramente aos ingleses que a condenaram à fogueira por heresia (1431). Só foi beatificada em 1909 e canonizada em 1920, uma época de fundamentalismo católico... contra Inglaterra protestante.
E, com este costume medieval de inventar santos e dos pôr a fazer política, é a imagem do Vaticano que fica muito aquém das culturas da modernidade. ( artigo da autoria do Prof. Moisés Espírito Santo e publicado no Jornal de Leiria 16/4/2009)

32 comentários:

SILÊNCIO CULPADO disse...

António Delgado

Concordo com tudo aliás tens aqui um post esplêndido e bem fundamentado. Mas deixa-me abrir um parentesis em relação a Nuno Álvares Pereira.
Não podemos analisar o homem à luz dos nossos valores actuais e, apesar dessa actuação pusilânime que era regra em batalhas e que consistia em ganhar a qualquer preço e a qualquer custo mesmo matando pessoas caídas e indefesas, Nuno Álvares Pereira não terá sido um santo mas tão pouco foi um homem destituído de carácter. Fernão Lopes descrevia-o como um homem generoso e sensível que se rebelava quando o rei D.JoãoI infringia castigos duma dureza desproporcionada a certos cidadãos. Cita mesmo o caso em que D.João I tendo mandado decepar dois jovens na flor da vida apenas por terem roubado erva Nuno Álvares Pereira não conseguindo impedi-lo meteu-se na tenda de campanha a soluçar.
Agora canonizações cheiram-me sempre a palhaçadas dum rídiculo arripiante. Será que alguém acredita?


Abraço

ANTONIO DELGADO disse...

Em torno de Nuno Alvares Pereira há muita fabulação assim como há em relação à própria batalha de Aljubarrota. Muitas vezes o nacionalismo histórico vangloria o feito dos portugueses, baseando-se no único cronista oficial que era a voz do Poder . Para o Poder se vangloriar o facto histórico relatado de forma transcendente ( 1 português para sete castelhanos entre outras coisas) senão quem o protagonizou não eram providenciais nem predestinados. Aquela lógica não difere muito da presente, e, se não tivéssemos oposições, não haveria desemprego nem crise nem talvez corrupção, quando no ano de 2645 os futuros historiadores fossem abordar a época que vivemos.
Mas, independentemente do valor da vitória na batalha de Aljubarrota, para o então reino de Portugal, a verdade é que a historiografia parece que não relativiza a nossa vitória. Nunca se diz que o nosso adversário teve de atravessar toda a Estremadura, em pleno Agosto, com as armaduras de ferro e as armas , às costas e a pé. Nunca se pergunta como era alimentava aquela gente deslocada? como dormia. A ajuda das tropas do duque de Lencastre ao exército de D. João I? Quantos eram ? a meu ver há muita historiografia séria por fazer. Historiografia que não traumatize, que não diga que fomos os maiores e os melhores e que agora não valemos nado. Uma historigrafia que não tenha no passado uma forma para complexar quem vive no presente.
O meu imaginário foi educado com a figura de Nuno Alvares Pereira em criança mas posteriormente reconheci que estava adornado por essa áurea de predestinação sobrenatural imposta pelo catolicismo à nossa história. Áurea que muitos historiadores ainda não se livraram quando pretendem relatar factos como tudo aquilo que é relacionado com a vida de NAP. Mas recordo outro exemplo o da A Rainha Santa Isabel. Ela para fazer o milagre das rosas teve de mentir ao marido ( para uma educação cristão não está mal )…mas vejamos parte da história: “que levas no regaço” ? Perguntava desconfiado, D. Diniz,. “São rosas meu senhor”. Mentia a rainha ao esposo para não dizer ao rei que era pão que levava no regaço para os pobres. Teria ela medo de represálias do marido naquilo que hoje se designa por violência doméstica? Faz-se Santa uma pessoa que mente e oculta a verdade ao marido? Há muitos mitos Portugueses que deviam de ser esclarecidos numa perspectiva psicanalítica e este de transformar pão me rosas é estranho há quem diga que até nos milagres temos azar!
Ps. Sobre mitologia nacional e uma particular de Alcobaça, escrevi neste

as-nunes disse...

Santificado seja o pão nosso de cada dia!

Será que ainda teremos que andar a rezar a todos os santinhos para nos darem pão? Nem que seja transformando as rosas de Santa Maria em pão, mesmo pão a sério, daquele que mata a fome a quem precisa!

Um abraço
António

Pastora disse...

Colocar um herói da guerra, de ontem ou de hoje pouco importa, no lugar de Santo da religião cristã, o que significa modelo de acção para os outros, é subverter aquilo que o Mestre veio pregar há 2.000 anos - "A Paz esteja convosco".
Nos próximos anos quem sabe canonizam Bush pela invasão do Iraque.

Pastora da Estrela

A. João Soares disse...

Caro António Delgado,
O que me parece mal nestes casos é a mistura das religiões com os cerimoniais do Estado. A religião é um sentimento íntimo das pessoas, a sua fé. Mas, para controlar os crentes, as religiões usam símbolos e muitos truques de marketing e manifestações de massa em que a capacidade de raciocínio das pessoas fica amortecida, como este texto mostra ter acontecido da parte dos historiadores ao longo dos anos. Os radicalismos hoje muito notados nos islamitas, já existiu nos cristãos, com a inquisição, com a nossa campanha de expandir a fé e o Império, etc.
O bom senso aconselha a separar as águas: a Deus o que é de Deus e a César o que é de César.
A canonização de um guerreiro é estranha tal como é mostrar a imagem de Cristo crucificado, em vez de o mostrarem com aspecto de amor paternal, caso que há pouco tempo foi noticiado a propósito de uma paróquia de Tomar. O crucifixo incita à vingança contra quem crucificou, uma imagem de violência que não devia ser mostrada a crianças e pessoas mais sensíveis. Nem todas as tradições devem ser perpetuadas.
Quanto a D. Nuno, este reactivar da aversão aos espanhóis não é coerente com a nossa condição de Estados membros da UE, e do facto de ser com a Espanha que se fazem as maiores trocas comerciais.
Não me bato pela União Ibérica, mas um bom relacionamento, de amizade, boa vizinhança e colaboração seria benéfico para as duas partes, embora nenhum dos Estados deixasse de defender os seus interesses nacionais, com independência.
Mas a religião precisa de novos santos para manter acesa a adesão dos crentes.
Um abraço
João Soares

Beezzblogger disse...

Amigo António, eu sou Português, e sinto um pouco de angústia, e interrogo-me, se não seria melhor, embora a crise esteja em todo lado, ser um só país?

Claro que me podem apelidar de muita coisa, mas com o crescendo destas desfeitas que nos tem feito, o nosso país a saque, sinto mesmo que estaria-mos bem melhor com a governação dos "nuestros hermanos".

Dom Nun'Alvares, foi um grande homem, como foram outros grandes descobridores, e Reis de Portugal, e a batalha de Aljusbarrota, sem dúvida um marco importante na nossa história, mas isso, o passado glorioso, não pode disfarçar a agonia do presente.

Abraços do Beezz

ANTONIO DELGADO disse...

Silêncio Culpado

Sobre mitologia nacional há uma postagem que fiz em 2007, neste blog e pode ser consultada no link :
http://ecosecomentarios.blogspot.com/2007/03/simblica-de-um-logtipo-os-crimes-de_19.html#links

ANTONIO DELGADO disse...

Caro AS- NUNES se calhar é essa a ideia!
Como referi até nos milagres temos azar... não há nenhum que transforme rosas em dinheiro?
um abraço

Lúcia Duarte disse...

Claro que eu vou ser a desmancha-prazeres do debate mas não gosto das comparações que faz.
Mas esqueceu que na época se vivia de guerras pelos dominios dos territórios e, se quer comparar, hoje faz-se o mesmo.
Se o homem deveria ser santo? Isso é uma questão cristã e, se estiverem a cometer um erros, também já cometeram vários bem mais graves do que este, não lhe parece?
Mas continuo a achar que há problemas bem maiores.
As declarações do Presidente até me parecem coerentes com a linha de pensamento que tem defendido.Quis demonstrar que deveriamos ser mais lutadores mas cada um faz a interpretação que quer, consoante as suas vivências e a sua forma de estar na vida.
A canonização de D. Nuno (que o amigo parece não ter gostado nada e está no seu direito)serve para se esquecerem os graves problemas que atravessamos no nosso país e parece que o António está a entrar nesse jogo.
Há horas para tudo e estae, no meu modesto entender de mulher do povo, que os reais problemas sociais são mais urgentes de comentar.
Porque não comenta, por exemplo, a decisão da Igreja de ajudar as familias carenciadas (que deveria ser, aliás o papel da Igreja?) ou a polémica sobre os preservativos e a prevenção da Sida?
Desculpe ter de lhe dizer isto mas vamos deixar o superfluo e falar no essencial?
abraço

Alexa disse...

Amigo António
eu juro que sorri este texto que aliás está muito bem conseguidoporque lembra-me bem das minhas aulas de história dada antes do 25 de Abril em que faziam deste homem um verdadeiro guerrilheiro,mauzão,ou se era a favor dele ou estava-se lixado mesmo. Agora 3o anos mais tarde vêem dizer que o homem era um santo , porquê,porque matou muitos espanhóis, porque tratava as pessoas abaixo dele como lacaios .Não dá para perceber. A Igreja com este papa retrocedeu 200 anos.Para a igreja qualquer um é santo desde que lhe dê geito.
adorei o texto
beijinhos

ANTONIO DELGADO disse...

Há uma plêiade de "santos" católicos cuja vida não foi virtuosa no entanto são referencia das virtudes católicas, sabe-se lá por que critérios?! Parece ser um pouco a semelhança da vida de alguns políticos , quanto mais andam na boca do mundo por realidades ou supostas realidades menos elevados, mais as pessoas gostam deles. Na categoria dos santos guerreiros a imagem que mais me impressionou foi, sem dúvida, a de Santiago Matamouros. Esta figura está representada nos altares ,em cima do seu cavalo a espezinhar sarracenos. Normalmente estes estão pintados com a pele de cor negra e prostrados no chã: nunca vi imagem mais Xenófoba. Ela exibe-se em muitas igrejas do norte de Portugal e nas províncias Espanholas de Zamora, Lugo, león, Estremadura, Castilla entre muitas outras. Sobre o que diz de Bush é capaz de ter razão.

Um abraço

ANTONIO DELGADO disse...

Amigo A. João soares,

Subscrevo plenamente a sua visão clara sobre as ideias que expõe. Noto que há uma certa "espanholofobia" que se manifesta, por vezes, em Portugal mas não tem paralelo em Espanha. Mais dos que os traumas históricos suponho ser reflexo da pequenez do nosso olhar e sermos tão complexados.

Saudações
Antonio Delgado

ANTONIO DELGADO disse...

Caro Beezz,
É pertinente a sua interrogação mas como diz, “o passado glorioso, não pode disfarçar a agonia do presente.” e infelizmente é isso que acontece!
Assim sempre podemos cantar “LEVANTAI HOJE DE NOVO”, como o mito do eterno retorno.
Um abraço

ANTONIO DELGADO disse...

Viva Lúcia,
Está no seu direito de discordar e ainda bem!
Quando fala do “presidente” refere-se concretamente a quem? Será O presidente do Governo? O presidente da República? O presidente da CMA? O presidente do CCC?! ...perdi-me!
Era o que faltava eu não estar no meu direito! O texto é bastante interessante como muitos outros que poderia publicar sobre o mesmo tema porque fui educado na simbologia do NAP, da mesma forma que ainda da sou livre para escolher aquilo que quero postar e comentar e afirmar que o supérfluo ou o essencial é um domínio do foro particular, logo tem carater subjectivo.
Saudações.

ANTONIO DELGADO disse...

Olá Alexa,
Infelizmente tenho de concordar consigo na ideia do recuo da Igreja. O amigo A. João Soares, tocou aspectos que acho bem interessantes, como a questão da dor e a sua exibição pública. Sem esse troféu não podemos reivindicar nada ao outro nem faze-lo inimigo e este é o grande problema da sociedade e dos indivíduos…ter um inimigo de estimação.

Blas Jesús Sánchez González disse...

Me es grato oir comentarios que miran hacia España y agradezco a todos aquellos que tienen conciencia de un mismo sentir ibérico de fraternidad. La crisis nos debe unir a todos en la lucha contra la misma.

En España nosotros teníamos un señor que durante la Edad Media se dedicaba a conquistar nuestro territorio a los musulmanes (o moros, como se decía entonces a los sarracenos), se llamaba Don Rodrigo Díaz de Vivar, alias el Cid Campeador.

Nuestro patrón es Santiago (sí el mismo de Santiago de Compostela, de vuestra vecina Galicia) y nosotros teníamos en ese entonces como lema "Santiago matamoros", siendo el grito de Santiago el que más se oía en las hazañas bélicas de nuestra patria.

En las batallas de la reconquista nuestras huestes se encomendaban al patrón Santiago y también a la Virgen María. Pero es cierto que, si mal no recuerdo, nosotros nunca hicimos santo a nadie que matara ni moros, ni portugueses ni vascos ni catalanes ni a nadie.

Juana de Arco sí que fue canonizada, a pesar de comandar a sus ejércitos para matar a los invasores ingleses, pero la causa de canonización fue otra: fue quemada en la hoguera por brujería después de que post mortem se hubiera demostrado su inocencia.

De todas maneras, y sin ánimo de anexionarme nada, me alegra y me enorgullece saber que todavía haya lusos que miren hacia nosotros y que quieran construir un solo país.

Ahora bien, que me expliquen por qué fue santo, porque nadie hace santo a nadie cuya única hazana sea matar guerreros castellanos en una escaramuza. Alguna hazaña más debió tener.

Blas Jesús Sánchez González disse...

Y otra cosa, yo no estoy de acuerdo con la implantación de la asignatura de Educación para la Ciudadanía, y soy católico, apostólico y romano.

Jorge Casal disse...

A Lucia Duarte diga apenas que falar do Dom Nuno é que é a actualidade. Gostava que me dissesse se fica bem a algum cristão rezar em frente duma imagem dum guerreiro, só porque foi um bom chefe do exército e qure, depois de velho, se fechou num convento. É isto a santidade segundo Jesus Cristo? Esses portugas católicos, estúpidos como portas, que agora se põem a venerar o Condestável já alguma vez leram os Evangelhos e, em geral, o Novo Testamento? Um homem é santo só porque é patriota? Os Generais Mousinho de Albuquerque, Carmona, Spinola, Costa Gomes, Ramalho Eanes e tantos outros anteriores a eles também foram patriotas e alguns deles mataram muitos «turras», em Angola, Moçambique, Guiné... São Santos, por isso? Esta Igreja Católica Apostólica e Romana já não tem uma réstea de espírito cristão, evangélico, bíblico. É mais uma empresa de carreirirstas, de politiqueiros, de golpistas e de chupistas do que uma igreja cristã,com espírito evangélico, bíblico. ´E isso que me chateia. Jesus Cristo nada terá a ver com estas mixóridas católicas

Efigênia Coutinho disse...

Meus cumprimentos ao senhor, este espaço tem história, tem cultura , com quem sabe o melhor fazer para ser apreciado pelo leitor.

Serei sim uma seguidora, pois é um meio de boa cultura ao mundo,
Efigênia Coutinho

Lúcia Duarte disse...

Olá Jorge
Parece que não interpretou muito bem o que eu disse, ou terei sido eu que não me fiz entender.
Eu não defendi que o homem é santo, até porque não acredito em santos.
O que eu disse foi que não podemos pisar a história e não a podemos criticar aos olhos das nossas vivências de hoje.
Tudo tem o seu contexto histórico e temporal.
As crenças e os mitos são algo a que as pessoas se agarram por diversos motivos pessoais, sociais ou até politicos. D. Nuno parece ter sido um desses casos.
O que eu quis dizer, em relação à igreja, foi praticamente o que o Jorge disse, ou seja, depois de tantos crimes que a igreja já praticou que legitimidade tem para criticar o uso do preservativo, o aborto, etc? O seu papel deveria ser o de dar apoio espiritual a quem dele necessita e praticar a caridade.
Era mais esse tipo de conversa que eu gostava de ver aqui ou em qualquer outro blog mas parece que os erros da igreja e o aproveitamento económico que faz das crenças humanas continuam a ser tabú.
Voltando a D. Nuno, continua a ser um motivo para exploração a nivel de turismo e a sociedade vive desse tipo de exploração.
Como vê, não tenho uma opinião muito diferente da sua em matéria de igreja mas em matéria de defender o que ainda dá uma restea de vida a Aljubarrota, aí o caso já é diferente.
Se Fátima pode explorar uma imagem, porque é que Aljubarrota não pode fazer o mesmo em relação a D. Nuno e à padeira?
A cultura popular e as suas crenças ou crendices também fazem parte da nossa identidade e da nossa história, ou não?

Jorge Casal disse...

Lucia. Estamos de acordo. Só me diferencio de si numa coisa: Os actos históricos criminosos não são desculpáveis porque «as pessoas actuaram de acordo com o seu tempo».Já o nosso amigo Silêncio Culpado também diz o mesmo: «não julgar o passado à luz dos nossos actuais valores». Ora, o passado deve ser lido à luz dos nossos valores actuais. Se os crimes do passado fossem desculpáveis, teriamos de perdoar todos os genocidas, Hitler, Salazar, Pides e todos os malfeitores e criminosos do passado porque eles «estavam de acordo com o seu tempo». Ora os políticos, activistas, artistas, ideólogos, etc de hoje devem esperar ser julgados no futuro. O presente será lido no futuro. O bom prensador e o bom político actuais são os que estarão de acordo com os valores do futuro. A História é um «contínuum» que os homens actuais devem levar para situações cada vez melhores, criticando persistentemente, o passado. Dom Nuno devia ser considerado hoje um criminoso e não um santo. Não há muitos valores perenes (os restantes serão julgados negativamente no futuro). Entre esses valores perenes vejo a solidariedade social, a bnegação e o amor ao próximo, a tolerância, a modéstia, a humildade, a rectidão, a paz entre as nações... Dom Nuno é o contrário disto tudo. Um demónio. Por isso é que me lembrei de falar de Jesus Cristo que é a figura (das poucas na História) cuja doutrina é perene porque, baseando-se no amor ao próximo e na tolerância pela diferença, pela universalidade das suas posições (acima das religiões, das culturas, das línguas, dos géneros,das nacionalidades...),não disse nada que hoje esteja ultrapassado. Já a igreja Católica... Deus nos livre.
Quanto à ideia de D. Nuno ser uma figura explorável pelo turismo e pela cultura das gentes de Aljubarrota, isso é idenpendente de ele ser venerado como santo ou como demónio. O Ze do Telhado, um ladrão dos ricos minhoto e Deu-la-Deu Martins de Valença, são objecto de muita atenção no Minho, tal como, na Suiça, Guillaume Tell. O São Nuno promove menos o turismo em Aljubarrota do que o «Guerreiro patriota do passado», «um resquício identitário, uma relíquia da cultura ultrapassada». Não pense que os estrangeiros virão a Aljubarrota ou Batalha beber uns copos ou pernoitar por causa do São Nuno Alvares Pereira «que passou por aí» (essa ilusão popularucha, muito própria dos pacóvios portugas, até me dá vontade de rir...). Um bj. Jorge

SILÊNCIO CULPADO disse...

António Delgado

Fui ao link que me indicaste e li com atenção o excelente post sobre o imaginário "Pedro e Inês".
Percebo o teu ponto de vista a clamar rigor científico na investigação e análise dos factos históricos rigor este que se perde quando quem vai transmitindo memórias está comprometido com o poder. Fernando Lopes também era cronista da corte. Tenho a consciência disso. Mas à distância que fontes podem ser rigorosas e credíveis? E como trabalhá-las de forma correcta?
Não sou especialista em História, digo-te já,mas são questões que se me colocam quando me dizem que a realidade não é esta mas pode ser aquela.
Agora o aproveitamento da igreja e a falta de ética que demonstra para controlar a História é simplesmente escabrosa. O facto dos túmulos de Pedro e Inês estarem sepultados na Igreja lembram-me o médico Sousa Martins que nunca foi crente nem das simpatias da igreja mas que tem (ou tinha) na Igreja de Alhandra uma caixa de esmolas em nome da sua alma.

Estes debates são sempre bons. Obrigada por este bocadinho.

Abraço

Zé Povinho disse...

Temos um Estado laico, dizem, mas na prática é o que se vê. Já vivemos uma época em que se exaltava um certo nacionalismo, hoje temos um novo nacionalismo que difere do anterior apenas nos pormenores e não na essência. Estou a recordar-me de uma certa promoção militar, da inauguração de uma praça, apressada para coincidir com o 25 de Abril, e com umas cerimónias comemorativas do Dia da Liberdade, com discursos até de quem acha que a corrupção não deve ser criminalizada.
Abraço do Zé

ANTONIO DELGADO disse...

Hola Jesús,

Gracias por tu curiosidad en el tema del artículo. Efectivamente hay algunos portugueses desilusionados con la situacion de Portugal y añoran una posible unión iberica. Desde historiadores como Oliveira Martins y el grupo los “ Perdidos da Vida” (Eça de Queiros, Antero de Quental, duque de Vinioso, Ramalho de Ortigão) esa ideia existe y muchos piensan que es un error histórico la división de Iberia en dos países Pero los nacionalistas más radicales ven esta ideia muy mala, como si fuera el diablo personificado. A unos y a otros digo que me dejen viver, en paz y libertad. Mi madre dicia que lo malo de la humanidad es que deveria de haber una sola moneda y una sola lengua para que nos pudiéramos entender. Yo sigo pensando que tenia razón, como persona simple que era y que desconocía las ideologías.

Sobre este gerrero medieval pienso que el texto explica, en su estilo, las razones para santificarlo. Me parece muy bien que en España no se sanctifique a la gente por haber matadi: ni moros, ni portugueses ni vascos ni catalanes ni a nadie. Pero, Portugal y el catolicismo portugués son diferentes.

Un abrazo fuerte desde Portugal

ANTONIO DELGADO disse...

Viva Jorge,
Faz algum tempo que não passavas por aqui, como deves de calcular não irei interferir na tua troca de ideias com a Lúcia.
abraço

ANTONIO DELGADO disse...

Estimada Efigénia ,
Obrigado pela sua visita e pelo comentário deixado. O espaço é uma tentativa para estimular a discussão…obrigado pela visita e farei uma entrada para o seu espaço.
Bjs.

ANTONIO DELGADO disse...

Viva Lúcia, continue o seu dialogo com o jorge...
Bjs.

ANTONIO DELGADO disse...

Olá Lídia ( Silencio Culpado)
Obrigado por consultar o texto. Foi escrito faz muito tempo (14 anos) e é um resumo adaptado ao blog de outro artigo mais largo. Gosto de interpretar a história mais além da mera reportagem de factos e da sua cronologia, como a nossa historiagrafia, com raras e excelentes excepções, costuma fazer.
O rigor cientifico sobre o passado é muito difícil de fazer porque o investigador sério reconhece que a narrativa histórica e as formas intencionadas de perpetuar memórias, como o presente nos mostra sobre aquilo que se regista, nunca é o retrato do que ocorre mas uma história acerca do que terá ocorrido. Por isso devemos de reter que o passado que alternamos e aquele que inventamos são tão frequentes como aquele que pretendemos conservar. Do mesmo modo, que um símbolo existe em função das suas repetições, uma mentira torna-se verdade pelas vezes que é repetida. Como valor científico interessa-me mais a mentira porque é mais indicadora da cultura que a consome que o facto que pretende narrar. É por isso que as perspectivas do passado e as formas tradicionais com que são vistas me parecem perniciosas; menos talvez para os seus escassos herdeiros ou aqueles se deixam narcotizar por elas. O Nuno alvares Pereira assim como muitas outras coisas da nossa história encaixam-se neste tipo de ideias.
Sobre os Ecos e Comentários sempre pretendi que ele fosse um espaço para a troca de ideias como a Lídia em boa hora ajuda a fomentar.
Peço desculpa á Lídia de ter feito o primeiro comentário em duas partes mas, por vezes, a pressa que não é boa conselheira, faz com que escreva, directamente no espaço dos comentários directamente e sem rever aquilo que escrevo e foi o que aconteceu…por vezes o pensamento é mais rápido que a acção!!!

Um abraço.

ANTONIO DELGADO disse...

Olá viva Zé Povinho,
O país é um somatório de incongruências às quais parece que “somos" apoiantes incondicionais, por mais que possamos dizer estar fora da série...a nossa demissão é muito grande.
Um abraço

Lúcia Duarte disse...

Oi António
Foi muito boa a troca de ideias com o Jorge. Aliás como sempre.
Por mim poderia ter interferido pois só enriqueceria o debate
bj

ANTONIO DELGADO disse...

Viva Lúcia,

a postagem em si, já é uma forma da minha participação. Por outro lado , como os acheios tão concentrados nos vosso pontos de vista só tinha que deixar discorrer as vossas opiniões sem contaminação. Sobre o NUNINHO devo de dizer que já me despertou mais interesse agora é apenas uma curiosidade arqueologica e dai não passa. Alias como muitas outras personagens da nossa história.

saudações.

Dr. Mento disse...

As canonizações têm sempre o condão de transformar em divino o que era puramente humano.

Nuno Álvares Pereira lá teve as suas virtudes e defeitos, mas foi, sobretudo, o homem do seu tempo: a Baixa Idade Média. Pelo seu importante papel numa dada época (bastante conturbada, diga-se em abono da verdade), os seus feitos acabaram por ser repescados, para os mais díspares fins, séculos depois da sua morte. Essa repescagem de factos é, por norma, descontextualizada e anacrónica. E só isso explica que Nuno Álvares Pereira tenha virado São Nuno… apesar de os seus maiores méritos terem sido conquistados no campo de batalha (foi um brilhante estratega, sem dúvida), local onde ninguém pode ser santo e todos são obrigados a matar e/ou morrer.